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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Digam vocês agora "Se Isto É Um Homem" (Primo Levi)

28.11.18 | BeatrizCM

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Gosto tanto de ler, mas ler nem sempre é fácil, nem sempre é um passatempo prazeroso. Já sabia que Se Isto É Um Homem (Primo Levi) seria um desses casos em que nem sempre há coragem para agarrar no livro e prosseguir sem interrupções. Já tinha estudado excertos da obra durante a licenciatura e decidi usá-lo para um estudo de caso no âmbito do mestrado, exactamente para explorar conceitos como a "irrepresentação" do trauma, as respostas ao trauma (por exemplo, por via da arte, como espaço de encontro), o pós-memória e a sua relevância.


De vez em quando, não aguentei a imersão numa realidade assim, ainda por cima sabendo-a real - aconteceu, tudo o que se lê neste livro aconteceu, e não há muito tempo. Podia ter acontecido com um avô ou outro familiar, alguém próximo e contemporâneo aos nossos dias. Por isso, fui parando quase sempre de vinte em vinte páginas.

 

Cheguei a lê-lo antes de adormecer e acabei por ter um sono agitado, mesmo que não me parecesse sentir-me muito mal com o relato de Primo Levi. Se Isto É Um Homem é uma descrição surpreendentemente lúcida de meses traumáticos, que me tocou e ficou "por trás dos olhos", como se costuma dizer. Conscientemente, consegui filtrar alguns efeitos secundários deste livro (que os há sempre, para o bem e para o mal), mas senti algumas reacções inconscientes.

 

No entanto, acho que não devemos necessariamente fugir deste mal estar que alguns livros nos possam causar. Também é importante ler coisas desagradáveis, se isso nos pode tornar melhores pessoas, com mais conhecimento acerca do mundo em que vivemos, mais consciência, empatia, simpatia.

 

Livros como Se Isto É Um Homem, relacionados ou sobre o tema do Holocausto, ou outros eventos da História mundial, deveriam ensinar-nos a ser melhores. Relembram-nos das situações das quais ninguém está isento. Podemos não nos tornar especialistas no que se sucedeu, mas esses pedaços de memória registados e memorizados pela ficção e não-ficção são a prova do que a humanidade é capaz. E tudo pode começar por alterações muito subtis na sociedade.

 

Ler nem sempre é fácil, mas por vezes tem mesmo de incomodar e doer.

Sabe tão bem comprar um livro novo!

26.11.18 | BeatrizCM

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Uma das coisas que a minha família raramente me recusou até eu começar a trabalhar foi a compra de livros. Comprar um livro novo nunca fez mal a ninguém! Nunca tive todos os brinquedos que quis, nem todos os CDs e DVDs, muito menos consolas de jogos. Nem sempre podia ter a roupa que estava na moda, ou incorrer em gastos supérfluos só porque sim. 

 

Por outro lado, até era incentivada a comprar um livro novo de vez em quando. Se não ia eu à livraria, alguém me ia trazendo um ou outro consoante os meus gostos. Lembro-me de a minha tia me trazer muitos livros d'Os Cinco, d'Uma Aventura e daqueles cheios de pop-ups e relevos. Já em pequena queria ter os livros, não apenas para os ler, mas porque gostava de os ter, do entusiasmo de papel a cheirar a novo, das lombadas e capas intocadas, sem vincos, sem vestígio de pó, humidade ou outra humanidade, porque gostava de lhes tocar e de os ver na estante, sabendo que eram meus. Claro que também ia à biblioteca e trazia de lá muitos livros, claro que lia os livros da escola, mas comprar um livro novo era todo uma outra experiência. E a Feira do Livro?! Mais um hábito ao qual fui iniciada desde bem pequena, com repercussões para o resto da vida. É raro o ano em que não vá lá, pelo menos para comprar um livro simbólico.

 

Farto-me de comprar livros, pelo que nem sempre consigo ler todos. No entanto, a promessa de que os poderei ler quando bem me apetecer não tem comparação. Olho-lhes para os títulos, organizo-os na estante, imagino-me a conhecer essas palavras que ainda me são desconhecidas. Não me lembro dalguma vez ter sido doutra forma. Se me dissessem que já veio gravado no meu código genético, eu acreditaria.

