Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O que é melhor: a escola pública ou a escola privada?

A propósito do post sobre a minha visita ao Colégio Atlântico, recebi um comentário de uma sua actual aluna, questionando-me sobre os aspectos negativos e positivos do ensino privado e do ensino público. Já tive a oportunidade de experimentar tanto um como outro. Frequentei o primeiro durante nove anos, desde a pré-primária até ao final do nono ano, e tenho frequentado o último desde o décimo ano, ou seja, há quase três anos.
Acho que a maior vantagem que retirei da mudança de tipo de ensino, a meio do meu percurso, foi a aquisição de um conhecimento comparado de cada um em relação ao outro. Se não tivesse estado num colégio, nunca conheceria as falhas e os pontos fortes da escola pública, e vice-versa. Julgo que a minha formação académica ficaria minimizada, caso só tivesse frequentado um deles.
Tive a sorte (digo eu) de ter iniciado os meus estudos e, afinal, a minha vida, no seio de um ambiente escolar muito protector, rigoroso e diversificado. Quando menciono protector, refiro-me às características que imagino que todos os colégios tenham: os alunos são resguardados do exterior, acarinhados (nuns, mais do que noutros), e existe um acompanhamento personalizado sempre que possível, feito à medida das necessidades do aluno enquanto indivíduo, não enquanto parte de uma turma ou de uma comunidade escolar imensa, em que as relações chegam a ser impessoais; rigoroso, não porque nos exijam notas máximas “em cru”, sem que antes nos ensinem a trabalhar e a estudar, mas porque nos é exigido que obtenhamos médias proporcionais às nossas facilidades e dificuldades e aos recursos materiais, intelectuais e humanos (professores e outros funcionários) de que dispomos, algo que, numa escola privada, é algo que não costuma faltar; diversificado, devido às várias actividades em que nos inserem – dança, música, teatro, rádio, artes plásticas – e à motivação que a sua prática nos traz, mostrando que somos capazes de ser bem-sucedidos em diversas áreas ou, quem sabe, ajudando-nos a encontrar aquilo de que mais gostamos de fazer, acima de tudo (foi o que aconteceu comigo, pelo menos, em relação à escrita e à comunicação em geral).
Contudo, também é do meu agrado que não me tenham mantido no ensino privado após a conclusão do ensino básico. No final do oitavo ano, comuniquei à minha família que não desejava continuar no colégio e que queria ser imediatamente inscrita na escola que fica perto da nossa casa. Felizmente, eles não acederam ao pedido e obrigaram-me a esperar. Porque, se há algo que não consegui desenvolver lá muito bem no colégio (conjugando a minha educação no seio familiar), foi a maturidade suficiente para me conseguir integrar às mil maravilhas noutro contexto totalmente distinto (porém, suponho que esta questão dependa de pessoa para pessoa). Tinha catorze anos, mas poderia ter dez em mentalidade. Ainda bem que permaneci no colégio até ao nono ano, por muito “claustrofóbica” que já me sentisse, por muita que fosse a minha curiosidade sobre o “mundo real”! 
O meu décimo ano foi um ano de choque entre o meu eu de antes e o meu eu de agora. Mesmo agora, no décimo segundo, continuo a confrontar-me com situações novas todos os dias. Mas, após a mudança de tipo de ensino, aprendi de imediato imensas coisas, qual bebé recém-nascido. Era demasiado ingénua, não conhecia muitas pessoas da minha idade diferentes daquelas com quem contactara durante nove anos, que tinham sido quase sempre as mesmas (algumas conheciam-se desde que usavam fraldas; eu conhecia-as praticamente todas, excepto uma ou outra que ia entrando posteriormente, desde o tempo das Barbies e das Bratz), por sua vez, não sabia interpretá-las correctamente e, emocionalmente, o meu décimo foi um desastre (imaginem um coelhinho sonso a cair de amores por um lobo, ai tão fofinho, mas tão matreiro, e já se sabe quem acaba nos dentes de quem). Subestimei o mundo real, como lhe costumo chamar.
Quanto aos professores, não houve surpresas. Os bons existem tanto no público como no privado, apenas com a diferença de que, no público, o seu tempo tem de ser dividido entre todas as milhentas turmas a quem dão aulas e, enfim, muitas das vezes, um aluno é somente mais um número. Ainda assim, tive a sorte de, em menos de três anos, já me terem calhado uns quantos cujo empenho admiro e com quem simpatizo bastante, que batalham todos os dias para recompensar os alunos que merecem e motivar, até, aqueles que simplesmente se estão pouco “importando”. Por outro lado, dos maus professores, já reza a História desde a Era dos dinossauros – faltam sem justificação ou aviso antecipado, não sabem fazer nem corrigir testes, não sabem dar aulas, não estão minimamente preocupados, querem é subir de escalão profissional ao desbarato… Feitas as contas, não se pode ter tudo na vida, não é verdade?
No colégio, consegui arranjar as ferramentas intelectuais e artísticas, a par dos bons valores morais, como a justiça, a compreensão e a amizade; na escola pública, conheci verdadeiramente a dimensão das relações humanas em todos as suas vertentes, ora positivas, ora negativas, entrei em contacto com o que é a “realidade” da maioria das pessoas e, sumariamente, da sociedade actual; consequentemente, aprendi a ter garra e a lutar pelos meus objectivos em qualquer contexto, não esperando ser amparada na “queda” (porque a vida não é justa, por muito que tentemos; por vezes, temos de lhe dar um pontapé para ela entender o que queremos que faça por nós!). Os dois acabaram por se complementar perfeitamente!

