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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

pré-adolescência na rádio

Hoje, a programação da Cidade FM é toda sobre o Verão de 2007. Neste momento, estou a ouvir a "Push It To The Limit" do Corbin Bleu e a perguntar-me desde quando é que a Disney deixou de ser fixe e de passar na rádio. É que não foi assim há tanto tempo que rebentou o fenómeno do High School Musical! Como ele, já não se farão mais êxitos cine-televisivos nos próximos tempos. Agora, é só Lemounades Mouths, entre outros filmes  sem graça, cada um sendo a cópia do anterior. Até parece que queremos todos ser cantores e dançarinos e... patetas.

pré-adolescência na rádio

Hoje, a programação da Cidade FM é toda sobre o Verão de 2007. Neste momento, estou a ouvir a "Push It To The Limit" do Corbin Bleu e a perguntar-me desde quando é que a Disney deixou de ser fixe e de passar na rádio. É que não foi assim há tanto tempo que rebentou o fenómeno do High School Musical! Como ele, já não se farão mais êxitos cine-televisivos nos próximos tempos. Agora, é só Lemounades Mouths, entre outros filmes  sem graça, cada um sendo a cópia do anterior. Até parece que queremos todos ser cantores e dançarinos e... patetas.

os intelectualóides

   O ciclo de marginalização do intelectualóide inicia-se exactamente no momento em que este começa a conviver regularmente com pessoas alegadamente normais. Até então, talvez ele também o tenha sido, à semelhança dos restantes, mas os sintomas de que existem diferenças nunca lhe passam despercebidos, ainda que os que o rodeiam possam não as descobrir com facilidade. O intelectualóide sente-se diferente, ora não digno de permanecer na companhia dos seus pares, ora demasiado superior para que a isso se sujeite, e, a partir desse momento de revelação, decide passar a viver num mundo paralelo.


   Ora, o intelectualóide ainda criança, muito novo e inexperiente, desenvolve-se de modo diferente das outras crianças. As suas brincadeiras baseiam-se, de preferência, em reproduções fiéis do universo dos adultos, das suas conversas e empolgantes vidas – inevitavelmente misturadas com a ingénua imaginação de alguém da sua tenra idade - pois quem é grande é que sabe, eles é que têm razão e as outras crianças são parvas, dado que só se interessam por coisas estúpidas e sem significado (nesta situação, o intelectualóide revela já um precoce sentimento de superioridade de si próprio em relação a terceiros, adoptando também uma espécie de modelo de comportamento de alguém que admira profundamente).


   É deste modo que o intelectualóide vai crescendo, sem nunca se identificar com os seus pares. Com eles, não partilha opiniões, pensamentos, jogos, gostos musicais, televisivos ou literários, até porque os outros ainda nem sequer abriram um livro na vida, ao contrário dele, que já leu cerca de trinta livros, sete dos quais são os da saga do Harry Potter, que devorou de cinco a vinte vezes cada um, sem exagero. Os miúdos da sua idade só querem é bola e Playstation (ou Game Boy), mas, para ele, esforço físico é algo inteiramente desnecessário à sua sobrevivência, e, sinceramente, nunca foi muito bom a jogar aos Pokemons, ao Super Mario ou ao Sonic, pelo que são igualmente dispensáveis.


   Já o intelectualóide adolescente começa, aos poucos, a reconhecer que existe algo de errado na sua pessoa e a admitir que é provável que tenha alguma culpa por não ser socialmente bem-vindo. Há uma pequena possibilidade de a culpa não ser somente do resto do planeta.


   Então, a partir desta ideia tão inteligente, o intelectualóide começa a desejar ser um pouco menos parecido consigo mesmo. Progressivamente, vai adoptando alguns hábitos e tendências dos que, outrora, menosprezara. Tenta vestir-se como eles (cores pouco berrantes e que condigam umas com as outras), falar como eles (um impropério a cada duas frases), a viver como eles (sem objectivo nenhum a não ser pertencer a uma rede social e excrever axim) e a dar-se com eles (esta parte corre menos bem, porque os seus pais não permitem que saia à noite para bares e discotecas com os inconscientes dos seus colegas de escola).


   Se o intelectualóide for rapaz, mais cedo ou mais tarde apercebe-se de que não tem jeito para cativar o sexo oposto; se o intelectualóide for rapariga, vai demorar imenso tempo a habituar-se à ideia de que aqueles piropos que lhe tinham mandado eram, afinal, a gozar com ela.


