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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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pais "exigentes"

   Filha de pai solteiro, fui maioritariamente criada pela minha avó. Deste modo, sempre foi ela quem mais me apoiou e motivou em tudo o que fui fazendo ao longo dos já treze anos que tenho vivido debaixo da sua asa.

   E, como se costuma dizer, os avós são pais duas vezes. Neste caso, a minha avó não foi excepção, fazendo por mim ainda mais do que fez pelos dois filhos. É certo que a idade e a disponibilidade são diferentes, mas lá que a minha avó tem uma grande paciência e, principalmente, um grande coração, lá isso tem.

   Com a atenção quase toda sobre mim, controlando cada passo que dou, querendo saber cada pormenor do que me acontece, a minha avó tem-me sempre debaixo de olho. Tenha o assunto que ver com a escola ou com outra actividade qualquer, é ela quem está mais bem informada. E, como seria de esperar, sempre fez tudo para que eu fosse bem-sucedida no que quer que fizesse. Primeiro, assegura-se de que as minhas notas andam nos conformes (apesar de já nem ser necessário, porque, com a minha idade, já tenho juízo suficiente para saber o que quero); depois, e não menos relevante, preocupa-se com as minhas actividades extra-curriculares, ou seja, aquilo que me dá prazer e que convém ser igualmente apreciado.

   No entanto, não pensem que a minha avó, o meu pai ou outra pessoa qualquer me obriga a ser a MELHOR em tudo. Toda a minha família reconhece que ninguém é perfeito, muito menos eu. Por acaso, vai calhando que eu tenha sucesso nalgumas áreas da minha educação escolar e que, ainda um acaso maior, tenha encontrado a minha vocação (comunicar, sem dúvida!) há um certo tempo e, desde então, tenha vindo a trabalhar para a aperfeiçoar, o que me motiva. Acontece! Eu sou péssima a ginástica, a Filosofia e nas artes plásticas, mas a minha família não se queixa, porque, afinal, há piores coisas na vida. Repito, não sou perfeita nem a melhor em nada e farto-me de trabalhar para alcançar resultados visíveis. Dado o meu esforço, cada pequena conquista é celebrada como se valesse ouro, porque, segundo me parece, é assim que se educam as crianças e os jovens.

   Por outro lado, o que me causa urticária são aqueles pais que fazem trinta por uma linha para que os filhos sejam os melhores, os mais bonitos, os mais estudiosos, os mais dóceis, os mais persistentes, os “mais melhores”. Em última análise, se eles não o forem, fazem de conta que o são. E aqueles pais que esborracham na cara de todos os que conhecem que os filhos são isto e aquilo e aqueloutro? “O meu filho teve um 20 a Matemática.”; “O meu filho sabe falar trinta mil línguas.”; “O meu filho conseguiu a medalha de ouro no tiro ao alvo.”; “O meu filho não vai ter relações sexuais até ter casa própria.”; “O meu filho vai ser o próximo presidente da república.”; “O meu filho é melhor que o teu, e que o teu, e que o teu, na na na na na!” – e a lista continua.

   Pais que por aí andam, não confundam o orgulho que sentem pelos vossos filhos com uma exacerbação dos seus feitos. Não lhes coloquem a pressão de terem que estar constantemente a superar as (vossas) expectativas. Um dia, se não o conseguirem, tanto vocês quanto eles – especialmente eles! - ficarão frustrados, e de que vale isso? Nada!

   Aprendam a distinguir “apoiar os filhos” de “pressionar os filhos”. A fronteira entre um e outro é muito ténue e, segundo o que tenho observado na minha própria educação, não é preciso muito para saltar da primeira para a segunda.

   E tentem não andar a espalhar a toda a hora os maravilhásticos que eles são pelos vossos amigos. Se o fizerem com frequência, ambos pensarão que vocês fazem parte daquele tipo de pais que só está contente com vitórias sucessivas, que desapontar-vos é mais fácil do que descalçar uma meia e que agradar-vos é algo imperativo. Não se esqueçam que sabe bem ter os pais por perto aquando de uma derrota. Nunca ficou mal reconhecer “o Puto perdeu o jogo, mas fica para a próxima”.

 

   Com tudo isto, não estou a dizer a ninguém como se educam os filhos. Esta é apenas uma opinião pessoal.

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