***

Se, posteriormente, me lembrar de mais alguma coisa que ache relevante dizer, fá-lo-ei. Espero ter respondido bem a sugestão!

Vão levar com a "igualdade de oportunidades" no c... no rabinho!

Orgulhamo-nos de viver num país ao nível dos mais desenvolvidos da União Europeia ou até do mundo, de haver igualdade de oportunidades para todos dentro da comunidade... mas, no fim de contas, igualdade de oportunidades só se for para os ricos.
Não nos venham encher a cabeça com porcarias, como se fôssemos todos burrinhos, nomeadamente nos livros de Geografia - eu sei do que falo. Ainda hoje, no século XXI, tentam fazer com que os jovens   acreditem numa data de mentiras, uma autêntica lavagem cerebral ao "povinho" - que nós é que mandamos, que o poder parte de nós, que as estatísticas provam o nosso grau de desenvolvimento relativamente ao resto do mundo, etc e tal.
Contudo, esta nova ideia constitucional vem provar exactamente o contrário, e só lhe ficará indiferente quem quiser. O acesso ao ensino, um dos direitos fundamentais de qualquer pessoa, está-nos a ser claramente negado. Já não chegava os nossos pais pagarem impostos exorbitantes, nem as "taxas simbólicas" que pagam no início de cada ano lectivo, nem o ensino superior estar cada vez mais caro, porque agora também pensam em cobrar umas propinas quaisquer no ensino secundário, sinónimo de mais despesas. E isto pouco tempo depois de ter sido instituída a escolaridade obrigatória até ao 12º ano! Sim, sim, esperem por essa. Se o panorama económico, financeiro e, consequentemente, social de Portugal permanecer como se encontra neste momento (já nem falo em piorar), voltaremos à cepa torta, em que as pessoas só conseguem estudar até ao 2º ou 3º ciclo, se tanto, à semelhança de há cinquenta anos atrás, quando éramos um país "retardado" (retardado sem aspas é aquele em que vivemos agora). Neste momento, há quem tenha dificuldade em ter dinheiro para comer, quanto mais para ir à escola!
Começo a acreditar piamente que não estamos a passar por uma mera época de austeridade. O que observo é a decadência de um país até à morte. Há quem consiga fugir, há quem esteja de pernas e mãos atadas. Os "sobreviventes" são uma minoria, a classe média entrou em vias de extinção e não existe governante nenhum que conserve o mínimo de respeito pelos seus compatriotas.
Enquanto estudante, esta notícia deixou-me revoltada. Não digo que o tenha ficado por mim, dado que estou prestes a terminar a "escolaridade obrigatória", mas não deixei de o ficar por todos os jovens que vivem e viverão em Portugal enquanto esta realidade vigorar. O que poderá parecer uma mera notícia, é mais um passo gigante para o desespero.
Espera-se sempre que um país progrida com o decorrer dos anos. Portugal está a regredir.

eles bem queriam, eles bem queriam...!

Gostava de vos contar isto num tom sério, a combinar com o assunto, mas é-me (felizmente) impossível: já não há totalidade de matéria nos exames nacionais de Português, História A, Desenho A ou Matemática A para quem frequenta o 11º ou 12º ano neste momento! (Quase me atirei da janela, tal foi a minha alegria perante esta notícia...!)


