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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Estou tanto para o futebol quanto o meu cabelo está para o loiro

Como já se devem ter apercebido, neste blogue deixou-se passar tudo o que foi o Eusébio a quinar (só por esta expressão, já vou ser excomungada da blogosfera - e de Portugal) e Cristiano Ronaldo a tropeçar nas palavras comovidas quando recebeu a sua bolinha dourada. Vocês já sabem como é que eu sou: não falo do que não sei, do que não conheço, e detesto futebol com todo o meu ser. Os únicos momentos da minha vida em que estive mais perto de não o odiar foi quando o joguei, marquei golos e defendi golos, tudo isto sem levar com nenhuma bola em cima, um autêntico feito. 

Portanto, não, a Beatriz abstem-se de tecer comentários à la Sócrates. Não percebo nada do assunto nem quero ter nada que ver com ele. Eu sei, sou uma portuguesa terrível, uma tuga ainda mais vergonhosa e devia ser vaiada em toda a minha condição e esplendor de ignorante do desporto rei, ou lá o que lhe chamam. Porque pior do que não gostar de futebol é não entender quem gosta de futebol ou quem dá pontapé na bola e desencanta uns milhões de euros por ano.

E não me venham com porcariazinhas de "mas eles esforçam-se tanto, abdicam de tanta coisa para treinarem desde muito novos, estão longe da família, sofrem muito, são tão talentosos, lá lá lá lá, merecem", que eles não são os únicos a fazê-lo. Caso não tenham ainda chegado a essa conclusão, vivemos num país de emigrantes e de imigrantes, onde pais vêem filhos partir e onde pais têm de partir sem os filhos. E, em geral, somos gente honesta, que é capaz de trabalhar ao fim-de-semana, por turnos, à noite, de dia, à noite e de dia, a recibos-verdes, sem ser a recibos-verdes, a descontar mundos e fundos em impostos, com salários miseráveis, somos explorados até ao tutano e, no final, nem reforma temos, trabalhamos quase até ao fim ou temos um fim a trabalhar. E variados talentos não nos faltam! Ainda por cima - que rica experiência de vida - já conheci alguns pseudo-futuros jogadores de futebol (colegas de escola) e ainda me hão-de vir a apresentar algum que não seja um grande ranhoso, para não lhe chamar outra coisa, um grande baldas com a mania das grandezas (ok, conheci UM, entre muitos). Tenho dito!

Por estas e por outras é que é preferível eu estar calada, porque, quando não estou, há pessoas que podem levar-me a mal. Não é para me levarem a mal, de todo. Eu cá não tenho dor de cotovelo, cada um é feliz com o que tem, ou não, sejamos ricos, pobres ou assim-assim, futebolistas, cientistas, gestores, escritores ou simplesmente desempregados. Uns têm mais e outros têm menos. Só que também há que ter sentido crítico e não nos deixarmos levar pela onda de venerar certas figuras que não precisam de nós para nada, excepto para lhes enchermos os bolsos. Quem diz gente do futebol, diz outra qualquer, como é óbvio. Deixem lá de se comover por eles, de ter pena deles, de se sacrificarem por eles, que isso já foi chão que deu uvas.