   O intelectualóide adolescente percebe, pela primeira vez, que não tem realmente nada a ver com os jovens normais e que, se não se esforçar à séria, passará o resto da sua vida a ser um falhado.


   Entretanto, o intelectualóide muda de escola, pois passou para o ensino secundário. Tem a oportunidade de conhecer novas caras e conviver com elas num ambiente totalmente distinto daquele em que tinha estado até então. Agarrando-se à única chance que tem de lutar por se tornar uma pessoa diferente, melhor, faz de tudo para se sentir confortável nesta nova vida que lhe foi oferecida. Quer sentir-se acolhido e desejado, mais igual e menos diferente, destacar-se por mérito e não por ser um bicho anti-social.


   Com os seus novos colegas, na sua nova escola, sente-se muito mais livre para explorar a sua personalidade. Apesar de, a pouco e pouco, se identificar mais com os outros jovens, aprende a gostar cada vez mais de si próprio. Adquire um estilo pessoal, cimenta os seus valores, estipula o que é mais importante para si. A puberdade costuma ajudar. Com o despontar desta auto-estima, surge o orgulho em sempre ter sido quem é e o ciclo de rejeição termina. À medida que cresce, conhece também mais intelectualóides, fazendo-o ver que, afinal, nunca fora o único.


   Apesar do seu percurso irregular e, por vezes, um pouco triste e solitário, o intelectualóide aprendeu a ser feliz. Pode não ter sido da maneira mais fácil, mas valeu a pena. Aprendeu a distinguir o bem do mal, a verdade da falsidade e a apreciar os obstáculos da vida como nenhuma outra pessoa. Para si, são os pormenores que contam, porque foram eles que sempre o ajudaram a ser positivo nos momentos mais difíceis.


   Com o tempo, o intelectualóide pode vir a alcançar o sucesso e a plena realização pessoal, reconhecendo, do mesmo modo, que ainda tem muito para aprender. No entanto, sabe bem o que vale e não se rebaixa perante nenhum comentário negativo, daqueles que, outrora, o fizeram vergar perante outrem com menos valor. O intelectualóide vai ficando cada vez mais parecido com os seus pares enquanto, no fundo, tem a eterna consciência de que um intelectualóide será sempre um intelectualóide e que gozar desse estatuto não é um fardo, mas sim um privilégio. E que privilegiado ele é!

os tempos mudam!

   Quando eu andava no quinto ou no sexto ano (o que não foi assim há tanto tempo), a ideia de "menina tímida" era totalmente diferente da de agora. Já me tinha apercebido de muitas mudanças nas mentalidades mais jovens, mas nunca pensei que uma "menina tímida" pudesse deixar de o ser.


   Confundidos? Passo a explicar.


   Ainda há uns anos, as meninas tímidas não gostavam muito de falar com pessoas suas desconhecidas e muito menos de falar em público. Evitavam os grandes grupos, conversavam pouco e baixinho e deixavam os sorrisos a meio. Não gostavam muito de ser elas a tomar a iniciativa no que quer que fosse e vestiam-se discretamente. Nem sequer tinham uma rede social e, se tinham, ainda na época do Hi5, só se atreviam a meter imagens do desenho animado ou actor favorito.


   Nos dias que correm, as meninas ditas "tímidas" só o parecem, não o são verdadeiramente.


   Recentemente, conheci uma miúda com os seus onze, doze anos e disseram-me que ela era, passo a citar, "extremamente tímida". E eu acreditei. Ela, para mim, alguém que acabara de conhecê-la, correspondia ao meu ideal de timidez. Nem sequer se destacava dos outros miúdos com quem estava - apenas porque não queria. E eu pensava, cá para mim, "esta rapariga tem tanto potencial e está a deixar-se enterrar, que pena!". É que ela era (e é, claro) linda e simpática. Travámos logo conhecimento e, há uns tempos, ela adicionou-me no Facebook ou eu adicionei-a a ela, já não me lembro. Desenganei-me logo. Se ela é tímida, não o parece nada, a julgar pelas poses que faz para as fotos. Nem eu faço aquelas poses... Não são indecentes, nem nada, mas são um pouco "não femininas", se me faço entender. É certo que sou mais velha e tenho mais juízo, mas pensei, inicialmente, que ela era melhor do que aquilo com que dei de caras - mais um caso grave do que eu chamo "mentalidade de Facebook", com caretas e poses mesmo à moda de rede social barata. Pelos vistos, a timidez não era e tal maneira verdadeira que a impedisse de ser menos indiscreta. Afinal, pensei, ela até consegue destacar-se, seja pela positiva ou pela negativa.