Segundo o comunicado do GAVE, para quem realizará os referidos exames nacionais este ano (2012/2013), eles apenas contemplarão matéria do 12º; para quem os realizará para o ano (2013/2014), contemplarão matéria do 11º e do 12º. Não é uma óptima notícia?! Resposta óbvia: ai não, que não há-de ser!


Eles bem nos queriam dar cabo da carcaça, mas, com tanto reboliço, lá tiveram que suspender o seu plano maléfico (ui, que medo).


Eu até já ia a meio do guia de estudo de História A do 10º ano e, olhem... quem me dera nem lhe ter pegado! Claro que relembrei a Grécia Antiga e Roma e o mundo medieval, o que não me fez mal nenhum, só que, de qualquer modo, tal poderá ser considerado, eventualmente, uma perda de tempo. (Porém, neste momento e dadas as cricunstâncias, estou-me nas tintas, verdade seja dita!)


 


Agora, vou fazer algo de útil da vida e ver séries gravadas. Felicidades com a vossa vida recente e subitamente desocupada!


 


Se estiverem interessados, escrevi um artigo para a Fórum Estudante sobre toda esta reviravolta. Para ler, é só clicar.

eles bem queriam, eles bem queriam...!

Gostava de vos contar isto num tom sério, a combinar com o assunto, mas é-me (felizmente) impossível: já não há totalidade de matéria nos exames nacionais de Português, História A, Desenho A ou Matemática A para quem frequenta o 11º ou 12º ano neste momento! (Quase me atirei da janela, tal foi a minha alegria perante esta notícia...!)

Segundo o comunicado do GAVE, para quem realizará os referidos exames nacionais este ano (2012/2013), eles apenas contemplarão matéria do 12º; para quem os realizará para o ano (2013/2014), contemplarão matéria do 11º e do 12º. Não é uma óptima notícia?! Resposta óbvia: ai não, que não há-de ser!

Eles bem nos queriam dar cabo da carcaça, mas, com tanto reboliço, lá tiveram que suspender o seu plano maléfico (ui, que medo).

Eu até já ia a meio do guia de estudo de História A do 10º ano e, olhem... quem me dera nem lhe ter pegado! Claro que relembrei a Grécia Antiga e Roma e o mundo medieval, o que não me fez mal nenhum, só que, de qualquer modo, tal poderá ser considerado, eventualmente, uma perda de tempo. (Porém, neste momento e dadas as cricunstâncias, estou-me nas tintas, verdade seja dita!)

 

Agora, vou fazer algo de útil da vida e ver séries gravadas. Felicidades com a vossa vida recente e subitamente desocupada!

 

Se estiverem interessados, escrevi um artigo para a Fórum Estudante sobre toda esta reviravolta. Para ler, é só clicar.

a minha rica escolinha #2

Sim, eu estudo numa escola mais ou menos problemática e mal frequentada. Tem alunos do 5º ao 12º ano, o que gera uma grande confusão. Os mais difíceis são, muitas das vezes, os mais novos. Mas, apesar de nem tudo serem rosas, também nem tudo são espinhos. Mesmo que se encontre uma "menina mais vulgar" a cada esquina, não podemos esperar que assim seja na generalidade. Os resultados académicos são extremamente baixos, mas as estatísticas esquecem-se dos bons alunos que fazem a diferença. Tal como em todas as escolas, encontramos melhores e piores companhias, melhores e piores condições; o essencial é sabermos com o que contar.


A minha escola está a cair de velha, os materiais estão bastante degradados, existem janelas partidas, telhados furados, lâmpadas que zumbem, mesas danificadas, cadeiras farpadas e desconfortáveis para pessoas com mais de um metro e cinquenta, graffitis obscenos à porta, de vez em quando há um ou outro desentendimento entre os alunos, há falta de pessoal auxiliar, nunca vi os professores tão desmotivados, as instalações estão sobrelotadas, a comida do refeitório é horrível. E depois? Não é o que está a acontecer um pouco por todo o país? A minha escola nem sequer é o reflexo da zona onde estudo e vivo (pelo menos, não considero que seja).


