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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Há sempre!

Em quase todas as cadeiras que tive na faculdade, há sempre uma ou outra gaja (sim, gaja) que se arma em esperta. Estas marias-sabem-tudo têm mais de 40 anos, são de preferência "reformadas" (ah ah ah, só se for dos "altos cargos da política", se é que me entendem), frequentam as aulas em regime de inscrição livre e pensam que são superiores aos reles jovens menores de 30. Torcem o nariz ao que nós dizemos, ainda que os professores nos dêem razão, porque nós estamos sempre errados ou longe de atingir o patamar delas. Por isso, passam as aulas a mandar bitaites e a dar-lhes graxa. Sempre a interromperem os outros. São uns narizes no ar. Irrita-me a sua petulância, insensatez e desfaçatez, os olhares de condescendência próprios de criaturas infelizes e frustradas de meia-idade. Ainda não perceberam que, dentro duma sala de aula, somos todos iguais, quer tenhamos vinte ou oitenta anos. Que o professor nos vai tratar da mesma maneira e que os critérios de avaliação são universalmente aplicados. Daqui se conclui que a idade não traz obrigatoriamente sabedoria. Às vezes, é mais o contrário.

 

(Isto tudo para vos contar que hoje, na primeira aula de Cultura Renascentista, uma dessas "senhoras" nos perguntou, a mim e a algumas colegas, para quem é que aquela aula era apropriada. Respondemos-lhe que a maioria dos alunos vem de Ciências da Cultura, apesar de haver pessoas doutros cursos interessadas no tema. E ela a insistir "então, mas isto não é mais História?". E nós, "sim, mais ou menos, mas CULTURA Renascentista não é uma cadeira do curso de História, mas sim de CULTURA". Mesmo assim, não ficou satisfeita e continuou a achar que nós é que éramos as alucinadas.)

Universidade #3 - Ciências da Cultura, sim ou não?

Serve este texto para esclarecer algumas das pessoas que me têm pedido informação acerca da minha licenciatura.

BROCHURA OFICIAL AQUI.

INFORMAÇÕES OFICIAIS AQUI.

 

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Ciências da Cultura - SIM! Um grande sim para o meu curso. Adoro-o. Tenho estado motivada como provavelmente nunca estive, o que se tem reflectido nas notas. Tenho feito Ciências da Cultura com relativa facilidade. É difícil ser-se um aluno brilhante, de dezoitos para cima, mas quem já gosta de ler e se interessa por línguas, história, filosofia, linguística e comunicação safa-se bem com notas boazinhas. Acho que o mais "chato" (dependendo do ponto de vista, para mim é indiferente) é ter realmente de ir a todas as aulas de algumas cadeiras, porque os professores dão muita importância ao que dizem entrelinhas. Acho que é uma maneira de compensarem quem presta atenção e é assíduo. Bem, mas adiante...

Ciências da Cultura é uma licenciatura super generalista. Se pretendem especializar-se nalguma coisa, não se metam na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de todo, porque a maioria dos cursos é mais ou menos assim. Quase todos dão acesso aos mesmos Minors e Majors, alterando-se apenas o tronco comum que representa 1/3 dos créditos. Ciências da Cultura não tem Majors nem Minors, porque representa o equivalente a escolher-se um Minor em Comunicação e Cultura no âmbito de outra licenciatura. Aliás, o seu nome oficial é "Ciências da Cultura - especialização e Comunicação e Cultura", apesar de não haver mais ramos de especialização.

 

No entanto, acho que não há grandes novidades quanto às desvantagens de se entrar em CC que não tenham sido mencionadas em 10 Razões para não se ir para a universidade. Deste modo, toca a enumerar toda a coisa boa que CC tem para dar!

 

1- Um dos pontos mais fortes é podermos ter uma cadeira de opção livre por semestre a partir do segundo ano, isto é, podermos escolher QUALQUER CADEIRA entre as que são leccionadas na FLUL, complementando a oferta lectiva obrigatória. Ou seja, serão 4 cadeiras as de opção livre.

