Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Monitora X desorienta-se

Ok, a Monitora X é nova nestas andanças e tem muito que aprender. Péssimo hábito a largar: vício do telemóvel enquanto os miúdos estão a brincar "algures por aí". Parece que não há nada a fazer, mas há - supervisionar a toda a hora, sempre de olho aberto e atento! Ah e tal, a Monitora X achava que tinha sorte porque lhe tinham atribuído os meninos e meninas mais pacíficos? Tentem "demasiado pacíficos" ou "louca e permanentemente em guerra uns com os outros". Das duas uma: ou só querem é ficar na areia, a jogar ou a dormir debaixo do guarda-sol, em vez de aproveitarem a oportunidade de experimentar as actividades planeadas (surf, vela, canoagem, ir à água, entretenimentos vários) ou quase que se matam entre si, preferencialmente os colegas do sexo oposto (com alguns insultos pelo meio). Enfim, idades parvas. Só é uma pena que, deste modo, não haja lugar para a dinâmica de grupo, para uns minutos de paz e sossego, para um jogo em que torçam pela vitória comum, com trabalho de equipa, e que os façam destacar no meio da multidão de miúdos que, excepto todos os outros defeitos que possam ter, são uns queridos uns para os outros e entoam os cânticos que criaram em conjunto com orgulho e paixão! Ainda estou para descobrir se o problema é meu. Se calhar, a Monitora X precisa de uma nova abordagem.

 

Fora isso, adoro o que tenho andado a fazer.

Monitora X

Daqui vos fala a Monitora X, agora com nome e rosto, cujo grupo de meninos foi seleccionado de modo à Monitora X, ainda desconhecida, ficar com os mais calminhos, mais queridinhos, menos traquinas, menos barulhentos, que fazem do meu trabalho ir só passear com eles, como se eu fosse mesmo da malta, até porque ontem não tinham mais t-shirts cor-de-laranja do staff e tive que levar uma vermelha, como a dos participantes. Depois, calharam-me os estagiários mais simpáticos de todo o sempre, que até tomaram conta dos meus meninos enquanto a "Monitora X" não aparecia, anteontem, porque a primeira monitora deles conseguiu arranjar um emprego com maior validade do que este mês de Julho. Calharam-me duas Inêses, porque a minha vida não é nada sem umas quantas Inêses, por regra boas pessoas, e todos os outros que me calharam, todos os outros 10 que já conheci ontem (mais os 3 que faltaram, espero) são miúdos que não dão problemas e que, desde o primeiro minuto, me fizeram sentir muito agradecida aos meus colegas por terem tido o cuidado de prevenir, em vez de remediar.

Ontem, andámos a subir e a descer a Serra da Arrábida, para o Castelo de Sesimbra e depois para a praia. Na altura de ultrapassar descidas íngremes (vertiginosas), safaram-se melhor eles do que eu, mas tentei dar sempre o máximo, para não mostrar parte fraca e continuar a ser vista como alguém a quem recorrer em momentos de aflição. Apesar de tudo, o meu papel é tomar conta dos mais pequenos. Dito isto, o meu primeiro dia como monitora não poderia ter sido melhor, mais animado, mais tudo o que há de bom, menos tudo o que há de mau.

 

Cheguei a casa, tomei banho, comi e adormeci - de rajada.

E, durante a noite, sonhei que o Ricardo decidia que eu era uma pessoa demasiado ocupada, sem tempo livre senão para cair à cama de cansaço, e que acabava comigo por eu já não gostar assim tanto dele. Acho que o cansaço me deixa paranóica.

Tumbas!

E, agora, só para quem ontem pensou que eu não fazia nada da vida, tenho uma notícia a dar-vos: HOJE contactaram-me para ir trabalhar AMANHÃ. Às 8h30. Como monitora de férias. Com criançada. Sem hora de saída. Estava como suplente e até fiz a formação. Parece que alguém desistiu e que me deixou o lugar livre (yupi!).

Pelo menos, vou ser paga.

Enquanto isso, continuo a trabalhar no copywriting, mesmo que a meio-gás.

 

Se sobreviver, aviso.

O meu Natal

   Quando eu era (ainda mais) pequena, recebia montes de prendas. Até podiam não ser caras, podiam ser simplesmente brinquedos a que eu daria uso até se partirem, até se desgastarem, até pedirem a reforma. Eram bonecas, eram chocolates, eram CDs de música, eram filmes, eram livros, eram jogos, eram castelos, eram nenucos, eram roupas para os nenucos, e eu só ia dormir no final da noite da véspera de Natal quando já soubesse de cor tudo o que planeava fazer com tanto presente.

