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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

cada parvo tem a sua mania

   Podemos ter várias manias a nível material. Há quem tenha a mania da roupa, há quem tenha a mania dos selos, a mania dos postais, a mania das canetas e do material escolar, a mania dos vernizes, a mania dos bibelôs – enfim, uma data delas. Já eu tenho a mania dos livros.

   Em primeiro lugar, sempre gostei muito de ler. Mas, se há algo que ainda prefiro a ler é ter montes de livros, mesmo que só os leia anos e anos depois de os adquirir ou, ainda mais drástico, mesmo que nunca os chegue a ler. Penso que esta propensão terá uma forte origem hereditária ou, pelo menos, terá muito a ver com a maneira como fui criada. Toda a minha família é apologista dos livros enquanto património intelectual e enquanto meio de satisfação. Tal como os viciados em droga precisam de uma dose de tanto em tanto tempo, ou os alcoólicos precisam de um copo de qualquer coisa bem forte pela manhã, nós também temos uma necessidade inconsciente e constante de adquirir mais e mais livros.

   E assim se perpetua esta mania que, espero eu, um dia passarei aos meus filhos. Quero que consigam olhar para um livro e dar-lhe o devido valor. Espero que não sejam como muitas pessoas que conheço que, além de serem indiferentes à cultura, ainda a conseguem desprezar. Não me incomoda quem simplesmente não se identifica nem demonstra interesse pelos livros, tal como eu não me interesso por jogos de computador ou artes plásticas. Incomoda-me somente que se desvalorize algo tão importante quando um “mero” amontoado de folhas que, ao fim e ao cabo, são a chave do conhecimento como o concebemos.

   Os livros, além de serem o nosso mundo, são outros tantos, uns mais familiares do que outros, uns reais e outros a fingir.