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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Os meus livros em 2018

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Li 31 livros em 2018.


9 mulheres
13 livros de não-ficção
12 livros de autores portugueses
5 e-books

 

Eis alguns números sobre as minhas leituras registadas em 2018 - ou seja, sem contar com tudo o que li para o mestrado, que deixei a meio ou que continuarei dum ano para o outro. Parecem significativos, mas eu acho que ainda são capazes de sofrer reajustamentos.

 

Em 2019, vou subir a fasquia para 40 livros em vez de 25 como objectivo no desafio anual do Goodreads (acabei com 31 terminados). Passo demasiado tempo inutilizado que poderia ser substituído por prazerosos minutos a ler, aqui e ali. Primeiro, faz-me falta melhorar esta concentração de passarinho. Depois, alguns desses livros serão também releituras doutros anos, aos quais sinto que faz sentido regressar, ora porque já não me lembro do conteúdo e deveria lembrar, ora porque "devemos voltar ao que já nos fez felizes'. E, desta vez, procedi a um levantamento do que tenho nas estantes e que ainda não tenha lido, chegando a cerca de 15 livros - mais de metade dos quais espero abater nos próximos tempos.

 

Ter lido apenas 9 livros escritos por mulheres também me surpreendeu. Ainda que não costume ser rígida nesta contagem, fiquei com a sensação de que me faltou a voz, sensibilidade e temas escolhidos por autoras.

 

Numa perspectiva mais optimista, nunca li tanta não-ficção, gosto deste equilíbrio e só me falta tentar ler mais clássicos da literatura e autores portugueses para ficar feliz com os livros que escolho. E não lia tanto desde 2015. Superei as minhas expectativas e desilusões de 2017.

 

Além disso, os e-books passaram a fazer parte da minha estante este ano e, apesar de só aparecerem aqui 5, já tenho mais uns quantos gravados no tablet e no Kobo. Não é o formato que prefiro, provavelmente o papel irá sempre prevalecer nesse aspecto, mas os livros digitais são mais rápidos a "chegar", são bastante práticos e, como ando sempre com uma mochila pesada às costas, os e-books podem andar comigo para todo o lado sem acrescentarem peso.


Em geral, acho que gostei muito de quase todos os livros que li. Não sou de me arrastar e martirizar com livros que deixam de me cativar, pelo que isso é só o mais lógico de rever na lista final. Ainda por cima, alguns dos livros deste ano acabaram por se tornar dos meus favoritos de sempre, como este e este. E este

 

Por agora, são estas as ideias sobre o que li em 2018 que me parece importante ficarem registadas.

 

Obrigada por acompanharem as minhas leituras. Nada me deixa mais feliz por poder partilhá-las do que receber mensagens e comentários de quem se entusiasmou com as recomendações que vou publicando. Em 2018, escrever sobre livros foi o que mais gostei de fazer por aqui.

 

Até 2019!

 

***

 

Ver também o balanço do ano passado: OS MEUS LIVROS EM 2017

Chafurdando nos sentimentos: Constructive Wallowing (Tina Gilbertson)

Ainda faltam dois dias, mas tenho quase a certeza de que esta terá sido a minha última leitura completa antes de 2019: Constructive Wallowing - how to beat bad feelings by letting yourself have them, da psicóloga americana Tina Gilbertson.

 

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De repente, deu-me esta vontade: em 2018 tenho lido mais livros de desenvolvimento pessoal, psicologia e de dita auto-ajuda do que nos anos anteriores. Também contribui para a equação que eu ande a investir numa desmistificação desse género de leituras, para abater o meu cepticismo. Então, parece que estou a terminar assim, com mais uma. Tenho-me interessado tanto pela forma como o cérebro humano trabalha, quanto como usar o meu de melhor forma. Mesmo no mestrado, tenho tentado fazer trinta por uma linha para estudar fenómenos cognitivos aplicados à cultura e à literatura. Tem sido mesmo giro!


Por isso, não admira que esteja a terminar com Constructive Wallowing. Encontrei este livro por acaso no Book Depository, enquanto dava uma vista de olhos pelas pechinchas do Boxing Day, mas não pude esperar pela encomenda. Procurei logo a edição digital para ler no tablet. Ainda bem, acho que precisava de o ler neste momento.


