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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Foi bom enquanto durou

Ontem, fui dispensada do meu trabalho. Não digo que fui "despedida" do meu "emprego" porque, à semelhança de tanta gente por todo o país, o meu estatuto era apenas de "prestadora de serviços", paga a recibos verdes, sem qualquer benefício fiscal (antes pelo contrário, com 25% de descontos para o IRS sobre o dinheiro ganho, além de a maioria das pessoas ter também de descontar para a Segurança Social, de que me escapei devido a ter menos de 25 anos e nunca ter trabalhado).

Recebi a notícia da dispensa, em primeiro lugar, com alívio, por não ter sido eu a ceder à pressão e ter aguentado o máximo de tempo possível na empresa. Não desisti enquanto me foi permitido trabalhar. Chamem-me fraquinha e mal-habituada, por só fazer nove horas semanais e já me queixar, mas só eu sei como ando saturada desta rotina e como, frequentemente, a cabeça me falha - os meus reflexos são menores, a minha disposição anda pela rua da amargura e a minha capacidade de memorização já conheceu melhores dias. Estas são apenas algumas das falhas de que me recordo de imediato, causadas pelo stress e pelo cansaço (soo lamechas, mas é a mais pura das verdades!).

No entanto, aos poucos, acho que fui interiorizando a ideia principal: não há mais cento e poucos euros por mês para ajudar a pagar as despesas da faculdade, nem cartão multibanco à mão, mesmo que para imprevistos. Não há mais independência financeira, por muito reduzida e limitada que a minha fosse. Vai voltar a ser o papá a dar o dinheiro para os lanches e almoços. E é bom que também comece seriamente a pensar em ajudar com as propinas e os transportes, porque o dinheiro que consegui juntar ao trabalhar no Verão e em part-time durante o último mês não é elástico (infelizmeeeeeeeeeeeeeeente!). Vai ser mais uma preocupação para mim e para a minha família.

Eu já sabia que, mais dia, menos dia, teria de ir embora. Estava a trabalhar apenas as tais nove horas semanais e devia ser a mais nova da empresa (logo, sem encargos ou outra experiência profissional). E muito tempo lá fiquei eu! Colegas meus bem mais velhos foram sendo dispensados ao longo dos últimos quase três meses em que me fui safando. A cada nova base de dados de contactos, havia sempre alguém que não podia ficar. Quando se trabalha com um contrato que pode ser cessado em qualquer altura, corremos o risco de poder ser desintegrados da equipa do pé para a mão. As condições de trabalho em Portugal já são precárias e instáveis, quanto mais para os chamados "trabalhadores independentes" ou "prestadores de serviços". Aceitar um posto de trabalho temporário é isto: imprevisibilidade. Um dos meus supervisores garantiu-me que poderiam chamar-me em qualquer altura, caso surgisse outra campanha uma vez que já tenho formação, mas não acalento nenhuma expectativa.

De qualquer modo, não deixei de ficar abalada. Por muito exausta que me sentisse, andava moderadamente motivada. Trabalhava e estudava. Podia não ter toda a disponibilidade de mundo para me distrair, mas sabia que conseguia equilibrar as minhas obrigações e cumprir o meu objectivo.

Agora, recuperei as minhas manhãs e a minha segunda-feira sem aulas. É estranho, devo admitir. Acostumei-me tanto a levantar-me sempre cedo e a ter pouco tempo para estudar ou até "para me coçar" (como diz a minha avó e uma amiga) que já não me é natural pensar que "não há pressa". 

No final, nem pensando na preocupação por ainda não saber se me atribuirão uma bolsa de estudo que me ajude a cobrir o custo das propinas, o único problema resultante de já não trabalhar é... ter perdido qualquer justificação para não ter boas notas.

De hoje em diante, tenho de dar o meu melhor, sem desculpas.

Não me permitirei ser preguiçosa nem procrastinadora (a tentação é muita), nem "deixar andar".

Vou aproveitar e voltar a escrever com mais frequência.

Vou aproveitar e criar um novo projecto pessoal, com novas metas estabelecidas.

Não há melhor oportunidade do que esta para aprender a gerir o meu tempo... pois não?

Espero que mas é que este tenha sido um mal que veio por bem!

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