 

Por estes motivos, uma das minhas actividades favoritas é visitar livrarias (por motivos estratégicos e de variedade de oferta, a Fnac tem sido a minha predilecta). Gosto de pegar em vários livros que me pareçam interessantes, amontoá-los no colo e sentar-me a dar-lhes uma vista de olhos. Ultimamente, de forma a reduzir desilusões, antes de comprar um livro novo tenho tentado ler as primeiras páginas. Também costumo analisar o que os meus contactos do Goodreads com gostos semelhantes tenham opinado. Perco algum tempo por semana nesta selecção, cujo objectivo oscila entre uma compra hipotética ou um sonho-acordado. Nem sempre tenho orçamento para comprar o que quero, nem sempre os livros em análise parecem justificar o gasto. Mas esse contacto inicial ninguém me tira!

 

Hoje de manhã encomendei um livro que ainda há-de demorar uns dias ou semanas a chegar. Em situações como esta, o mais difícil é a espera. A expectativa. O entusiasmo. A contagem decrescente. O prazer e a vontade de lhe pegar que se encontram suspensos pelo processamento, expedição, envio... Eu até consigo arranjar o livro em formato digital, "mas não é a mesma coisa". Se eu pudesse, se eu tivesse dinheiro e logística, tinha tudo em papel. Tudo em estantes que nunca mais acabam. 

 

É tão bom comprar um livro novo, não é?

Tornozelos ao léu: Moda Outono/Inverno 2018-2019

21.11.18 | BeatrizCM

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No que toca a muitos aspectos inerentes à condição da criatura humana, sou um exemplar medíocre: nomeadamente, não sou gorda nem escanzelada, calço o 38 e meço 1,68m; na constituição física, nem sou bicho miúdo, nem super modelo.

 

Por isso, foi com grande surpresa (e consternação) que me apercebi que todas as calças que eu experimentava nas lojas me deixavam os tornozelos à mostra. Sempre curtas demais, o que não melhorou da colecção duma estação para a outra.

 

Ou eu teria crescido, ou todas as calças vendidas na Grande Lisboa teriam encolhido! Percorri Primark, C&A, H&M, Promod, El Corte Inglés, boutiques do metro, chineses... E da minha procura exaustiva e prolongada ainda só resultou um par, do ECI. Infelizmente, só tinham uma cor, senão teria trazido a gama inteira, tal é o desespero. Ora, foi-me acontecer isto a mim, que sempre fui daquelas pessoas - lá está, medíocres - que, depois dos 12, nunca tiveram de fazer ou deitar abaixo nenhuma bainha...

 

Depois, comecei a olhar para as pernas das minhas colegas (que é como quem diz... vocês percebem). Andavam todas piratas, mas piratas chiques! Calças de fugir à polícia, diria a minha avó. Tudo de tornozelo ao léu. Afinal, não estava sozinha nesta odisseia. As calças curtas desfilavam perante a minha estupefacção.

 

Então, concluí que as entidades da Moda, pessoas que pensam e criam roupa e suas respectivas tendências, decidiram que este Outono/Inverno vai tudo corrido a calças curtas. Não há abébias para friorentos com meias às listas ou do Harry Potter, isto é, para mim. Pensaram eles que o tornozelo se sente sufocado, quer ver mundo, instruir-se, apanhar ar fresco, contribuir para câimbras e músculos fracos. O que está na moda é o ténis estiloso com soquete tímido ou o botim maravilha com meia de vidro fina, tudo à mostra.

 

Contudo, desenganem-se: eu não me fico por aqui. Só descanso armada de calças que me batam no calcanhar ou quando declararem que as caneleiras voltaram às pernas do mundo. Eu cá ainda tenho as minhas, de quando estavam na moda em 2010. Prezo demasiado os recursos para aquecimento entre Outubro e Abril para os desperdiçar com modas e manias.

 

Nunca serei uma fashion icon, nem fashion influencer, nem somente fashion.

 

(Já agora, se souberem onde comprar calças decentes, HELP!)
(E já agora outra coisa, isto é só na moda feminina, os homens parecem estar a salvo.)

O novo livro de Cristina Ferreira: do you speak English?

14.11.18 | BeatrizCM

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A Cristina o que é de Cristina, mas a que custo?! Ontem, foi anunciado o novo livro de Cristina Ferreira, Falar (Inglês) é Fácil, um guia para aprender a língua inglesa criado em parceria com a Universidade de Cambridge.

 

Eu sei que falar não é fácil (caramba, eu é que sou a professora daqui!), até porque me faltaram palavras no momento em que li esta notícia. Confesso que me ocorreu um efémero e pouco eloquente "hein?!", mas depressa recuperei, prosseguindo para uma reflexão o mais articulada o possível sobre o que mais me choca neste caso.