Provavelmente, este livro ainda me há-de render mais um ou dois textos para o blogue, mas por agora deixo-vos com algumas das ideias que mais me agradaram e que me ocorreram nesta leitura.

 

Em primeiro lugar, atentemos no título: Constructive Wallowing pode ser traduzido para chafurdamento construtivo. É mais bonito em inglês, mas talvez mais expressivo (ou seja, bardajão) em português. E em que devemos nós chafurdar, segundo a autora? Nos nossos sentimentos, mesmo nos mais negativos e que mais dor nos trazem. Embora ninguém se importe de chafurdar em felicidade, orgulho, satisfação, conforto, não há quem preze em particular o embaraço, a tristeza e a desorientação.

 

Daí resulta o subtítulo: como ultrapassar maus sentimentos permitindo-se tê-los, isto é, em vez de os evitarmos, devemos ter compaixão por nós mesmos e deixá-los vir à superfície. Fazer de propósito para os sentir, sem ouvir a voz crítica que nos manda ser mas é felizes, parar de ser choninhas, concentrarmo-nos em coisas mais importantes do que a auto-comiseração, porque afinal há sempre alguém pior do que nós, etc e tal. Ah, e já agora, não existe tal coisa como "maus sentimentos"!


Pessoalmente, isto é uma lição que me estava a fazer falta ouvir, ou ler. Eu chafurdo, mas não costumo fazer de propósito para sentir toda a carga emocional que se quer soltar. Fico-me pelo suficiente. "Vá, agora já chega, que tenho de me levantar da cama/ir trabalhar/ir ao ginásio/ler/estudar!" Quem nunca disse isto a si próprio atire a primeira pedra. Então, por vezes sinto que enterro os problemas lá no fundinho, para lidar com eles mais tarde, preferencialmente nunca!


Temos tendência a pensar assim, nem que seja porque costuma ser esse o espírito de sacrifício incutido pelas gerações anteriores. Ser forte e aguentar é que interessa. O curioso é que, exactamente por declaramos abertamente o que consideramos ser fraquezas é que nos tornamos mais fortes. Já alguma vez tinham pensado nisso?


Tina Gilbertson explica que, ao deixarmo-nos sentir essas emoções, abrimos caminho para as libertarmos. Uma vez que as aceitamos como normais, minimizamo-las sem precisar de as reprimir. O processo de as sentir torna-se natural e menos obsessivo. 


Às vezes, acordo e penso que me sinto incapaz de me levantar. Que tenho tanto para fazer nesse dia que o melhor é ficar na cama. Que estou desiludida com os esforços que tenho feito para o mestrado sem parecer valer a pena.


Sim, o sono tolda-me o discernimento, mas talvez eu deva parar de responder "já chega de ser piegas" e passar a dizer "realmente, vais ter um dia difícil", que despoletará um raciocínio mais equilibrado sem me impedir de realmente tomar acção quando a altura certa chegar. Se não chamaríamos piegas a um amigo, por que o chamamos a nós próprios?


Claro que não sei se concordo totalmente com esta abordagem. Por vezes, até a um amigo deixaríamos uma nota de advertência. "Olha lá, se puseres mãos à obra em vez de ficar a choramingar mais meio ano, talvez consigas ultrapassar esse bloqueio - o que achas?" Não é preciso sermos os generais temidos da nossa vida, mas levar tudo com suavidade também não me parece positivo como sistema. Há que puxar os nossos galões de vez em quando, tomar uma chávena de café e apostar num dinamismo que nos faça sair dum ciclo de palmadinhas nas costas.


Em suma, o livro é muito bom, há imensa informação útil a retirar, mas a segunda parte já me pareceu demasiado lenta, uma repetição alongada da primeira e perdi mais o ritmo de leitura. Se se quiserem aventurar no Constructive Wallowing, façam-no tendo em vista uma leitura descontraída, pouco exigente e, obviamente, construtiva. Até podem passar algumas partes menos interessantes à frente ou apenas ler alguns capítulos (vejam o índice!).


Muito ainda poderia ser escrito sobre este livro, mas o texto já vai longo e daqui a nada perco a vossa atenção. Resta-me apenas deixar a recomendação deste livro para quem esteja à procura de melhores formas de levar a cabo a auto-reflexão e introspecção, para quem quer uma leitura menos pesada ou para quem gostaria de fazer terapia/ir ao psicólogo, mas não sabe o que esperar dessa experiência.


