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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Trabalhar muito e muito bulir, dá um sono que só apetece dormir!

Se há uma lição a retirar da experiência do nosso primeiro emprego remunerado, é a de que não há dinheiro mais valioso do que o nosso. Após anos e anos a depender totalmente da bolsa alheia, satisfazendo os nossos caprichos com dinheiro que não ganhámos, poder, finalmente, comprar o que quer que seja, mesmo uma tablete de chocolate de trinta cêntimos, é uma brisa de ar fresco no ego.

Pessoalmente, já há uns anos que ganho algum dinheiro com os prémios literários, mas isso sempre foi esporádico. Ora vinham uns 200€ daqui, mais uns 100€ dali, e 50€ de acolá, mas nada de certo ou concreto - além de que escrever, para mim, é uma espécie de brincadeira e, não me esforçando muito, o dinheiro ganho a fazê-lo não era o resultado de mais do que alguns minutos ou horas de satisfação. Ficava a ganhar duplamente.

Agora, obter dinheiro através de algo que não é lá muito lúdico nem agradável, é outra coisa totalmente diferente! Tem um valor absolutamente distinto!

Trabalhar em cal-center deve ser dos empregos mais miseráveis do século XXI, principalmente em campanhas como aquela em que me colocaram, em que passo oito horas por dia a repetir as mesmas frases e expressões, a fazer sempre o mesmo e a incomodar imensas pessoas que não pediram a ninguém que as incomodassem (já cheguei a acordar pessoas às 9h da manhã e a interromper um momento muito íntimo, se-é-que-me-entendem… nem vos sei explicar o quão mal me senti!). Podia ser pior, eu sei, que vender cartões de crédito e seguros disto e daquilo ainda é mais desagradável, enquanto eu só estou a “oferecer” consultas auditivas, mas não deixo de chegar ao final da tarde com o cérebro mais moído e mole do que papa Cerelac, como se perdesse 2 pontos de QI por dia.

Felizmente, também é ao final do dia que me sinto orgulhosa de mim mesma, por ter aguentado mais uma jornada, estando 34€ menos pobre e mais perto de conseguir pagar as propinas – e, particularmente, no final da semana ou do mês, como é óbvio.

Não estou autorizada a gastar o meu dinheiro em despesas supérfluas, mas também não me deixo de permitir alguns pequeníssimos luxos, nem que tenha de ir trabalhar ao fim-de-semana. Se sinto que mereço ser recompensada pelo meu esforço, tenho de o fazer, como uma obrigação de mim para mim. Por exemplo, no sábado passado fui trabalhar de manhã para ganhar a saída da tarde: para pagar os bilhetes de metro, o gelado da Santini, a entrada na Fundação Saramago e, eventualmente, um livro (à falta de um, comprei dois, edições de bolso, que me ficaram por pouco mais de dez euros, um dos quais em francês, a ver se estimulo o intelecto e compenso o embrutecimento de que ando deliberadamente a ser vítima).

Não sei por quanto mais tempo continuarei neste emprego. A minha ideia é continuar depois do início das aulas, apenas em regime de part-time, mas receio não ter estaleca suficiente para aguentar a exigência do estudo, equilibrando-a com o trabalho. Lá no fundo, eu tenho a plena consciência de que tenho de ter força e manter a compostura e a cabeça fria… Ainda assim, também sei que só na altura em que as circunstâncias se materializarem é que terei uma resposta às minhas dúvidas. Até lá, é bulir como se não houvesse amanhã e esperar pelo ordenado deste mês.

Vida pessoal? Isso é para fracos!

Tempo para fazer aquilo de que mais gosto? Isso é para nabos!

Tenho sono? Um dia, hei-de ter de me render ao café! 

 

MORAL DA HISTÓRIA Nº1: nunca mais me irão ouvir queixar de que "estudar é difícil".

MORAL DA HISTÓRIA Nº2: ai de mim, se não arranjar um trabalho de que goste e que me dê gozo, depois de terminar a faculdade!

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