 

2 - No primeiro ano, há dois níveis de língua a fazer, à parte do Inglês, que é obrigatório em todos os 6 semestres do curso. Pode-se escolher uma língua qualquer, não interessa qual. Na FLUL, são leccionadas cerca de 18 línguas, segundo informação que acho que li nalgum lado, incluindo línguas europeias (Espanhol, Francês, Inglês, Alemão, Italiano), asiáticas (árabe, chinês, hindi, japonês, turco) e eslavas (esloveno, búlgaro, russo). Estes são apenas alguns exemplos, mas o que interessa é que há línguas para todos os gostos. Só tenho pena que não haja sueco, finlandês, norueguês ou neerlandês. Não se pode ter tudo, não é verdade? Ah... e, se quiserem continuar a língua além dos dois primeiros semestres, podem fazê-lo através das cadeiras de opção livre!

 

3 - Os professores de cultura, de comunicação e de línguas são dos mais fixes da faculdade, pelo menos segundo o que tenho entendido. Os de Linguística são os mais esquisitos (MAS há sempre excepções) e os de Filosofia costumam ter uma pancada (sei de fonte segura, o Ricardo confirma!). Na verdade, sendo uma licenciatura muito diversificada, os alunos de Ciências da Cultura lidam com professores de todos os departamentos, o que sempre proporciona uma larga experiência com diferentes métodos de avaliação e personalidades, para o bem e para o mal.

 

4 - O aluno tem uma boa base de cultura geral? Que bom, porque CC é excelente para aprofundar/aprender todos esses conhecimentos - vá, e mais alguns!

 

5 - Mais uma vez, a diversidade de áreas curriculares abrangidas em CC torna-o um curso a ter em conta por quem gosta de aprender o máximo possível, sobre imensas coisas - apesar de, por vezes, a especialização propriamente dita prevalecer sobre este tipo de licenciaturas "generalistas".

 

6 - Os alunos de CC têm aulas com colegas de praticamente todos os cursos da faculdade, o que sempre os ajuda a integrarem-se em diferentes grupos de pessoas. Quanto às praxes, pertencem à comissão de Novos Cursos, em que se incluem mais não sei quantas licenciaturas.

 

7 - Ao contrário da maioria das licenciaturas da FLUL, CC contempla um estágio obrigatório de 12 ECTS no final do terceiro ano, que pode ser realizado numa das entidades da lista previamente fornecida ou noutra entidade à escolha do aluno, desde que este estabeleça contacto entre a entidade de acolhimento e a faculdade.

 

 

***

 

Bem, espero mesmo ter-vos ajudado e orientado acerca de Ciências da Cultura ou, pelo menos, dado a entender por que raio gosto tanto do meu curso. Não quero com isto convencer-vos de nada, atenção! As minhas intenções são meramente informativas, portanto não me entendam mal - CC é uma licenciatura, não é uma seita!

 

Ok, estava só a brincar, calma. Também não sou assim tão louca. De qualquer maneira, se não ficarem esclarecidos, ide procurar o meu e-mail ao cabeçalho do blogue e perguntai-me o que mais vos aprouver.

 

Até depois e boa sorte com as candidaturas! :)

Café para os alunos que estudam na Cidade Universitária

Esqueçam o café do Refeitório I, aquela máquina só o dissolve em água.

O café da cave da Faculdade de Letras é o melhorzinho desta prezada instituição - livrem-se de experimentar o dos bares!

Se não se importarem de se deslocar duas estações de Metro, o melhor café (especialmente capuccinos, mmmm) bebe-se na máquina do ginásio Pump Fitness Spirit, à saída do Metro do Campo Pequeno, na Avenida da República. 

 

Não têm de quê, isto é serviço público!

Já agora, gente doutras faculdades vizinhas, recomendam mais algum sítio?

A grande conquista

Estudar e ler conteúdos fluentemente em 3 línguas estrangeiras, Inglês, Francês e Espanhol. Nem sequer dar conta da mudança de idioma, ao longo do estudo. Obter suportes, matérias e resultados de pesquisa para trabalhos muito mais abrangentes. Entender, se não tudo, uma grande parte. Sou feliz assim, com estas pequenas vitórias do dia-a-dia. Adoro ser estudante de Letras. Sei que fiz a escolha certa quando optei por estudar aquilo de que mais gosto.

