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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Em arrumações

Para mim, as arrumações são um ritual sagrado, uma espécie de purificação do espírito através da "purificação" do espaço envolvente. No fundo, mas mesmo bem no fundo do meu ser, eu até gosto de arrumar e de limpar. Na maior parte do tempo, desleixo-me um pouco, mas, quando meto mãos à obra, ninguém nem nada me pára. Tudo encontra o seu lugar, seja para a máquina de lavar, para o lixo, para a prateleira, para o móvel, para o armário ou para a Cochinchina.

As maiores vagas de arrumação que promovo são sempre devidas a uma desculpa qualquer que eu faço questão de arranjar. Normalmente, o fim de um ano ou de um ciclo lectivo assentam-me que nem uma luva para isso. Portanto, este momento, correspondente ao aproximar do término do secundário, e, em simultâneo, à época de exames - inegavelmente propícia à procrastinação - convida ao aspirador e ao saquinho de plástico, aos paninhos do pó e a uma paciência de Fiona. Ah, e coragem também.

Coragem?! Sim, coragem. É que eu costumava ser o que se chama de acumuladora, apenas não tão compulsiva quanto os casos que aparecem na televisão e que precisam de meia dúzia de equipas de psicólogos para ganharem juízo. Eu cá só precisei de motivação. E a minha, neste caso, foi estar a correr-me a vida de feição e não sentir necessidade de me agarrar a objectos que representem outras alturas da minha (ainda curta) existência. 

Portanto, lá comecei, pedaço por pedaço, papel por papel, postal de aniversário por postal de aniversário, fotografia por fotografia, folheto por folheto e caneta gasta por caneta gasta (entre outras porcarias afins), a desfazer-me de tudo aquilo de que já nem me lembrava que estava ali, aqui ou acolá. Quando se começa, é difícil não continuar. Até agora, já enchi dois sacos do supermercado e um sacalhão enorme equivalente a três dos primeiros. Encontrei coisas que não eram remexidas desde há três anos, durante a última grande vaga de arrumações, no fim do nono ano. Encontrei coisas que nunca foram remexidas num ou dois anos e que eu quase escondi de propósito, uma vez que, apesar de acumuladora, eu costumava ser uma mariquinhas e não gostava de dar de caras com aquilo que me incomodava (contudo, atenção, guardava na mesma, "por segurança").

Mas, meus amigos, os dias de acumuladora chegaram ao fim e não há mais nada que interesse e que seja mais merecedor de uma enorme salva de palmas à minha pessoa (clap, clap, clap!). As recordações estão fora de moda e a minha biblioteca em crescimento exponencial anseia conquistar novos lugares nas minhas prateleiras anteriormente sobrelotadas. Preciso de espaço para a faculdade e para as novidades e para o futuro! E preciso de espaço para mais três anos que estão por vir, até à próxima arrumação.

Adeus aos amigos que já não tenho, adeus às prendas que eles me deram (as que não têm utilidade), adeus ao material escolar em desuso, adeus às agendas de mil nove e troca o passo, adeus aos peluches cheios de pó que me causam alergia e que têm é de ser enfiados no abrigo do jardim, adeus ao que pedia reforma, adeus!

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