   Agora, sei que não eram assim tantas prendas, aquelas que me davam, mas foram sempre as suficientes para me terem deixado boas memórias dos meus primeiros Natais: o Pai Natal que me apontavam no céu ou na chaminé, mas que eu não via; montes de embrulhos rasgados, uma onda de cor amarfanhada por tudo quanto era sítio; eu, sentada no chão, em êxtase perante os meus novos brinquedos; a presença da minha família em redor, três ou quatro adultos, se a minha bisavó passasse as festividades connosco, não mais do que nós os cinco, a encher um apartamento pequeno como aquele em que vivíamos na altura, mas com muito chão para eu brincar; a minha avó sempre a ralhar-me, para me sentar antes em cima de um tapete, por causa dos azulejos gelados; o Natal em que recebi um Game Boy sem jogo e fiz uma birra, porque um Game Boy sem jogo não serve para nada, para depois me arrepender e pedir desculpa.

   A todas as minhas prendas era dado um significado. Não foi por ser mimada no Natal que me tornei uma criança materialista, que deixei de entender o espírito da época. As crianças devem ser mimadas, digo eu. Em certos aspectos.

   Tenho pena que a maioria das crianças de hoje em dia, pouco mais novas do que eu, não tenham a oportunidade de criar lembranças como as que eu criei. Só querem prendas caras. Pedem tablets e computadores e o último grito das consolas de jogos, e o diabo a quatro, e os pais dão-lhos. Já nascem com as porcarias tecnológicas na mão, já não exploram, já não criam histórias, já não vivem o processo de espera e expectativa. E, atenção, no tempo dos nossos pais e avós o Natal ainda era mais diferente do que os da nossa geração, da geração dos que são, neste momento, jovens adultos, que começam a questionar-se acerca das tradições e a reflectir no que realmente elas nos transmitem.

  Não digo que os meus Natais tenham, agora, menos significado, muito pelo contrário, mas sinto-os ligeiramente mais vazios. Não tenho irmãos, a minha família é pequena, os tempos não são tão felizes quanto aqueles que se viviam há uma década atrás. O próprio brilho que a minha visão de criança dava à realidade também não volta, aquela sensação de que o mundo era feito ao meu tamanho e medida. Contudo, o importante será sempre não faltar comida na mesa (DOCES!) e algum carinho para partilhar. À parte os normais desejos materiais de cada um, não é preciso partilharem-se presentes caros, desde que sejam escolhidos com boas intenções e a pensar no seu destinatário.

   Não sei qual será a minha posição quando, um dia, tiver filhos. Provavelmente, hei-de tentar incutir-lhes o mesmo espírito natalício que me incutiram a mim: muitos presentes, sem serem muito caros, daqueles que lhes permitam dar largas à imaginação, sem nenhum guião previamente formatado. Afinal, o Natal também é isso: o que nós quisermos.

Dúvida existencial de uma filha única

Um dia, hão-de me explicar que raio de feitiço genético anda por aí para, POR NORMA, os irmãos mais novos serem mais bonitos do que os mais velhos. Será que os mais velhos, por serem os primeiros, são as cobaias da "concepção", que a princípio não tem experiência a escolher os melhores genes para moldar o bichinho?

 

Já que eu não tenho uma, partilhem a vossa experiência!

Quem sai aos seus... pode degenerar, que a mãe não se importa!

Eu tenho o melhor namorado que alguma vez me poderia ter calhado na rifa (na turma, neste caso), a sério que tenho. Mas ele deseja (profundamente) que os nossos futuros filhos sejam barulhentos, acelerados, mentalmente enérgicos, sem qualquer noção de submissão às normas sociais, que se destaquem literalmente da multidão e que causem impacto publicamente através do seu carisma.

Para quem conhece o Ricardo, esta descrição da filho ideal que a criatura gostaria de ter é... ele. Só que em ponto pequeno e com outras características implícitas da Beatriz, ou seja, uma versão melhorada de segunda geração (não é para nos gabarmos, mas os nossos genes, individualmente, já são de qualidade elevada, quanto mais se se conjugarem numa mistura de ambos os lados).

O "problema" - aspas, sem ferir susceptibilidades de um certo ser humano com uma barba peculiar - é que eu não sei se estou preparada para ter em casa mais do que um Ricardo. Com dezoito anos, na flor da idade, mal tenho vagar para aguentar com uma única unidade, quanto mais uma família com duas ou três aos quarenta! Nem quero imaginar o que será um bebé-Ricardo, nem uma criança-Ricardo (confiando no protótipo, o adolescente e adulto-Ricardo devem ser mais toleráveis, mas só mais um bocadinho quasssse imperceptível). Já antevejo papa e sopa e comandos da televisão - e televisões! - a voarem pelo ar, horas de pânico a tentar controlar as feras, momentos de ansiedade antes de os deixar na escola, sabendo que vão aterrorizar os professores e os colegas e toda a gente que encontrarem à frente com gritinhos histéricos e espasmos voluntariamente despoletados... Só não antevejo a hora de deitar os monstrinhos, que é um cenário demasiado tenebroso para ser imaginado!

Já o avisei - "se queres filhos assim, vais tu aturá-los". Mas o moço diz que não se importa, eu que vá trabalhar que ele será um stay-at-home-dad a criar os pequenos génios da trolladice. Pff... isso diz ele agora, que ainda está a anos-luz da cena dos seus sonhos idílicos e ingénuos.

