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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Desertora de praxes - AQUI!

Durante estes últimos dias, comecei a ficar um pouco confusa no que toca à minha opinião sobre as praxes. Quais os benefícios? Quais as desvantagens? Afinal, o que é que se ganha e se perde? Apesar de a minha posição inicial ter sido "eu faço as praxes, porque quero experimentar tudo o que tenha que ver com a vida académica, além de que é uma tradição", surgiu-se-me um impasse inesperado com o aproximar do primeiro dia de faculdade (hoje!).

 

Em primeiro lugar, como já devem ter percebido mais ou menos, eu faço parte daquele grupo de pessoas que gosta é de cumprir com horários e compromissos, certinha e - digamos-  ajuizada q.b.. No que toca à escola, ainda mais o sou, e com assuntos como este não se brinca. Portanto, quando me falaram em "ter, eventualmente, que faltar para poder participar nas praxes", não achei piadinha nenhuma. O quê...???! Faltar logo às primeiras aulas do ano/da faculdade???! Nem pensar, fora de questão! Por muito que me garantam que, aos professores, tanto se lhes dá, a mim é uma coisa que me importa, não estar presente no momento das apresentações ou, possivelmente, perder matéria. Isto era o que me deixava menos atraída pelas praxes, mas há mais...

Há praxes e praxes, não é verdade? Há umas que valem a pena e outras que são uma bela bosta. Pelo que tinha ouvido dizer, as da FLUL nem sequer eram por aí além, assim meias fracotas e sem muito interesse. Meh. Só vendo... - tal como o tipo de veteranos/doutores que por lá houvesse.

 

Mas eu tinha taaaaaaaaaanta curiosidade!

 

Deste modo, restava-me uma única alternativa - experimentar a dita da praxe, já que hoje até seria um dia totalmente livre. Tive para aí dois segundos para pensar, enquanto saía nas cancelas do Metro ("és de Direito?, és de Direito?, és de Direito?", perguntava um mar de trajados... de Direito) e avistava, lá ao fundo, perto da saída, meia dúzia de doutores com cartões-à-aeroporto, clamando por caloirinhos fresquinhos de Letras. Ia ou não ia?

 

E fui, nem que fosse só para tirar as teimas!

 

Tentar nunca matou ninguém, é certo. Infelizmente, ia-me matando a mim. De tédio, pela desorganização da praxe e pelas sucessivas tentativas pouco esmeradas de improviso por parte de veteranos e doutores. De enjôo, depois de me pôrem a rebolar na relva. De dor e comichão, porque aqui a je ia toda fresqujnha de calções e de cavas e ficou toda arranhada. De cansaço, por ter sido obrigada a rastejar e a correr atrás de um doutor infiltrado, disfarçado de caloiro desobediente, que tínhamos de apanhar e esmagar num moche. De sujidade, pelas porcarias com que me borraram (pff, devem ser mesmo pinturas faciais, a julgar pela esfregadela que já dei ao meu braço esquerdo e continuar a lá estar escrito "CALOIRA CC"), inclusivamente nas unhas que eu tinha arranjado e pintado ainda ontem à tarde! E não me chamem picuinhas, porque, se a experiência tivesse valido a pena, eu nem me queixava, limitando-me a passar um algodão de acetona pelo assunto!

OK, a intenção foi boa, o pessoal até era bacano, mas eu não me identifiquei com a praxe. Até posso dizer que - pronto, pronto - não foi mau de todo e sempre deu para me ambientar, nem que tenha sido um bocadichinho de nada, mas mais não posso dizer. Não é nada contra quem goste e faça questão de praxar e ser praxado... Contudo, pessoalmente, podia ter passado sem aquelas míseras três horas (ao fim das quais me escapuli porque "tinha de ir trabalhar").

 

Desertei da minha praxe, não me orgulho, mas lá é que eu não volto.

 

 

(Nota: a hierarquia, do menos para o mais "privilegiado", é a seguinte: caloiro (1º ano), doutor (2º/3ºano), veterano (aquele que já lá anda por gosto, chamemos-lhe assim.)

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