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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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As criancinhas querem livros!

Eu sei que os miúdos querem é brincar, jogar Playstation e arreliar os animais de estimação, mas penso que a vertente cultural não perde importância nenhuma no meio de tanta tropelia. E quem diz vertente cultural diz LIVROS. Oh sim, os livros! Preparem-se para ler o (curto) best of dos argumentos pró-livros na infância que esta livro-maníaca tem para vos "vender".

Primeiro, pergunto apenas: como é possível, neste mundo, neste nosso Portugal, ainda haver criancinhas de dois anos (e por aí fora) que não têm livros nem contactam com ninguém que lhos mostre ou que lhes contem, sequer, uma história da Carochinha ou da Cinderela? Como?! Deparando-me com casos próximos sofrendo deste mal, não me consigo questionar outra coisa...

Não me lembro de um único momento ou etapa da minha vida em que não tenha estado em contacto com livros. Aliás, já tenho aqui escrito sobre a nossa precoce e sempre fecunda relação e vocês já devem ter entendido que isto é para a vida, amigos, ai que não é. Claro que nem sempre me fiz acompanhar de calhamaços de oitocentas páginas, mas nunca me faltaram as bandas desenhadas da Disney, do Astérix ou do Tintin, livros de histórias infantis populares (principalmente dos contos dos irmãos Grimm, da Anita e de fábulas, como as do Hans Christian Andersen) ou até mesmo aqueles com pouca escrita e muitas imagens coloridas, de capa dura. Daí a minha apreensão quando conheço uma criança que não esteja a ser habituada a este mundo. Faz-me impressão, dá-me comichão, deixa-me lesão, aumenta-me a tensão!
Pelo que me tenho apercebido, não só pelo meu caso, como também por outros, as crianças que se habituam aos livros têm mais probabilidade de gostar deles e de os ler, efectivamente. Ao longo do tempo, sempre mos compraram, deram ou emprestaram, e eu nunca os li todos - senão, ainda estaria por esta altura a meio das minhas aventuras d'Os Cinco ou dos da Condessa de Ségur.
E, regra geral, as crianças que lêem têm tendência a tornar-se mais criativas, a ter mais sucesso na escola e a ter uma mentalidade mais liberal. Lendo, aprende-se a escrever e a pensar, o que costuma dar jeito na vida real (apesar de não parecer, eu sei...). De pequenino se torce o pepino! Pessoalmente, os livros nunca me trouxeram desgostos (excepto um final infeliz ou outro) e jamais desistiram de me trazer alegrias. Mesmo que os seus enredos sejam uma porcaria, que o autor seja o mais pervertido e maquiavélico, sabe-me bem chegar ao primeiro terço das páginas, a metade, a três quartos... ao fim, e pensar "eu cheguei aqui/eu li tudo isto!" e ser inundada por uma onda gigante de orgulho, que me alimenta o ego e a auto-estima.

Não quero, com isto, parecer estar a fazer propaganda aos livros - eu não pareço, porque estou mesmo! Deixem as criancinhas ter livros! Dêem-lhes livros, nem que sejam aqueles que custam 0,99€ no Continente. Afinal, que mal poderá daí advir? Nenhum. Eu tenho livros desde que me lembro e não deixei de papar tudo o que era desenho animado na televisão, catálogo de brinquedos ou jogos, muito menos foi por isso que não  me interessei pelo meu Game Boy, pelas Bratz, pelas Pollys ou pelos meus bichos da seda. Estou viva e tenho-me saído razoavelmente bem - eu... e mais uns quantos milhões.

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