 

Cá no fundo, espero solenemente que os nossos rebentos se fiquem pelo meio termo do seu legado de ADN, nem muito calmos, nem muito desordeiros, e que preencham, lá como conseguirem, os requisitos que ambos os pais estabeleceram para eles, para que nenhum se sinta violado pela força genética do outro. A Mãe Natureza que tenha paciência, que nós somos um casal demasiado democrático e defendemos a igualdade de distribuição dos nossos atributos pessoais mais prezados nos nossos descendentes!

 

(Gente do meu blogue menos atenta à vida conjugal da Beatriz e do Ricardo, estejam descansados que eu não contribuirei para a gravidez na adolescência de livre vontade. Todo o conteúdo desta publicação é resultado de algumas discussões de pouquíssimo nexo do casal supramencionado, sem qualquer intenção de experimentarem a paternidade nos próximos... 20 a 50 anos?! - qualquer coisa do género. Não se alarmem nem se indignem, que isto é só garganta e cada acontecimento tem o seu lugar reservado no tempo.)

Nostalgia...? Nem por isso, obrigada.

Sim, eu já fui uma daquelas miudinhas pré-adolescentes super-hiper-mega irritantes que clamam aos sete Facebooks que a festinha da santa terrinha onde vivem foi O MÁXIMO, UMA DAS MELHORES NOITES DA SUA VIDA, MONTES DE DIVERTIDA!!!!, e depois tagam os amiguinhos todos nessa actualização de estado.

E foi triste, principalmente porque eu, com a idade delas, nem a essas festarolas ia, muito menos tinha "amigos" (destaque para as aspas) ou Facebook (tinha hi5, que era bem pior).

 

Ainda bem que essa época já não volta, é só o que tenho a dizer.

Dos outros #32

"Rei Leão™, Bambi™, e o seu amigo fofinho, o coelho Tambor... O homem é o único animal que romantiza aquilo que devora. A nossa sociedade ergue os seus pilares sobre a cultura automóvel, mantendo na impunidade quem tira a vida de outrém, mas em compensação canta o seu amor às crianças. As crianças até já têm um dia delas. Desconfiar sempre daquilo que tem um dia mundial, é mau sinal. Só há dias mundiais daquilo que está por baixo."

 

Rui Zink, O Suplente

Velhos... estamos a ficar velhos!

Aqui me encontram a ter pensamentos de velha. É que nem a minha avó - setenta e um anos em cima daqueles ossos e músculos imparáveis - deve dar por si a tê-los. Como a sua neta. Agora. E durante os últimos dias. Ora fui eu que fiz dezoito anos há umas semanas, ora amanhã é a minha melhor amiga (aquela!, a que conheci no meu primeiro dia na pré-primária), ora é a outra que já vai para o segundo ano da faculdade, e o outro que fez vinte anos na segunda-feira, mais o meu namorado, ainda ontem... Como é que, parecendo tão de repente, chegámos onde chegámos e inaugurámos esses abstractos e enormes conceitos de "futuro" e "projecto de vida"?

 

Porém, a questão principal é esta: a partir de que idade é que ultrapassamos o limite máximo da infância e passamos à idade adulta? Com dezoito, dezanove e vinte anos, continuo a ver-me a mim e aos meus amigos como criancinhas tardias, miúdos e miúdas com vários direitos que ainda lhes são estranhos, assumindo responsabilidades de gente grande, responsabilidades para a vida, mas que continuam a fazer caretas uns para os outros, a berrar no meio da rua, a borrar a cara com gelado, a organizar festas de pijama e a não querer comer os legumes e a sopa. Estamos naquela fase em que, embora já não brinquemos com bonecos, ainda temos vontade de (voltar a) permanecer na ignorância acerca de determinados factos da vida e da sociedade e de continuar a depender do papá e da mamã para isto e para aquilo. Desconhecemos a nossa própria condição.

Este é o momento em que me sinto questionar cada vez com mais persistência o que se seguirá depois do "agora". Calculo que não seja a única. Penso que, no geral, havemos todos de passar por certas ocasiões decisivas para os nossos percursos pessoais em que qualquer alternativa por que possamos optar nos pareça susceptível de ser "a tal". Queremos seguir em frente e descobrir o que aí vem, desejando simultaneamente arranjar tempo para poder tentar e errar e voltar a tentar qualquer uma das opções que se nos apresentem.

É como se voltássemos àquelas reuniões de família aborrecidíssimas em que nos isolávamos por não nos identificarmos com ninguém - nem com os nossos primos mais novos, nem com os nossos pais, tios e avós. Se nos identificarmos, sequer, com as nossas pessoas, já vamos com sorte! Aí é que deve residir a resposta às minhas questões: seremos sempre crianças ou adultos, ou um misto dos dois, enquanto quisermos e quando melhor nos aprouver. No imediato, não encontro outra possibilidade...