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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Comprar livros em Portugal, durante e após a pandemia

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Bom fim-de-semana, com uma nova crónica minha no P3 do Público - um apelo relacionado com os efeitos da crise recente nas indústrias dos livros em Portugal, mas também sobre o amor que tenho por eles. 📚

 

Deixo-vos um trecho:

"O medo é uma emoção muito comum nestes dias. No entanto, a sugestão que deixo é a seguinte: se tiverem condições para tal, aliviem parte desse medo com livros. Escolham livros que vos consolem, que vos façam companhia, que vos inspirem, que vos informem e (ou) que vos distraiam, que vos façam felizes."

 

Boas leituras! E boas compras!

Para que serviu esta quarentena?

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Dum ponto de vista apreciativo, devemos concentrar-nos no que corre bem, ao invés de analisarmos o que corre mal. Mesmo antes de estudar psicologia positiva, já me obrigava a valorizar forças, oportunidades e potencial, tanto as minhas quanto as das pessoas com quem convivo e trabalho, as dos meus alunos e as das situações diárias. Talvez por mania, talvez por ter sido criada por uma optimista incurável, talvez porque é uma das formas que me obriguei a adoptar na esperança de me safar de disposições e estados psicológicos mais adversos nos últimos anos.

 

Um ponto de vista apreciativo não nega o que correu mal. É, em vez disso, um exercício indutor de crescimento, construção e transformação positiva sempre que possível. E este é um texto escrito de barriga cheia, não me esquecendo do que tem acontecido de negativo no país e no mundo, não me esquecendo da gratidão por me encontrar sã e salva, assim como os meus, ainda que com algumas ressalvas a nível profissional/financeiro, não desvalorizando nada disso.

 

Assim sendo, proponho a seguinte reflexão: na vossa opinião, a partir da experiência pessoal de cada um, para que serviu esta quarentena?

 

Começo eu, pode ser...?

 

Desde o primeiro dia que passei em casa por causa da quarentena profilática, tentei ver o lado bom da situação. Ninguém da minha família ou amigos doente; a possibilidade de trabalhar a partir de casa; a actividade profissional que não se esgotou e que, em parte, de multiplicou; muitos livros por ler e encomendar.

 

No entanto, passei várias semanas num estado de confusão permanente. Em casa, como a maior parte dos portugueses, privada da confraternização diária com alunos e amigos, longe do meu namorado, preocupada com ele e com outras pessoas à minha volta que tiveram de continuar a sair para trabalhar. Vi-me presa às redes sociais, insaciável por pistas sobre o futuro, pistas essas que nunca conseguia encontrar; sem ideias para escrever fora do diário pessoal, sem concentração para ler, com frio e um medo disfarçado de mera ansiedade crónica agravada pela meteorologia adversa, enrodilhada em mantas para disfarçar o desconforto. Vivo numa zona ventosa, húmida e onde choveu ou não fez sol durante muitos dos primeiros dias da Primavera. Mas, ao menos, vivo no campo e pude fazer caminhadas quando a melhoria do tempo o permitia.

 

Saber um pouco da teoria do bem-estar e da felicidade não foi o suficiente, mas mal de mim se não a soubesse. Nem todos conhecemos o caminho para o bright side das nossas existências quotidianas, caminho esse especialmente ameaçado nas circunstâncias actuais, e ao menos eu tinha algumas linhas de orientação sobre como encontrar o caminho para o meu.

 

Escrever foi o primeiro passo, também por ser o mais óbvio. Tinha passado os últimos três ou quatro meses a estudar os seus benefícios na saúde mental e física, a ler todos os livros e artigos a que conseguia chegar acerca do assunto, além de ter eu mesma criado um workshop sobre diário positivo que coloquei em prática alguns dias depois do início do estado de emergência.

 

Ler, como já terei referido, não foi uma das actividades predilectas desde o início. Por muito que tentasse, faltava-me a atenção necessária à interpretação de ideias mais complexas do que um tweet, um meme ou, no máximo, um artigo de opinião. Felizmente, fui recuperando alguma em quantidades crescentes ao longo dos dias, motivada por opções de leitura cada vez mais variadas que foram chegando à minha morada.

 

Manter uma rotina de exercício físico não foi logo uma prioridade, por falha de julgamento minha, mas algumas semanas sem ele fizeram-me querê-lo de volta, por isso passei a caminhar sempre que possível e a marcar treinos semanais por chamada de vídeo, mesmo que os presenciais tenham sido suspensos por tempo indeterminado. Nem sempre cumpro com as minhas próprias expectativas, mas estou em modo "qualquer coisinha já é qualquer coisinha" (a foto que ilustra este texto foi tirada depois dum treino bem sucedido, Lord Ennui incluído).

 

Ainda enquanto consequência da falta de concentração, não fui capaz de aprender e apreender novo conhecimento como habitual, como quando tenho a cabeça no devido lugar, mas nunca ouvi tantos podcasts e explorei novos temas quanto agora. Fiz muitos "passeios com podcasts", as tais caminhadas frequentes em que só podia voltar para casa depois de ouvir um episódio com, no mínimo, 20 minutos de duração. Nas primeiras semanas do confinamento, também consegui terminar - a custo - um curso iniciado em Março, mas, encontrando-me em baixo de forma, só fui capaz de voltar a aprender facilmente nos últimos dias (muito entusiasmada com as aulas do Masterclass e o regresso das aulas da pós-graduação). Agora, estou a tentar avançar com outro curso livre, pouco a pouco.

