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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Quando for grande...

Costumamos perguntar muitas vezes às criancinhas o que querem elas ser quando forem grandes.
Quando andava na primária, dizia que queria ser veterinária e só descobri que já não o desejava ser quando tinha mais ou menos dez anos e tive de ver o meu companheiro de brincadeiras na infância, o Misha (cão), sofrer à conta dos tratamentos violentos a que o submetiam. Também eu sofri muito ao assistir a tal suplício e, perante a minha aflição, o veterinário da família saiu-se com uma frase que me marcou imenso e que, provavelmente, nunca esquecerei - "Há pessoas que gostam demasiado de animais para serem veterinários". E ele tinha razão: eu mal era capaz de os ver levar uma vacina, quanto mais imaginar-me numa sala de operações com as tripas deles nas mãos, sob a minha responsabilidade. Foi nessa altura que desisti da minha primeira ambição. Entretanto, o Misha morreu (a eutanásia foi o único modo encontrado para lhe acabar com as dores do reumático e a infelicidade expressa em intermináveis dias e noites a ganir por não se conseguir levantar sozinho).
Depois, passei algum tempo sem saber muito bem o que fazer da vida. Coloquei em hipótese tornar-me bióloga. Após esse período de alguma despreocupação quanto ao futuro, pensei em ser actriz. Essa pancada prolongou-se até ao oitavo ano, talvez até ao nono. Porém, antes de entrar no secundário, comecei a aperceber-me dos riscos de uma carreira instável e o prazer em escrever começou a manifestar-se cada vez com mais intensidade - cheguei à conclusão de que queria ser escritora e/ou jornalista. Enveredei por Línguas e Humanidades e não me arrependo, apesar de reconhecer que talvez tivesse sido mais sensato ter optado antes por um curso profissional do que pelo ensino recorrente.
Até agora, julgo que mantenho a mesma opinião de há quase três anos atrás: escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer e comunicar, em geral, dá-me um gosto imenso. Aliás, não vão mais longe: tenho um blogue por alguma razão! No entanto, já não penso tão assertivamente sobre tentar construir uma carreira jornalística. Em parte, tenho receio que a paixão pela escrita seja atenuada ou que não se encaixe num ambiente demasiado profissional. Opiniões... A poucos meses de ter de optar por um curso no ensino superior que poderá ditar o rumo da minha vida nos próximos anos, tenho a sensação de estar mais confusa do que nunca. Não é que não tenha certezas acerca da minha vocação, mas e se nem tudo se tratar disso? Também me sinto atraída pelo ensino, por antropologia, política... E, mesmo dentro da área da cultura e da comunicação, existem diversos cursos, em diversas universidades de Lisboa, cada um com as suas vantagens e desvantagens. Por agora, vou mantendo a minha lista de opções em aberto. Já sou "grande" e ainda não sei o que quero ser.

Expondo o meu caso pessoal, queria chegar à seguinte conclusão: de nada vale perguntar às criancinhas sobre as suas ambições profissionais futuras. Afinal, são crianças e, mesmo que gostem de brincar ao faz de conta, questões difíceis sobre o mundo adulto não lhes trarão necessariamente facilidade ao respectivo processo de decisão quando ele se impõe realmente, vários anos depois. 
Na minha opinião, em vez de as "pressionarmos" com preocupações que não lhes são devidas em tão tenra idade, devíamos tentar estimulá-las a interessar-se por diferentes áreas de estudo e, principalmente, a saberem que tipo de pessoa querem ser no futuro, cultivando-lhes o gosto em serem indivíduos úteis para o mundo, com bom senso e valores morais bem definidos. Talvez essa seja uma das falhas na educação das crianças de hoje em dia, talvez eu esteja errada - mas não custará reflectir sobre o assunto, pois não?