O meu professor de Espanhol

O meu professor de Espanhol tem 30 anos e nota-se que ainda está fresquinho que nem uma alface. Ainda não tem aquele ar traumatizado e cansado de quem se chega a arrepender de ser professor em determinados dias (se não todos), ainda não tem calo, ainda nos transmite muito boas energias mal chegamos à sala de aula. O meu professor de Espanhol é mesmo espanhol, mas fez a escola no Liceu Francês e também fala Inglês, com aquele sotaque que só nuestros hermanos têm. O meu professor de Espanhol é espanhol e, por conseguinte, fala extremamente depressa - este deve ser o maior desafio para todos os alunos que, tal como eu, ainda estão no segundo nível da língua. O meu professor de Espanhol é um pateta, em tudo o que de bom existe em tal qualidade. É desprendido, alegre, fala pelos cotovelos, está sempre a sorrir e a contar piadas. O meu professor de Espanhol tem um carisma contagiante e, mesmo sendo um magricelas de estatura média com ar de intelectual,  tem um je ne sais quoi de encanto infalível. E nem o digo estritamente a partir de uma perspectiva feminina, refiro-me mesmo ao que todos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, devem pensar acerca dele. Todos entram e saem bem-dispostos destas aulas! O meu professor de Espanhol ensina a matéria como se nos estivesse a mostrar a última língua do pacote de Babel, através de estratégias de aproximamento aos alunos, com uma relação tu-cá-tu-lá muito descontraída. O meu professor de Espanhol é um operador de milagres: no ano passado, com uma professora quarentona, muitos dos meus colegas nem conseguiam escrever uma redacção com dez linhas escritas à mão; ontem, metade da turma deve ter aparecido na aula dele com redacções de duas páginas escritas a computador (menos eu, ironicamente). O meu professor de Espanhol pode ser o maior bacano de lá da faculdade; porém, cheira-me que não brinca em serviço e nas avaliações é que vão ser elas, como acontece com todos os professores novos. ME-DO.

Pura vaidade

Olá, olá, gente gira do meu blogue! Como vai a vida? Benzinho? Assim-assim? Olhem, cada um faz (ou dá) o que pode e a mais não é obrigado - é o que a minha avó costuma dizer.

Não sei se já repararam ou se eu já o mencionei, mas estou de férias há mais de duas semanas (a julgar pela minha presença por estes lados, mais parece que ando em época de exames, eu sei, só que não). E isso quer dizer que... Exacto, que já acabei o primeiro semestre. E que OS MEUS PROFESSORES JÁ LANÇARAM AS MINHAS NOTAS! UHUUU! Só não demorou mais porque eu fiz questão de enviar e-mails aos mais distraídos, do tipo "olhem, fofos, tenho que apresentar resultados até ao final do mês para receber a segunda tranche da minha bolsa de mérito e pagar as propinas, 'tá?". Não foi bem assim, mas o certo é que, antes de Janeiro acabar, mesmo, meeesmo no último dia, foi publicada a última nota (que, ainda por cima, ESTAVA ERRADA* e ainda estou à espera da sua alteração).

Portanto, visto que eu sou daquelas pessoas que não consegue estar calada com o que lhe acontece de bem, venho por este meio partilhar convosco a minha euforia. Isto não acontece todos os dias. Não podia ter começado os meus tempos universitários de uma melhor forma e, de agora em diante, toda eu sou pressão para manter esta minha amorosa média, que será o mais complicado...

 

  • Cultura e Sociedade* - (definitivamente) 15
  • História das Ideias Contemporâneas - 16
  • Inglês B2.2 - 17
  • Espanhol A2.1 - 18
  • Linguagem e Comunicação - 18

 

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E a vocês, como vos está a correr a universidade, escola, curso, trabalho? Não se acanhem e contem-me tudo =)

Não sou (totalmente) contra a praxe

   Como cheguei a contar-vos, abandonei a “minha” praxe ao fim de três horas. Não me identifiquei, achei que a minha vida não dependia daquilo e que tinha mais que fazer. Tive colegas que passaram, noite e dia, durante duas semanas, imersos nos rituais de praxe. Não foram às aulas durante esses dez dias úteis e julgo que continuaram a faltar pontualmente sempre que havia algum evento relacionado.