 

Vejamos: Cristina Ferreira, figura pública de óbvia notoriedade em Portugal (quiçá, noutros países lusófonos), até poderia vender pisa-papéis. Tenho a certeza de que seria bem-sucedida nessa empreitada e que traria lucro aos seus parceiros. É de se lhe tirar o chapéu. Dito isto, não me surpreende que até a Universidade de Cambridge lhe proponha negócio; o que me surpreende é o que me parece ser a desadequação, falta de tacto, potencial desespero em vender/reproduzir e a perda da aura - vulgo autenticidade, tradição, essência - da "obra" cultural e mesmo da instituição envolvida (correndo o risco de também eu me tornar descabida ao referir Walter Benjamin).

 

O que eu quero dizer é que não me choca que Cristina Ferreira desse a cara por qualquer editora ou livro (se a mesma até tem uma revista...). Aplaudo-a de pé pelo seu empreendedorismo. Vejo-a claramente a representar quaisquer publicações relacionadas com os meios de comunicação, sobre blogues, um guia sobre linguagem corporal, gestão de carreira, métodos de interacção com o público, ou sobre etiqueta ou coaching.

 

Mas... Inglês?! E Cambridge...?! Alguém algum dia ouviu a Cristina Ferreira falar uma língua estrangeira? Qual a autoridade da apresentadora neste assunto? Que motivos, além da sua exposição mediática, justificam ou validam a sua actuação na área da educação e do ensino de línguas, enquanto uma das universidades mais antigas e respeitadas do mundo assina por baixo? E não digo que não vá vender que nem pãezinhos quentes, ainda por cima estando o Natal a chegar, mas admito-me desiludida com Cambridge. 

 

Claro que, nos negócios, é preferível ter a Cristina Ferreira (41 anos, célebre apresentadora cujo nome é reconhecido por milhões de pessoas) a jurar que falar Inglês é fácil, do que a Beatriz (23 anos, professora, anónima com 294 seguidores no Sapo + 327 no Instagram + 435 no Facebook), mas... mas... mas... 

 

Passo-vos agora a palavra, já que a mim só me ocorrem mais interrogações e conjunções coordenativas adversativas. Quando encontrar o livro, dar-lhe-ei uma vista de olhos. Qual a vossa opinião acerca do lançamento deste livro? 

A Carolina Deslandes, "Adeus Amor Adeus" e aquele nozinho no coração

14.11.18 | BeatrizCM

A Carolina Deslandes teve uma espécie de condão para lançar o último disco numa altura em que, por acaso, eu precisei de uma nova banda sonora. Nessa mesma altura, também precisei de - e felizmente consegui - novos livros, viagens a novos sítios, novos ombros amigos, novos desafios e, na verdade, tudo novo. (Quem nunca se sentiu assim, a precisar de uma fase de renovação, não é verdade?) Então, de certa forma, a Casa da Carolina também foi um pouco minha, onde tentei arrumar e reorganizar o que me faltava.

 

Bem sei que nem todas as pessoas serão as suas maiores fãs, mas eu, também não sendo das maiores, admiro-a. Acho que, apesar de não concordar pessoalmente com tanta exposição, consigo reconhecer que o público entra em contacto com uma mulher jovem que parece trabalhadora, focada, que consegue equilibrar a vida pessoal e profissional e que provavelmente tem atingido muitos dos seus objetivos pessoais nos últimos tempos. É bonito e até gratificante na terceira pessoa.

 

 

Entretanto, a vida continua. A Primavera acabou, o Verão passou e até estamos quase no Inverno. Parece poético e talvez o seja. Este ano e as estações que se sucederam poderiam encaixar simbolicamente na minha história. Poderiam fazer parte do storytelling. E, como que encerrando um período catártico, a Carolina também diz "adeus" num vídeo que, depois de nos amassar a bagagem e prender em nostalgias, pontadas agudas e agitações invisíveis, nos liberta. Nem tudo pode ser para a vida toda, mas mais estará para vir quando tiver de ser.

 

A miúda gostou e gosta.