Argumentação, falácias e discussões do arco da velha

Em Filosofia, temos andado a estudar o domínio da argumentação e da retórica, pelo que a professora decidiu mandar-nos fazer trabalhos de grupo sobre alguns temas da actualidade, para que os pudéssemos discutir em aula, explorando e praticando a matéria em questão. Infelizmente, existem sempre uns tantos unicórnios (não sabia o que mais lhes havia de chamar sem parecer ofensivo) que adoram dar exemplos da sua vida pessoal ou outros sem cabimento para exporem a sua opinião. E esses exemplos até poderiam ser aceitáveis, desde que fossem adequados à aula. Na de hoje, duas colegas minhas chegaram a expressar convictamente o quanto querem ser mães, pois é o seu maior desejo!!! Mas quem quer saber dos desejos delas?! Queremos é discutir o aborto, minhas caras! São apenas miúdas de dezassete ou dezoito anos que já de si andam um bocado perdidas, quanto mais pensando em bebés! Ninguém falou em instintos maternais apurados precocemente. Ninguém vos perguntou se há um ano pensavam que estavam grávidas e o quanto se estavam borrifando se vos olhariam de lado ou não! No entanto, não foi surpresa nenhuma que essas minhas colegas descambassem em exemplos demasiado pessoais, visto que já nas duas aulas anteriores de apresentação de trabalhos tiveram que dar o seu parecer, fazendo-se de coitadinhas quando abordámos a crise ("a minha mãe e o meu padrasto estão desempregados!") ou o tráfico humano ("eu conheço esta e aquela mulher que vai ali à recta de Coina trabalhar porque o marido a obriga!"; "há uma miúda ao pé da minha casa que se prostitui porque a mãe quer que ela o faça!" - porque elas conhecem TODA a gente) e esquecendo-se de ser minimamente racionais e objectivas. No fundo, elas gostam é de armar peixeirada com o resto da turma. Até já cheguei a temer que, a certo ponto, ainda acabassem agarrados aos pescoços uns dos outros. Sempre quero ver o que me reservam para a apresentação do trabalho do meu grupo...
Agora, é a minha vez de opinar: isto não é Filosofia, não é estudo cívico, não é retórica - isto não é nada senão a prova do histerismo adolescente que reina nas escolas secundárias. Tenho dito.

oh não, é "true love"


Já existem vídeos sobre "amor verdadeiro" no Youtube, protagonizados por pré-púberes de catorze anos (sem miolos, por sinal)! À laia da experiência, decidi ver este e, sem surpresas, achei a coisa mais deprimente de sempre. Aquilo que mostra não é amor verdadeiro: são apenas dois adolescentes patetas, exibicionistas e sem nada para fazer que, querendo mostrar ao mundo o quão felizes são durante a primeira semana de namoro, resolveram filmar alguns momentos previamente encenados e ridiculamente parvos, descontextualizados. Porém, como a estupidez é pouca, os amigos ainda acrescentam comentários de comoção ao vídeo, para melhorar a festa. Sim, o amor é lindo e eles ficam tão fofos juntos. Ai, que inveja que eles têm do casalinho maravilha! Ai, tanta partilha no Facebook, "também quero, também quero!".

Oh gente, o amor não é isso, 'pá. O amor não é ser-se jovem e palerma, dar-se beijinhos, ter-se contacto físico e dizer-se "amo-te" porque fica bem, muito menos fazer de conta que tudo são rosas para iludir outros tantos palerminhas com falta de mimo. Não é fazer promessas de paixão eterna a alguém aos 14 anos, nem esperar que fiquem juntos para todo o sempre. 

Eu não faço a mínima ideia do que significa "amor verdadeiro", mas há pessoas que ainda sabem menos do que eu.

TWILIGHT - sobre os pobres dos namorados que sofrem à custa do sonho da Stephenie Meyer

Estreia hoje o último filme da saga "Crepúsculo", ou seja, "Amanhecer, parte II". Graças a este acontecimento, milhares de rapazes/homens serão levados a testar os seus próprios limites de lamechice e paciência, de modo a poderem acompanhar as suas namoradas, potenciais candidatas a namorada, mulheres ou amigas ao cinema, porque elas gostam de ter companhia para apreciar as capacidades de sedução do Edward Cullen (interpretado pelo mais que famoso Robert Pattinson) ou o corpanzil do Jacob Black (dispensando apresentações, Taylor Lautner), rebaixando-os e questionando-se, nem que seja intimamente, "por que é que tu também não podes ser como eles?". Se eu pertencesse a esse grupo de pobres sacrificados, a minha resposta seria "porque eu sou real e vim contigo ver esta porcaria de filme, logo, sou muito melhor que esse bando de panhonhas ficcionais!". 

