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Procrastinar Também é Viver

Blog sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Sugestões de livros para cabeças cansadas

28.12.21 | BeatrizCM
 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por BeatrizCM (@beatrizcanasmendes)

 

Há dias em que, realmente, não há pachorra. O cérebro não obedece, os olhos teimam em fechar-se, ou só vêem formigas no papel. Vai na volta que as vozinhas cá de dentro começam a divagar, a fazer contas à vida, a lista do supermercado e o inventário de moscas na parede. Nisto, o livro que temos na mão ou no colo passa a ser objecto decorativo, aspiracional, mas nada inspirador. Como contrariar esta maldita preguiça mental?! Ou como conciliar o cansaço do dia com uma biblio-reanimação, coisa leve (só em peso e papel, claro), mas não menos agradável e enriquecedora?



Foi a pensar em tais momentos de pasmaceira intelectual que elaborei este simpático montinho de livrinhos (e outros mais a atirar para o calhamaço). Aqui encontram principalmente livros de crónicas, ensaios e contos, mas também romances curtos e/ou divididos em capítulos e subcapítulos minúsculos, que são excelente companhia para quem não nasceu endinheirado e/ou desocupado, e já maçou e matou os neurónios noutras actividades necessárias à sobrevivência, ainda assim amando boa literatura. Bem sei o que isso é.



Neste montinho, também incluí alguns dos meus livros favoritos, sobre os quais já escrevi no blog.



Dito isto, espero que apreciem a presente publicação, que é a mais elaborada do meu perfil de Instagram até à data. Mais sugestões semelhantes agradecem-se (já estou a esgotar o meu próprio stock e o meu limiar de atenção continuará curto, e cada vez mais curto).



Nota: os livros que recomendo não são sempre leituras fáceis. Estão escritos, sim, de forma a podermos ir lendo um bocadinho agora e outro bocadinho daqui a dez minutos. Os temas nem sequer são sempre os mais divertidos ou levezinhos (até são bastante sérios). Ainda assim, acredito que estas são boas sugestões para quando nos falta traquejo para ler romances e tratados de física que nunca mais acabam. Contos, crónicas e capítulos mais curtos mantém o ritmo da leitura.

 

livrosblog.jfif

Comprar livros para as pessoas que somos hoje

08.12.21 | BeatrizCM

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Quem gosta de comprar livros (novos ou em segunda mão, não importa) sabe muito bem do que venho escrever.

 

Muitas vezes, compramos livros que não são realmente para nós. Muitas vezes, compramos livros para a pessoa que queremos ser ou que esperamos ser no futuro, em vez de os comprarmos para a pessoa que somos agora, que tem estes gostos, estas preferências de leitura, estes interesses, capacidades e disponibilidade mental.

 

Ultimamente, tenho tentado diminuir as vezes em que compro livros a pensar que, um dia, os lerei. Deixei de ser tão optimista ou de levar a futura leitora, a leitora que serei mas que ainda não sou, tão a sério. Claro que eu quero ser uma pessoa melhor, cheia de tempo e energia para ler em quantidade e em qualidade. Ainda assim, comecei a apanhar-me em flagrante. É bastante difícil ser essa pessoa. Talvez até seja impossível.

 

Apesar de eu ser uma acérrima fã dos conceitos de tsundoku e de anti-biblioteca, comecei a ficar mais triste, por não conseguir ler tudo o que adquiro, do que ficava feliz nos momentos da compra e de contemplação da estante.

 

Na primeira vez em que tive dinheiro para ir à Feira do Livro para esbanjar na Hora H (penso que teria 18 ou 19 anos), comprei muitos livros de História e de Política. Acabei por dar ou vender quase todos sem nunca os ter lido. Apesar de os ter tido por alguns anos, nunca senti vontade de os ler, nem uma curiosidade mínima. Só mantive uma esperança vã de que um dia ainda acordasse com vontade de ser a tal pessoa com vontade de os devorar. Nunca aconteceu.

 

Nos últimos meses, deixei de comprar o que não planeio ler de imediato (sem falar dos livros de estudo e consulta, para o mestrado ou para a pós-graduação).

 

Nas últimas semanas, passei a ler mais livros "leves" e curtos, para me distrair, sem culpa por não estar a ler nada intelectualmente desafiante, diferente, enriquecedor ou particularmente ambicioso.

 

Por um lado, estas foram escolhas sensatas tendo em conta o orçamento limitado para adquirir livros ou outros produtos e experiências culturais. Por outro, os novos critérios estão a funcionar. Acabo por ler em quantidade e até qualidade, sem o fazer de propósito. Além disso, não fico desgostosa ou ansiosa por não estar a ler o que compro, a maldizer o gasto supérfluo ou a lamentar as minhas fracas capacidades para corresponder às expectativas que eu mesma teria estipulado.

 

Agora, compro livros para a pessoa que sou, que consigo ser. Por agora (só por agora), não compro livros para a pessoa na qual gostaria de me tornar.

 

Entretanto, aproveito este texto para recomendar a plataforma Kobo, que tem uma subscrição mensal, o Kobo Plus (de 5,99€, para quem só quer ler ou para quem só quer ouvir, e de 7,99€ para quem quer os dois tipos de produtos). O Kobo Plus dá acesso a imensos livros e audiolivros do catálogo. Em língua portuguesa, penso que os catálogos da Leya e da Cultura Editora se encontram totalmente disponíveis para os subscritores. É com esta subscrição que vou alimentando a minha sede de literatura mastigável, que me apetece ler sem ter de ocupar espaço nas estantes cá de casa ou gastar dinheiro numa compra. Vou lendo no Kobo, às vezes no telemóvel. Funciona, e até ajuda a poupar.