Boas leituras e procrastinações!

O melhor de 2018 foi a superação

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Ponderei muito se deveria escrever este texto. Ponderei mais um tanto até realmente o escrever - e procrastinei-o. 2018 tem sido um ano que eu não teria vontade de repetir. Houve anos em que cheguei ao fim e pensei "muito bem, este foi dos bons". 2018 não. Passou-se e, se eu tivesse um comando para controlar a visualização dos episódios, repetiria um par de situações e ficaria feliz. Talvez por isso não saiba sequer o que partilhar sobre os últimos meses que não tenha já sido escrito por este blogue fora.

 

Vejamos... Despedi-me do emprego que eu mais queria na vida, deixei um mestrado a meio, regressei de quase dois anos a viver em Banguecoque, renovei amizades e listas de contactos, recomecei, reaprendi a viver em família, defini novos objectivos profissionais, procurei uma nova auto-imagem, não só saí como saltei de pára-quedas da minha zona de conforto, descobri novos interesses, inscrevi-me no mestrado dos meus sonhos (e não fiquei impressionada) e - o mais importante - tive de reconhecer a minha fragilidade face a circunstâncias que não consigo controlar, paralelamente àquilo que me cabe a mim decidir. Já diz o livro, quem mexeu no meu queijo? A certa altura, senti que toda a gente me metia as mãos no meu prato excepto eu, mas no final ficou a lição de que, se nos comem o queijo, temos de ir à procura do fiambre.

 

A sabedoria popular também diz que "o que não arde cura e o que aperta segura". Feitas as contas, podia ser outro lema para o meu último ano. Sei que foi dos melhores anos em lições várias, novidades, descoberta permanente. Estou feliz por isso. No entanto, em 2019 quero menos reboliço.

 

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No lado bom - óptimo! - destaco a minha viagem solo à Escócia, que gostaria imenso de repetir mal seja possível, no mínimo à minha cidade favorita, Edimburgo. Subir o Arthur's seat foi das experiências mais satisfatórias do último par de anos, tanto pela vista panorâmica sobre Edimburgo, como ainda pela superação simbólica de medos e obstáculos. 

 

Destaco as pessoas que conheci. Por vezes sofro de memória selectiva, mas não me lembro de nenhuma pessoa que tenha conhecido sem que a viesse a admirar. Os amigos e a família também não tiveram um papel fácil e o carinho que me dedicaram não tem comparação em palavras.

 

Destaco o blogue. Consegui escrever mais do que no ano passado, o Sapo também o destacou várias vezes, chegaram novos leitores, fui encontrando motivação para cá voltar. Gosto de saber que vos tenho por aqui e que os meus exercícios de escrita e reflexão não ficam apenas para mim.

 

Destaco os livros que li. Embora ache que ainda tenho de aprender a ler melhor, já fiquei satisfeita com a quantidade (desafio do Goodreads superado!), porque também tive de ir lendo outros materiais para a faculdade no último trimestre. Ainda vou publicar o meu balanço livrólico detalhado antes de o ano acabar (antes disso, só tenho de terminar um ou dois livros).

 

De qualquer forma, acabei o ano a fazer aquilo de que gosto, em boa companhia, sem nenhum desejo por concretizar, com planos para novos projectos e talvez uma viagem ou outra. Saldo positivo!

 

2018 superado, que 2019 sirva para continuar a melhorar! (E já nem digo que sirva para escrever um livro, mas começar a tese já não seria mau.)

 

Imagens: Edinburgh Central Library e Calton Hill, Edimburgo, Maio de 2018

Um livro para a auto-reflexão: "O Homem em Busca de um Sentido" (Viktor E. Frankl)

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Este texto demorou, mas chegou! Gostei muito do livro O Homem em Busca de um Sentido (escrito depois da Segunda Guerra Mundial pelo psiquiatra e neurologista Viktor E. Frankl), já que a procura de sentido interessa a provavelmente toda a gente e porque... Bem, porque também precisei de escrever sobre o tema para a faculdade!


Decidi que um dos trabalhos para este semestre de mestrado seria sobre o trauma representado na escrita autobiográfica de Primo Levi, em Se Isto é um Homem. Já escrevi sobre ele e, na sequência dessa leitura, acabei por pegar neste - na medida em que quis reflectir sobre a partilha do testemunho narrativo como forma de ultrapassar um trauma ou dar sentido ao sofrimento da vítima, anteriormente passiva, que através da escrita ganha um papel activo de testemunha. Mas não divaguemos demasiado! 


