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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Carta à rapariga que ia à minha frente no comboio

Não há melhores conselhos do que aqueles que damos a nós mesmos. Segue os teus. Acaba com ele, como disseste às tuas amigas que farias. Não deixes que te roubem a alegria de viver. Afinal, que idade tens? Vinte, talvez. Porém, quer tenhas vinte ou oitenta, não há ninguém neste mundo inteiro com o direito de te desrespeitar. Acorda, vá lá! Só quando te libertares dele é que conseguirás ver o quão mal te encontras, neste momento, nesse estado em que te vi hoje, sem te falar, mas com vontade de te pegar nos ombros, de te agitar e de te gritar, de te suplicar, que acabasses de vez com essa complicação que é uma relação frustrada, em que ele é incompatível contigo e tu com ele. Por muitas chamadas telefónicas iguais à que te ouvi ter hoje, no comboio, as pessoas raramente mudam, e tu dificilmente mudarás a maneira de ser da pessoa do outro lado da linha (Pedro, não era?). Ou seja, essa relação está condenada, porque ninguém vai querer dar o braço a torcer, porque… isso já não é amor, já não é nada. Eu sei como te sentes; afinal, já desempenhei o teu papel (o que parece ter acontecido noutra vida paralela, acredita). Já tive a minha quota-parte de “’tás-te a passar?”, “mas por que é que não tentas resolver isto comigo?” ou “estou eu aqui com tantas falinhas mansas e tu respondes-me dessa maneira”. Era bem mais nova do que tu, fui estúpida, fui incoerente perante os meus próprios princípios e, graças aos santinhos ou seja a quem for, consegui livrar-me do que me causava mal-estar. Conheci quem realmente precisava de conhecer para crescer e ter uma relação a dois sem ter de me anular ou desistir do resto do mundo, que é tão vasto e nem sempre o conseguimos ver – por vezes, estamos demasiado preocupadas com o que está demasiado perto de nós para olhar e observar o que há em volta. Dá uma oportunidade a quem ainda não conheceste e podes muito bem vir a conhecer. Não te iludas nem digas que ele pode crescer e, um belo dia, decidir que vai deixar de discutir contigo. Não fiques à espera do que não vai acontecer. Pára de chorar e acaba com ele. Faz esse favor a ti mesma e ao resto da humanidade e, se não for pedir muito, vê se da próxima vez tens o cuidado de guardar essas conversas e essas lágrimas para outro sítio que não os transportes públicos. Praguejar em público é feio, mesmo quando a causa é um filho da put* (com todo o respeito à mãe dele, que tu adoras, como tiveste o cuidado de avisar as tuas duas amigas e o resto da carruagem inteira).

Boa sorte,

Beatriz

 

 

 

(A sério, é uma tristeza que ainda existam mulheres que se submetam a estas tretas em pleno século XXI, num país ocidental. Creeeedo.)

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