Claro que ir ver um filme direccionado para o público feminino adolescente não faz parte da lista de coisas mais perigosas e indesejáveis de se fazer, o que não invalida que o esforço dos rapazes que se submetem a tal suplício não seja de mérito. Devem haver por aí miúdas bastante satisfeitas por terem o namorado do seu lado enquanto vêem o que leram anteriormente nos livros materializar-se na tela, disso não tenho dúvidas.

Ainda assim, acho que me custaria imenso levar um namorado ou amigo para qualquer uma das cinco guilhotinas do "Twilight", numa sala de cinema cheia de miúdas de doze anos com as hormonas aos saltos, aos gritinhos, mesmo que ele se voluntariasse. Sentir-me-ia algo culpada pelos 6€ que o faria gastar no bilhete, dinheiro esse que poderia investir, por exemplo, na minha prenda de Natal. Há ocasiões em que devemos escolher bem a nossa companhia, não é verdade?

Cá para mim, penso ser muito mais inteligente levar uma data de amigas estridentes e com quem possa discutir o quão já admirei a saga e o quão pouco familiar ela me parece agora, apesar de estar curiosa acerca da adaptação cinematográfica e não desgostar da trama emocional envolvente.

Da minha parte, boa sorte aos mártires que se sacrificam perante tanta vampiragem deslavada e canídeos bem constituídos! Que a vossa vontade de agradar seja devidamente justificada! (Nem que seja pelo decote da Kristen Stewart naquele vestido azul.)

 

TWILIGHT - sobre os pobres dos namorados que sofrem à custa do sonho da Stephenie Meyer

Estreia hoje o último filme da saga "Crepúsculo", ou seja, "Amanhecer, parte II". Graças a este acontecimento, milhares de rapazes/homens serão levados a testar os seus próprios limites de lamechice e paciência, de modo a poderem acompanhar as suas namoradas, potenciais candidatas a namorada, mulheres ou amigas ao cinema, porque elas gostam de ter companhia para apreciar as capacidades de sedução do Edward Cullen (interpretado pelo mais que famoso Robert Pattinson) ou o corpanzil do Jacob Black (dispensando apresentações, Taylor Lautner), rebaixando-os e questionando-se, nem que seja intimamente, "por que é que tu também não podes ser como eles?". Se eu pertencesse a esse grupo de pobres sacrificados, a minha resposta seria "porque eu sou real e vim contigo ver esta porcaria de filme, logo, sou muito melhor que esse bando de panhonhas ficcionais!". 


Claro que ir ver um filme direccionado para o público feminino adolescente não faz parte da lista de coisas mais perigosas e indesejáveis de se fazer, o que não invalida que o esforço dos rapazes que se submetem a tal suplício não seja de mérito. Devem haver por aí miúdas bastante satisfeitas por terem o namorado do seu lado enquanto vêem o que leram anteriormente nos livros materializar-se na tela, disso não tenho dúvidas.


Ainda assim, acho que me custaria imenso levar um namorado ou amigo para qualquer uma das cinco guilhotinas do "Twilight", numa sala de cinema cheia de miúdas de doze anos com as hormonas aos saltos, aos gritinhos, mesmo que ele se voluntariasse. Sentir-me-ia algo culpada pelos 6€ que o faria gastar no bilhete, dinheiro esse que poderia investir, por exemplo, na minha prenda de Natal. Há ocasiões em que devemos escolher bem a nossa companhia, não é verdade?


Cá para mim, penso ser muito mais inteligente levar uma data de amigas estridentes e com quem possa discutir o quão já admirei a saga e o quão pouco familiar ela me parece agora, apesar de estar curiosa acerca da adaptação cinematográfica e não desgostar da trama emocional envolvente.


Da minha parte, boa sorte aos mártires que se sacrificam perante tanta vampiragem deslavada e canídeos bem constituídos! Que a vossa vontade de agradar seja devidamente justificada! (Nem que seja pelo decote da Kristen Stewart naquele vestido azul.)


 


gosto #2

   Gosto do Inverno. Gosto de estar perto do aquecedor e aí permanecer, sem um objectivo em vista, e gosto de não ter as mãos geladas, como sempre acontece seis meses por ano. Gosto de ficar na cama a ler ou a escrever ou, quem sabe, até sem fazer nada. Gosto de estar, somente.