O Homem em Busca de um Sentido também é, em parte, uma narrativa autobiográfica, e a primeira metade desvenda-nos mais um pouco sobre o que era a vida nos campos de concentração nazis, desta vez dum ponto de vista mais psicológico, quiçá emocional, mas nem por isso menos fiel ao que o autor, o Dr. Frankl, terá passado. Antes pelo contrário, o rigor científico é mantido tanto quanto possível nas suas observações, já que o próprio livro foi escrito com o intuito de informar o mundo desta parte da nossa História Europeia recente.


Outro dos objectivos é, obviamente, a explicação da logoterapia, na segunda metade do livro. A logoterapia é um método de psicoterapia desenvolvido pelo próprio Viktor E. Frankl antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial - ou seja, durante toda a sua vida. Nem quando esteve preso deixou de pensar nela!

 

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Frankl dedicou a sua carreira a ajudar os seus pacientes a recuperar o seu logos, ou o seu sentido/propósito, de modo a superarem depressões, fases de luto ou mesmo traumas. A logoterapia é a terapia pela procura e identificação dum propósito na vida do paciente. O próprio Frankl refere que o que o salvou e o manteve vivo durante a guerra terá sido a vontade de concretizar o trabalho que começara antes de ser capturado, uma vez que a primeira versão do livro que andava a escrever fora confiscada quando ele dera entrada no primeiro campo de concentração. Mas, mesmo assim, mantinha a esperança de o reescrever depois da sua libertação! Até foi tirando notas em escrita estenográfica em pedaços de papel. 

 

Em geral, a mensagem deste livro é que, sejam quais forem as condições em que sintamos desmotivação ou desorientação, procurar um sentido, propósito ou objectivo ajuda-nos a planear o futuro e a torná-lo mais visível e atingível, devolvendo-nos o entusiasmo de o perseguir. 


Este é um livro com algumas décadas que ainda se mantém actual, é um livro para quem gosta de psicologia, ciência popular, histórias trágicas que acabam bem, o tema do Holocausto e do aperfeiçoamento e desenvolvimento pessoal, sob quaisquer condições. É um livro com uma mensagem de esperança, recuperação, que raia a escrita científica e a autobiográfica, que enche as medidas dos cépticos, dos crentes e dos assim-assim. Ainda por cima, é curtinho e lê-se numas horas.


Boas leituras procrastinadoras (e sempre com um sentido, pois claro)!

Olá, olá! Ainda está aí alguém?

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Eu sei, tenho andado muito desaparecida. Poderia dizer que não tenho tido tempo, mas seria mentira. Prefiro dizer que não tenho tido disponibilidade mental. Quando escrevo para o blogue, gosto de o fazer sem preocupações, sem outras prioridades a martelarem-me a cabeça. Infelizmente, nem sempre consigo essa clareza.

 

Sou muito ineficiente na organização de tarefas e tenho tentado melhorar essa fraqueza, equilibrando deveres e lazeres, trabalhos que me dão gozo e aqueles que têm de ser porque sim. Para isso, tenho usado o meu Bullet Journal sempre que possível. Mas nem sempre tem sido "possível", recompensador ou motivador. Se alguém tiver ideias mais fora da caixa relacionadas com a superação de fases menos criativas, por favor, partilhe-as!

 

Também tenho aproveitado a última semana e meia para estar com os meus amigos, quando não estive afundada em trabalho, trabalhos e estudo. Os jantares de Natal, a folia e correria desta época também cansam, mesmo sendo uma das mais agradáveis alturas do ano.

 

A procrastinação (ou apenas olhar para o ar) ainda me ocupa demasiado tempo, por isso ando a tentar arranjar mais formas de rentabilizar o meu tempo sem sentir que o desperdiço. Tenho tentado ler alguns livros novos e hei-de cá vir contar-vos sobre eles "ASAP".

 

Começo já esta semana, antes que o ano acabe e pareça que não tenho feito mais nada senão procrastinar sem viver. Não queremos cá disso!

 

(Espero também continuar a ver-vos por aqui e que não se tenham impacientado demasiado com esta ausência temporária! ♥)

Algumas ideias sobre O Método Bullet Journal: o livro vale a pena?