 


E quanto à pessoa que pintou a bela borrada da minha anterior publicação, só pode ser um grande cão ou cadela, porque ninguém no seu juízo perfeito degradaria um espaço público dessa maneira nem insultaria o corpo estudantil como ousou insultar. Nem tudo são rosas, nem tudo são espinhos.

caros professores, esta é para vocês

   Um dia destes, ainda mato e esfolo algum professor vigilante de exames nacionais. É que, este ano, dos cinco que fiz, tive pouca sorte em três! Ou seja, em mais de metade, os professores (melhor, professoras!) decidiram que aquela era hora de pôr a conversa em dia uns com os outros. Cá por mim, podem pô-la quando quiserem, onde quiserem, desde que não seja no meio de provas de cuja nota os alunos dependem mais do que nunca! Percebo que seja uma tortura permanecer mais de duas horas e meia a três dentro de uma sala abafada, em silêncio, sempre alerta, a controlar jovens estereotipadamente ignorantes que, muitas vezes, nem sequer conhecem, mas tentem também entender o meu ponto de vista. É preciso silêncio para haver concentração. Não tolero que me impeçam de fazer um bom exame graças a algo tão fútil, desnecessário e evitável. Já me chegam as dificuldades que a própria prova me impõe, quanto mais as que vêm do exterior, de pessoas que, em primeiro lugar, têm o papel de zelar pelo bem-estar dos alunos. Está bem, está bem: os professores andam frustrados, descontentes e muitos de nós não ajudam nada à situação. Mas eu, que prefiro respeitá-los, também não me sinto na obrigação de pagar pelo que os meus colegas fazem. Se dou respeito, exijo respeito de volta.


   Portanto, hoje, no exame de Inglês, vi-me obrigada a descer ao nível de pedir a duas professoras para pararem de falar (naquele mumúrio irritante, bz, bz, bz), visto que nem as palavras do texto eu estava a conseguir contar, graças àquele ruído. Ainda que as outras raparigas já tivessem terminado o exame e não estivessem a utilizar a tolerância, eu continuava na sala, logo, o mínimo que se esperava era que houvesse silêncio - absoluto. Para incómodo, já bastava o calor sufocante...

menos mal (Geografia A)

   Após muita dedicação aos livros, elaboração de quilos de resumos e rascunhos, numerosos ataques de pânico, anotação de ideias e esclarecimento de dúvidas constante, sobrevivi ao exame de Geografia A, como dizem os ingleses, with flying colours. A matéria abordada foi, no geral, aquela que eu estudei melhor e, apesar de terem colocado lá pelo meio um pouco de geografia física (localizar as ilhas dos Açores - tive essa questão errada -, localizar e nomear países do Norte da Europa - acertei -... tinha de me calhar logo a mim, que não gosto nada disso!), sinto-me inundada por uma onda de optimismo. Já fui conferir a minha resolução com os critérios colocados, há pouco, no site do GAVE, e parece-me que a coisa nem está feia. Era um exame relativamente acessível, até porque metade da cotação é distribuída por items de escolha múltipla e as restantes questões também não são nada por aí além. Acho que não é muito difícil chegar-se à positiva, apesar de ter sido ligeiramente mais difícil do que os dos anos anteriores. Quanto aos que almejam a notas superiores a 17 (humm... como eu), já considero que o panorama não tenha sido tão colorido. Mas não desanimem! Porque, para quem não precisa necessariamente de Geografia A como prova de ingresso, há sempre aquela última alternativa de se tentar a 2ª fase, caso não consigam alcançar a vossa meta nesta 1ª (que o Diabo seja cego, surdo e mudo um trilião de vezes!).


   Olhem, pronto, o pior já passou. Amanhã é o último dia da 1ª fase e também só me falta o de Inglês. Agora, resta-nos saciar o papinho de praia, livros, música, Facebook, 9gag e, enfim, muita procrastinação, até à segunda semana de Julho, quando os resultados forem divulgados. Aproveitem, antes que se acabe a boa vida!

o problema da minha escola

O problema da minha escola é que tem demasiados problemas. As funcionárias (algumas) são antipáticas, nada acessíveis e rudes connosco, os professores andam desmotivados (mais do que noutro sítio qualquer, estou quase certa), os alunos não são nada boa resma, as instalações, já de si um pouco degradadas, não são estimadas devidamente, não existem muitas actividades nem muito empenho em "construir" uma comunidade, as capacidades de cada um não são valorizadas e acabamos por nos perder num ciclo de auto-degradação, em que nos desprezamos uns aos outros e esquecemos valores morais importantes. Não somos nem individualistas, nem altruístas. É uma treta. Somos um nada de multidão e pomos sempre a culpa no "sistema", como se soubéssemos sequer quem o constitui, o que, sinceramente, não nos vale de nada.