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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Harry Potter e a Idade e o Uso Não Perdoam

Todos os meus livros estão extremosamente bem estimados. Tenho-lhes muito, muito amor. A minha roupa está quase sempre amarfanhada e deixada ao deus-dará nos armários (desculpa, avó!), tenho bugigangas espalhadas por tudo quanto é sítio e, no geral, sou uma desarrumadora compulsiva (até ao momento em que me revolto comigo mesma e decido levar a cabo uma reviravolta de arrumação e limpeza milimétrica, para aí de três em três meses). Mas, como eu vos estava a contar antes deste breve devaneio, procuro deixar os meus livros o mais imaculados possível enquanto os leio. Não os enfio ao calhas nas mochilas, não escrevo em cima delas, não os abro até vincar a lombada e evito dobrar-lhes os cantos às capas. Ah, e raramente os empresto, não se vá dar o caso...

No entanto, agora que ando a reler todos os livros do Harry Potter (actualização: 4 lidos em 7), ao fim de algum tempo sem lhes pegar, começo a reparar e a relembrar como os tenho deixado ao longo dos anos. Sim, são livros que têm muitos anos... E que têm tido uma existência deveras atarefada, muito lidos e remexidos, sem descanso em certas alturas! Ainda por cima, a qualidade do papel e das capas deles não é a melhor - pelo menos, as versões originais em português que eu tenho, não se tratam dessas novas edições todas pimpolhas que decidiram lançar há coisa de uma dúzia de meses.

O que se encontra em pior estado é o "Harry Potter e o Cálice de Fogo". Acabei de o ler ainda agora e tem a capa dobrada, os cantos maltratados e o exterior das páginas um bocado amarelado (apesar de, no interior, se encontrar branquinho de neve... ai de mim...!). Os restantes, na sua maioria, estão praticamente como se tivessem acabado de sair do escaparate do supermercado, tirando um ou outro, que a idade toca a todos, mesmo aos livros.

Os meus Harry Potters são os meus filhos pródigos, os meus mais-que-tudo, que podem não ser as melhores obras literárias do mundo, mas que têm um significado pessoal e emocional para esta que vos escreve e que não se iguala ao sentimento que reserve para outro livro qualquer. Podem ter um aspecto rafeiroso, mas não é à falta de estima, muito pelo contrário. Essas máculas são a prova de como saíram imensas vezes das prateleiras, de que nunca deixei de lhes arranjar um propósito na minha vida e de que precisei deles. Da companhia deles, ponhamos a situação nestes termos. Foram os primeiros livros por que me apaixonei - ou a minha primeira grande paixão, antes de qualquer outro marmanjão pelo qual tenha estado embeiçada nos primórdios da minha adolescência. Lembro-me de ter andado a juntar mesadas para os comprar, lembro-me de a Inês ter os dois primeiros livros e de mos ter dado porque não os apreciava, lembro-me de o "Harry Potter e a Ordem da Fénix" estar esgotado em todo o lado e de tê-lo andado a procurar incansavelmente, lembro-me de ter tido uma gripe terrível e de a minha avó me ter oferecido o "Príncipe Misterioso", lembro-me de andar ansiosa durante semanas pela saída dos "Talismãs da Morte", porque a Cassandra me tinha emprestado a versão inglesa, mas eu ainda não dominava a maior parte das palavras e tornava-se difícil entender tudo.

 

Ou seja, quanto mais "bato" aos meus Harry Potters, mais gosto deles. Cheios de vincos, mas desmesuradamente preciosos e adorados.

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