 

10 factos aleatórios sobre mim e os meus livros

12.11.18 | BeatrizCM

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1. Neste momento, o meu romance favorito é O Curso do Amor (Alain de Botton);

 

2. Um dos meus livros preferidos e que, surpreendentemente, já li mais duma vez é O Complexo de Portnoy (Philip Roth);

 

3. O livro que eu sinto que mais marcou a minha adolescência e que me fez pensar pela primeira vez "é isto, eu gostaria de fazer isto" é Abraço (José Luís Peixoto);

 

4. A maior "culpa" de eu gostar tanto de ler e escrever é da minha avó e da minha professora de Português do ensino básico;

 

5. Gostaria que houvesse mais cafés acolhedores em Lisboa onde pudesse ler e escrever - se não o fizerem ao meu gosto, ainda me meto eu em trabalhos;

 

6. Se eu pudesse ressuscitar algum escritor falecido, para que ele continuasse a escrever, seria Eça de Queirós;

 

7. O meu namoradinho literário platónico deve ser o Dexter (Um Dia, David Nicholls);

 

8. As Crónicas de Nárnia são os livros para crianças que eu só percebi realmente na idade adulta;

 

9. Embirro com a leitura de traduções, se os livros tiverem sido originalmente escritos em inglês e, por vezes, em francês; 

 

10. O último livro que acabei de ler é Stoner (John Williams), mas costumo estar a ler, quase sempre, mais de três livros em simultâneo, saltando dum para o outro consoante a disposição e conveniência do momento.

 

*Shelfie desta leitora no Verão de 2015. Entretanto, já houve bastantes alterações em ambas, no self e na shelf.

Um daqueles livros: Stoner, de John Williams

12.11.18 | BeatrizCM

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Conhecem aquela sensação agridoce de acabar de ler um livro que nos deixa a pensar por vários dias e nos deixa incapazes de lermos outro de imediato? Conhecem aquela sensação de não saber se terá sido uma história feliz ou triste, se o protagonista poderia ter tomado outras decisões, se a sua vida poderia ter sido diferente? E se, e se, e se...? Conhecem aquela sensação de terem terminado um livro que mais do que uma pessoa vos recomendou, e que, ainda assim, conseguiu superar as expectativas criadas? Conhecem aquela sensação de que, é verdade, a ficção é capaz de retratar a realidade com justiça e sem floreados?

 

Este é um daqueles livros que nos deixa com todas essas sensações.

 

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"In his forty-third year William Stoner learned what others, much younger, had learned before him: that the person one loves at first is not the person one loves at last, and that love is not an end but a process through which one person attempts to know another."

Sobre a sede de ser mais e melhor

04.11.18 | BeatrizCM

Quem quer ser uma pessoa melhor? Todos nós, certo? Ninguém quer, racional e teoricamente, permanecer igual ao que é neste momento, nem regredir. Tentamos ter em vista o crescimento. Queremos tomar decisões que nos tornem mais refinados, mais inteligentes, emocionalmente equilibrados, generosos, cultos, amados em geral. Queremos impressionar-nos a nós mesmos e aos outros.

 

Agora que estamos no início do mês, ou quase no fim do ano, é altura de fazer novos balanços e criar novas metas. Anteontem, já me estava a preparar para criar uma lista do que gostaria de levar a cabo em Novembro e vir aqui queixar-me do quão improdutivo foi Outubro, quando ouvi esta Ted Talk.

 

 

 

Como diz a psicóloga Dolly Chugh, temos de encarar os erros não como falhas, mas como oportunidades para aprender. Não deveremos deixá-los tomar posse da nossa vontade obsessiva em sermos melhores, deixando-nos frustrados, mas sim permitir que nos deixem reflectir nas nossas decisões. Talvez a definição de "good person" que temos em conta seja demasiado rígida. Talvez devamos concentrar-nos em ser "goodish", e em deixar espaço para melhorar a pouco e pouco.

 

Neste mês de Novembro, gostaria de ler mais, ouvir mais podcasts, concentrar-me mais quando estudo, gerir melhor o tempo, não perder tanto desse recurso finito com as redes sociais, ser mais paciente com os outros e mais relaxada; mas, se não for assim, talvez tenha de aprender a ser menos derrotista do que fui no fim de Outubro. Por vezes, fico frustrada, censuro-me por querer ser e fazer tudo e mais alguma coisa, e sei que isso até é contraproducente. Quanto mais penso em agir, menos o faço. Fico antes entregue a lamúrias, à autocrítica e à autocomiseração. Eu sei que isto pode parecer cliché, mas se calhar preciso mesmo de aprender, antes de mais nada, a "apreciar o processo" - mesmo com a devida dose de procrastinação incluída.

