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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

não se pega, é a vossa sorte

Bicho que é bicho, nunca chega a ser pessoa. É o meu exemplo. Desde pequena que me disseram que eu era um bicho; não sei quantos anos depois, continuam a fazer-me crer na mesma coisa. Pois bicho que se preze, orgulha-se de o ser! Se sou bicho, nunca hei-de querer ser pessoa, pois isso seria uma regressão imperdoável. Eu esperneio, praguejo, insisto, persisto e não desisto. Não me conformo, logo, não sou pessoa. Há sempre um grão de areia que poderia ser levado para outro lado qualquer. Pronto, está bem, dêem lá um pontapé ao bicho e deixem-se de parlapier.

fica a mensagem

   Eu não sou a miúda mais bonita, nem a mais popular, a mais adorada ou a que mais se destaca no meio das outras raparigas. Não sou a que se veste melhor ou a que anda com o grupo mais popular. Não tenho grande visual ou o corpo mais atraente. O meu cabelo nunca está no lugar e ainda não encontrei um penteado que me favoreça por completo. Passo a vida a esquecer-me de coisas, do que me dizem, do que me contam e, ainda assim, lembro-me sempre daquilo que deveria ser esquecido ou, pelo menos, colocado em segundo plano. Além de distraída, reconheço que falo demais.


   No entanto, apesar de tudo o que foi dito em cima, sou alguém feliz e vivo em harmonia com os meus defeitos e as minhas qualidades. Sei que sou uma boa pessoa, uma boa rapariga (mas não o suficiente para que me calem, para que me tornem como passiva!), uma boa amiga... Tenho os meus momentos, mas sei partilhar e ouvir, tenho bom humor e alguma conversa para dar, tenho facilidade em conhecer pessoas novas, destaco-me em certas áreas, sou bonita "o suficiente" para que me levem a sério "o suficiente", tenho garra e ambição, sou responsável, sou consciente... Sou eu e sinto-me orgulhosa do que construo para mim. Os meus amigos são pessoas reais e com os pés assentes na terra (uns mais do que outros), fazem de mim uma pessoa, não sei se melhor, mas mais genuína. Não tenho muitos, até porque, se fossem muitos, não seriam bem amigos, segundo as minhas crenças. Na verdade, tenho vindo a ter uma crescente dificuldade em afeiçoar-me a novas pessoas - falta-me o tempo, falta-me a paciência e as más experiências tornaram-me um pouco desconfiada quanto às verdadeiras intenções dos outros.


   Mas, olhem, eu sou feliz. Cada um é como é e relaciona-se com quem mais se identifica. Não precisamos de ser os mais em tudo nem ter sempre o melhor. O que interessa, realmente, é não enveredarmos por maus caminhos ou fingirmos ser quem não somos, até chegarmos a um ponto em que nos esquecemos da nossa verdadeira essência.


 


comprido e profundo

   Há já um tempo que me apercebi desta minha insensibilidade emocional. Ninguém me desperta o interesse, ninguém me causa curiosidade. Sinto-me como se não precisasse de conhecer mais ninguém para ser feliz. Estranho, não?


   Antes, qualquer um me cativava e era fácil afeiçoar-me às pessoas. Agora, sou quase bicho-do-mato. Conservo o meu espaço, defendendo-o com unhas e dentes. Não gosto particularmente da situação, quando alguém se afeiçoa demasiado a mim. Das duas uma – ou tento afastar essa pessoa, sem que o perceba, para não a magoar, ou deduzo imediatamente que seja por interesse e fecho-me em copas.


   Talvez eu tenha chegado a um ponto de saturação, depois de me terem magoado vezes sem conta. Fui iludida por muitas pessoas que eu achava serem merecedoras da minha amizade, num regime contínuo e sem tréguas. Era tão ingénua…! Tropecei insistentemente nas mesmas pedras e tanto bati com a cabeça que, subitamente, aprendi a lidar com futuros incidentes da maneira mais extrema. Não foi intencional e foi algo súbito, da noite para o dia, apesar de me ter apercebido gradualmente, durante os últimos tempos.


   No entanto, prefiro que assim seja, do que como era antes, pois, agora, posso considerar-me alguém ponderado. Não quero sofrer outra vez.


   Daqui em diante, quem quer que me queira conquistar, terá de o merecer verdadeiramente, além de ter de dar provas disso. Tenho a noção de que só me deixarei fascinar por pessoas que demonstrem alguma característica única, nem que seja a maneira de sorrir ou o modo como pousam os cotovelos em cima da mesa. Terão de saber lidar comigo. Pode parecer que tenho um feitio fácil, mas admito que as pessoas que me são próximas chegam a perder a cabeça, graças à minha falta de tacto – ainda que inconsciente -, às minhas brincadeiras parvas e às minhas mudanças de humor desprovidas de bom senso, já para não referir a capacidade que possuo para me prender a determinados sentimentos que deviam pertencer ao passado.


   Portanto, peço desculpa a quem tenho afastado, pedindo, também, muito encarecidamente, que não me chamem nem fofinha nem amor, enquanto eu não vos chamar a vocês, e muito menos que disparem gosto muitos de tis, adoro-tes, amo-tes e i love yous, como se fôssemos os melhores amigos desde a creche. (E, na verdade, a minha melhor amiga de há quase onze anos só diz que me adora. Agora, entendam isso como bem vos aprouver.)

peculiar

   Fico ressentida quando não há um olhar sorrateiro ou um adeus prolongado. Cai o Carmo e a Trindade quando algo parece não ter sido dito. Espero eternamente pelo gesto que jamais acontecerá ou pelo momento ideal para mudar algo inalterável, enquanto o tempo vai passando e as oportunidades vão surgindo e fugindo, num jogo inconsistente, insistente e persistente de sentimentos e ressentimentos.


 


   Não é dor. Não dói, não queima, não mata, mas mexe. Porquê? - não sei. Tal incógnita mantém a chama acesa e água alguma a apagará. O vento que fustiga o lume só o ateia contra a lenha, envolvendo as farpas em fogo forte, consumindo a madeira até o último toro se ter tornado cinza.


   Porém, quando durmo ao relento, não tenho frio. Haverá sempre uma brasa incandescente, insistente, persistente que me manterá viva e estará do meu lado, contra todas as geadas de Inverno, tempestades e, até, Eras glaciares. Terei as mãos frias, mas, o coração... esse permanecerá quente.

está provado - sou indubitavelmente criativa

   O inspira-me diz que há um estudo que prova que as pessoas mais criativas são as mais propensas a fazer batota. Visto que eu costumo fazer batota (mais vezes do que devia), devo ser criativa em proporção, ou seja, sou MUITO criativa.


   Ah, e respondendo à questão do inspira-me... A última vez que fiz batota foi ontem, na aula de História A. Tenho o orgulho de poder vangloriar-me que sou a única pessoa que conheço capaz de fazer os trabalhos de casa da disciplina no início de cada aula, em cerca de dez minutos, e conseguir das melhores respostas e notas da turma.


   Já agora - por mero acaso, não existirá também uma teoria que prove que as pessoas que fazem mais batota são as menos humildes , não?!