 

   Gosto do céu escuro e enevoado, em tons de cinzento, como se alguém o tivesse sujado com pegadas gigantes, enquanto o observo pela janela. Talvez chova, e eu gosto da chuva que cai a menos de um metro da minha cabeça, no telhado, porque a ouço crepitar e escorrer. Gosto que o meu quarto seja no sótão.

 

   Gosto do tamanho da minha casa que, em comparação à maioria das casas que conheço, até é grande. Gosto de saber que é espaçosa e que, um dia, talvez os meus filhos brinquem onde eu escrevo estas palavras, neste preciso instante, a determinada altura da minha adolescência.

 

    Mas, por agora, gosto de ter a minha idade, os meus sonhos e os meus pseudo-problemas. Até chego a gostar dos dramas desnecessários que, por vezes, crio! Fazem parte do momento… Gosto de não ter preocupações maiores, gosto de imaginar o futuro e, simultaneamente, adorar o presente, mantendo aceso o passado.

 

   Gosto de ter o tempo de que preciso para ser feliz. Gosto de sentir que poucas são as vezes em que não estou satisfeita comigo mesma e que não tenho o que quero. Eu gosto de alcançar aquilo para que luto, eu gosto da sensação de ser recompensada pelo meu esforço e gosto de ser elogiada – afinal, quem não gosta? Gosto de ficar a olhar para um trabalho quando o acabo e de me congratular pela minha persistência, tal como gosto de perder e saber que, mesmo assim, ganhei. Gosto de dizer isso às pessoas e de as incentivar a serem positivas.

 

   Gosto de não ser pessimista, apesar de não me considerar completamente optimista. Gosto, de vez em quando, de não ser realista. Enfim, gosto do ânimo que uma fantasia me consegue trazer.

 

   Sem nenhum motivo específico, porque motivos não me faltam, gosto de me orgulhar de mim própria, da minha família e dos meus amigos. E gosto de não ser sempre orgulhosa! Mas também gosto dos meus momentos de egocentrismo, porque eles fazem bem ao ego! (E gosto da elasticidade do meu, que passa a vida a esticar e a encolher, conforme as exigências exteriores.)

 

   Gosto do meu blogue e dos comentários que me enviam. Gosto de escrever, sabendo que alguém lerá e apreciará o que faço. Ao final de um qualquer dia, mais ou menos satisfatório, gosto de verificar o meu contador de visitas e saber que X pessoas passaram um segundo da sua vida que fosse a olhar para o cabeçalho – “procrastinar também é viver”. Estariam elas próprias a procrastinar?

 

   E, como é óbvio, gosto muito de pessoas. Poderia dizer que as adoro, mas não é esse o título. Gosto de as observar, de as perscrutar e de as conhecer. Depois, gosto de saber no que pensam e o que esperam da vida. Jamais deixarei de gostar de pessoas. É delas que gosto mais, acima de tudo.

pré-adolescência na rádio

Hoje, a programação da Cidade FM é toda sobre o Verão de 2007. Neste momento, estou a ouvir a "Push It To The Limit" do Corbin Bleu e a perguntar-me desde quando é que a Disney deixou de ser fixe e de passar na rádio. É que não foi assim há tanto tempo que rebentou o fenómeno do High School Musical! Como ele, já não se farão mais êxitos cine-televisivos nos próximos tempos. Agora, é só Lemounades Mouths, entre outros filmes  sem graça, cada um sendo a cópia do anterior. Até parece que queremos todos ser cantores e dançarinos e... patetas.

pré-adolescência na rádio

Hoje, a programação da Cidade FM é toda sobre o Verão de 2007. Neste momento, estou a ouvir a "Push It To The Limit" do Corbin Bleu e a perguntar-me desde quando é que a Disney deixou de ser fixe e de passar na rádio. É que não foi assim há tanto tempo que rebentou o fenómeno do High School Musical! Como ele, já não se farão mais êxitos cine-televisivos nos próximos tempos. Agora, é só Lemounades Mouths, entre outros filmes  sem graça, cada um sendo a cópia do anterior. Até parece que queremos todos ser cantores e dançarinos e... patetas.