 

Talvez ainda mais do que a parte intelectual das nossas vidas, a parte social importa muito. Claro que já estou farta de chamadas de vídeo, já que a minha actividade profissional passa por elas a 100%, mas tive de as adoptar nas horas de lazer com igual estoicismo. Continuar a organizar O Primeiro Capítulo foi imperativo, ligar a amigos várias vezes por semana, trabalhar acompanhada com alguém do outro lado da rede, e até sestas pelo Zoom já partilhei com o João. Não quero imaginar o que seria passar este período de confinamento sem a tecnologia de comunicação da qual dispomos actualmente...! 

 

Finalmente, a acompanhar o ritmo do desconfinamento e recuperando hábitos de escrita além do diário pessoal como pente que desembaraça ideias e emoções contraditórias, enviei um texto que andava a rascunhar há meses para um concurso literário, estou a preparar um novo texto para outro, voltei a escrever textos mais longos e tenho uma crónica para o P3 a aguardar publicação, assim como a candidatura a um mestrado para a qual tenho de apresentar um portfólio de escrita. Também me tenho forçado a sentar-me diariamente ao computador para ir criando qualquer coisa e a reservar tempo para o trabalho mais criativo, ao invés de esperar que as palavras caiam do céu para aterrarem na página em branco.

 

Não, não estou em forma. Longe disso. Têm sido semanas emocionalmente desafiantes e é normal falharmos, tentarmos, conseguirmos às vezes e noutras vezes não conseguirmos.

 

Contudo, se esta quarentena serviu para alguma coisa, para mim espero que tenha sido para me obrigar a parar, dar um passo atrás, fazer uma limpeza às prioridades e poder seleccionar o que é mais importante no tempo imediato, que se possa reflectir a longo prazo. Antes, eu não tinha chegado a estas conclusões, mas toda a disposição do desconfinamento neste fim de Primavera cheio de sol, da promessa optimista, mesmo que ilusória, tem-me permitido ser também eu mais optimista e apreciativa.

 

Desse lado, não se esqueçam de partilhar ou de apenas pensar, sem vergonhas ou censuras: para que serviu esta quarentena, afinal?

 

(Nem que tenha sido para procrastinar! )

Best of Procrastinar 2018-2020

Ora, bom dia! [Deve ser a primeira vez que inicio um texto desta forma; há uma primeira vez para tudo...]

 

Reconheço que não tenho sido uma companhia muito assídua, mas estes dias são uma amálgama de semanas, então tenho perdido a noção do tempo, assim como uma certa inspiração para escrever. Porém, acompanhando o fim do estado de emergência, conto recomeçar o hábito de publicar qualquer coisa uma vez por semana, seja sobre livros, filmes, séries, eventos ou aleatoriedades.

 

Entretanto, uma vez que as procrastinações estão quase a celebrar os seus 9 anos (em Junho), decidi organizar uma lista de "Best of Procrastinar" dos últimos 2, isto é, entre Março de 2018 e Abril de 2019. Assim, aqui fica o registo ou repositório das minhas 40 publicações preferidas, ordenadas da mais recente à mais antiga. Não vos convido a ler todas, que 40 textos são muita palavra, mas acredito que haja uma ou outra que tenham gostado de ler pela primeira vez e à qual vos apeteça voltar, ou que encontrem algum título desconhecido que vos interesse e assim conheçam um pouco mais do que existe lá para trás, no passado do blog. 

Sem mais demoras...

 

BEST OF PROCRASTINAR 2018-2020

 

  1. O tempo em conflito
  2. O amor e a loiça
  3. Quem é que escreveu o teu texto?
  4. Dá vontade de dizer "forever and ever"
  5. Procrastinar ainda é viver?
  6. São só fotografias
  7. A última romântica
  8. As férias
  9. Gosto tanto de viajar sozinha!
  10. Vistos, ouvidos e validados
  11. A nécessaire da pessoa com quem fui de férias
  12. As dores de um blog
  13. Emprestar livros: uma reflexão simpática
  14. Como concretizar todas as ideias que nos aterram na cabeça?
  15. Escrever, pôr tudo cá fora: Bullet Journal, journalling, to-do lists e outros estrangeirismos de caneta no papel
  16. Sobre quem conversa e quer conversar
  17. Não terminar livros
  18. Há um ano em Portugal
  19. Viver na ditadura da popularidade, criatividade, identidade única e algoritmos
  20. Ler e ser lido; escrever sobre quem escreveu
  21. Eu, Inês
  22. Sabe tão bem comprar um livro novo!
  23. Ser adulto é...
  24. Blogue, baú de memórias, caixinha de recordações
  25. Coisas boas atraem coisas boas, uma explicação científica
  26. 36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal
  27. Vergonha alheia
  28. Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas
  29. Este não é um texto sobre estradas
  30. Ainda Alain de Botton e o amor: como 'The Course of Love' também me conquistou
  31. Pensamentos sobre tentar escrever um livro (outra vez), auto-censura e outras inquietações
  32. Há dias
  33. Estar, apenas
  34. O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton
  35. Alguma vez estamos preparados para o próximo passo?
  36. As viagens também servem para arejar as ideias
  37. As pessoas não se sentam para beber café
  38. Sobre a felicidade dos outros
  39. Sobre flores (e copos, vá)
  40. Com o que se parece um desgosto?

 

Para mim, procurar o que escrevi nos últimos anos foi um exercício construtivo. A verdade é que serviu para reler alguns textos dos quais já não me lembrava, para perceber a evolução do que escrevo e para revisitar momentos ou pensamentos nos quais, muitas vezes, já nem me reconheço. A memória prega-nos partidas, já escrevia Julian Barnes em The Sense of an Ending, por isso escrever um blog vai atrasando o esquecimento ou, talvez, imortalizando aquilo que me pareceu relevante partilhar.

 

A quem passa por aqui, obrigada pelas procrastinações contínuas e por tornarem o acto da escrita menos solitário!