Na semana passada, fui ao Clube de Leitura organizado pela Sónia na Fnac do Colombo e, antes de começarmos, dei uma olhadela a alguns livros dos quais tenho ouvido falar. Calhou um deles ser O Método Bullet Journal, do designer Ryder Carroll, que a Cláudia já tinha mencionado no blog dela. Eis algumas considerações sobre este livro, e não só...

 

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Desde o primeiro ou segundo ano da licenciatura que mantenho cadernos. A certo ponto, deixaram de ser meras listas de tarefas para fazer para passarem a incluir todo o tipo de apontamentos, incluindo os das aulas, trabalho, eventos aos quais ia, estágios, ideias aleatórias...

 

Depois, fui para Banguecoque e grande parte dessa vontade de escrever em cadernos desvaneceu. Cheguei a comprar vários, na esperança de resgatar esse prazer de escrever no papel, mas nunca fui bem sucedida. Nessa altura, perdi a ligação a muitas das coisas que tinham feito sentido nos meus métodos de organização dos últimos anos, o que foi uma pena, porque talvez eu tivesse lidado melhor com algumas mudanças e frustrações se lhes tivesse permanecido fiel e tivesse feito um esforço mais consistente para continuar o que já costumava fazer.

 

No entanto, o que lá vai já passou e o chamamento pelo papel e caneta regressou. Desde que comecei este mestrado que tenho sentido vontade de voltar aos cadernos e caderninhos, só não sabendo bem como ou quando.

 

O livro do qual vos quero escrever, O Método Bullet Journal, acabou por ser a minha desculpa perfeita. Li os primeiros capítulos e senti que o método faria sentido para mim, se o tentasse aplicar. Sim, porque há mesmo um método! Pelo menos, ali estava uma oportunidade de recomeçar a tomar notas.

 

Como o criador do método explica, este é um projecto analógico, isto é, faz-se em papel e não numa app, num telemóvel ou num computador. É uma forma de sairmos da frente dum ecrã e relaxamos através da escrita à mão. Além disso, ao contrário do que alguns utilizadores dos BuJo possam fazer parecer na Internet, o objectivo deve ser criar um caderno funcional, e não necessariamente bonito. Para mim, que possuo sérios obstáculos cognitivos na área da representação visual, essas são óptimas notícias, bastante encorajadoras.

 

Assim sendo, claro que decidi criar o meu BuJo nessa sexta-feira, ainda por cima último dia de Novembro, a desculpa feita à medida. O dia seguinte marcaria o início da minha experiência com o BuJo. Até agora, já passou mais duma semana e continuo a passar tempo com o meu várias vezes por dia.

 

E agora especificamente quanto ao livro...
Adorei o que li quando encontrei O Método Bullet Journal na Fnac, mas à medida que fui progredindo na leitura também me fui desapontando. De facto, gostei muito dos primeiros dois capítulos, "A Preparação" e "O Sistema", ambos sobre aspectos mais técnicos do BuJo (como organizar as várias partes, os símbolos, as colecções...), enquanto o resto do livro me pareceu uma perpetuação de clichés e amálgama de ideias de auto-ajuda, repetitivos e sem grande nexo. Por exemplo, gostaria muito de ver mais exemplos de BuJo bem-sucedidos, como os que são mostrados, e que estes também viessem acompanhados algum tipo de explicação mais detalhada sobre a sua elaboração e funcionamento.

 

Seja como for, não deixou de ser uma leitura construtiva. Só não consigo gostar totalmente dela como gostei até à página 123. Acho que talvez faça mais sentido ver mais materiais sobre o BuJo no YouTube e no Instagram para aprofundar a minha própria prática (vejam o vídeo que vos deixo no fim deste texto). Como é destacado no livro, já há uma grande comunidade construída à volta destes "diários com método".

 

Como estamos quase a terminar o ano, penso que me resta desafiar-vos a darem uma oportunidade ao Bullet Journal. Sentem que vos falta uma estrutura para organizarem o vosso tempo? Precisam de algo que vos ajude a orientar as vossas actividades diárias, mas também a reflectir no passado e a fazer planos para o futuro? Acham que todos os meios são poucos para vos afastarem finalmente da procrastinação e do vício das tecnologias? Tentem fazer um BuJo ou um qualquer diário de ideias.