 

E pronto, é isto. Antes que o meu blogue fique a cheirar a livro duvidoso de auto-ajuda, é melhor retirar-me com a graciosidade que me resta após uma tarde a planear aulas de robe.

Os meus 5 podcasts favoritos em inglês

01.11.18 | BeatrizCM

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O feriado está quase a acabar, está frio lá fora, provavelmente a esta hora já estamos prestes a ir dormir. No entanto, quis reservar alguns minutos para vos recomendar uma lista com os meus 5 podcasts favoritos em inglês. Lembrei-me de o fazer, depois de ter recebido algum feedback positivo acerca das sugestões de episódios que partilhei ontem no Instagram. Talvez vos consiga convencer por aqui também!

 

Os meus temas favoritos, como poderão verificar, são psicologia e economia. Notem ainda que o trabalho de edição do som e a voz dos locutores é muito clara, agradável e eloquente, e que os títulos dos episódios são bastante sugestivos, sem enganar. Em geral, são esses os critérios mais superficiais que me prendem aos podcasts.

 

Desta vez, sugiro podcasts estrangeiros (facilmente encontrados no Spotify), mas em breve talvez tente partilhar uma lista de podcasts em português.

 

Por agora, vamos lá ver... e ouvir!

 

1. The Science of Happiness

 

Não costumo ler livros de auto-ajuda, mas esta "ciência da felicidade" tem-me ensinado bastante. Aliás, por vezes, nem é tanto ensinar, mas sim educar e relembrar: cada episódio de The Science of Happiness informa-nos acerca dum método testado cientificamente que podemos utilizar para nos sentirmos mais felizes. Os leitores habituais do blogue já sabem o quanto adoro este podcast.

 

2. Shut Up, Brain

 

Este podcast é para quem tem um cérebro hiperactivo que nunca se cala, pensa, repensa, mói, remói, para quem sofre com ansiedade acerca dos mais variados tópicos e não é fã de parar para respirar. Então, como contrariar essa tendência, como promover a nossa própria saúde mental com hábitos construtivos e que aumentem a nossa produtividade? É a essa pergunta que o Shut Up, Brain tenta responder. Apesar de o seu objectivo ser semelhante ao do podcast anterior - ser feliz - e o tema principal ser a psicologia, alguns apontamentos sobre meditação e neurociência também são discutidos.

 

3. Freakonomics

 

Quase todas as pessoas que conheço gostam de falar sobre economia, mas nem sempre temos conhecimento suficiente para enriquecer as discussões com argumentos minimamente inteligentes, "porque não estudámos economia". Além disso, há tanto que ouvimos nas notícias e não entendemos... Graças ao Freakonomics Radio, podemos entrar em contacto com algum jargão, teoria e reflexões da área, sem os acharmos aborrecidos. Por acréscimo, a maioria dos epsiódios conta com entrevistas a convidados ilustres, entre eles vencedores do prémio Nobel ou autores reconhecidos.

 

4. The Indicator from Planet Money

 

 

Para quem tem um attention span reduzido, mas continua a querer instruir-se acerca do que se fala nas notícias (e não só), o Planet Money é o podcast mais indicado. Cada episódio tem cerca de dez minutos, o que me tem permitido ir ouvindo sobre uma variedade de temas, também ligados à economia, durante pequenos intervalos entre actividades ao longo do dia (nomeadamente, viagens de metro curtas). Conheci esta série há poucas semanas, numa aula de Economia da Cultura, e acho que está muito bem concebida para leigos ou principiantes.

 

5. TED Talks Daily

 

 

Não conheço uma única pessoa que fale mal das Ted Talks ou sequer que assuma não gostar delas. Talvez estas palestras, intervenções, discussões e conferências sejam uma das melhores iniciativas criadas nos últimos anos. Desta forma, já cá faltavam as TED em formato de podcast - e uma por dia, consoante indica o título Ted Talks Daily. Pessoalmente, estou a pensar em adoptar o hábito de seguir os episódios diários, sem excepção, e dedicar mais ou menos quinze minutos todas as manhãs ou noites a ouvir algo novo. Porque não?

 

Antes de terminar, uma nota breve de elogio aos podcasts: são ou não são fantásticos?! Em Portugal, ainda não há muitos, pelo menos não tantos quanto noutros países, o que é uma pena. Se tiverem algum para me sugerir, estou aqui para receber as vossas ideias.

 

There's no such thing as too many podcasts!