   (Não me interpretem mal: eu falto a algumas das minhas aulas, chego atrasada propositadamente, sei que muitas delas são inúteis. Porém, nos primeiros dias de faculdade, eu queria era assistir a tudo e mais alguma coisa, pôr-me a par do que se passava naquele mundo novo, que tipo de professores eram os meus, se as matérias eram fáceis ou difíceis. Afinal, é para isso que estou a pagar mais de mil euros por ano - fora o resto.)

   Mas, voltando ao tópico inicial, a ideia dos doutores e veteranos era que os caloirinhos passassem o máximo de tempo possível nas praxes, mesmo que tivessem que faltar a compromissos e por aí fora. Eu é que fugi enquanto pude, eu que trabalhava na altura e eu que não ousava que colocassem em questão a minha assiduidade e participação nas aulas. Sim, foi uma escolha, e não fui a única a tomá-la, de entre todos os colegas.

   O que ainda me faz comichão é dizerem que é preciso haver praxe para os alunos se poderem integrar e conhecerem-se uns aos outros e à cidade onde estudam. Por acaso, infelizmente, na minha faculdade, até acho que isso é uma realidade: depois de abandonar a praxe, foram mais as vozes que se desagradaram do que as que apoiaram, e nenhum suposto doutor ou veterano se chegou ao pé de mim e se voluntariou para me apresentar fosse o que fosse. Se não tivessem sido alguns amigos mais velhos que conhecia noutros cursos a orientarem-me, os meus primeiros dias na FLUL ter-se-iam passado num reboliço, sem conhecer os cantos à casa nem as suas histórias e particularidades. Porém, nada de preocupações! Fiz bons conhecimentos na mesma, estabeleci óptimas relações com os meus novos colegas e no espaço de três ou quatro dias já estava fina, como se sempre ali tivesse estudado!

   Então, é preciso participar na praxe para sermos ajudados? É preciso participar na praxe para fazermos amigos? É preciso ser-se um doutor ou veterano trajado para se ajudar um caloiro não praxante? É preciso ser-se aceite em determinado grupo para nos sentirmos integrados nalguma coisa? É preciso faltar às aulas e sair-se à noite e tratar pessoas com a nossa idade na terceira pessoa, com deferência, para se ter toda a experiência académica em dia?

   Se não têm “aptidões sociais”, meus caros, arranjem-nas. Chamam-se carisma, simpatia, abertura de espírito, lata, desenrascanço. Chama-se “saber-se afirmar perante os outros”, “ter-se personalidade”. Não é preciso ir-se para a praxe para se fazerem amigos para a vida durante os nossos tempos universitários! Mas esperem…

   Não me quero aqui armar em desmancha-prazeres ou chata-do-contra, quero apenas mostrar a minha opinião, e ela é: não sou contra a praxe. Sou sim, contra a praxe violenta, que desrespeita os direitos individuais dos que nela participam. Sou, também, contra a praxe elitista, através da qual se estipulam hierarquias e lugares sociais – todos os seres humanos devem conviver em equidade, logo, se os estudantes são seres humanos (acho eu!), devem respeitar esse preceito.

   E a minha opinião é, igualmente: que haja fiscalização. Que ponham a polícia, as direcções das faculdades, as associações de estudantes ou o diabo a quatro, mas as praxes têm de ser fiscalizadas, para evitar que aconteçam mais desgraças como a que aconteceu no Meco e, provavelmente, em tantos outros pontos do país. E – aí sim – se a fiscalização ainda for ineficiente e não houver outra maneira de parar os excessos, não vejo que arranjem mais soluções senão ilegalizar o ritual de praxe em definitivo e absoluto. Será mesmo complicado…

   Por isso, não sou totalmente contra a praxe porque cada um tem o que quer e merece, e, se gosta de levar com farinha e pastilha elástica no cabelo, isso é lá com a sua pessoa; e, se gosta que lhe façam monocelhas e que o obriguem a rastejar na lama, ninguém lhe deve negar tal prazer masoquista. Até acredito que existam boas e recomendáveis praxes, cheias de boas intenções e excelentes para semear amizades duradouras e inesquecíveis. No entanto, alguém tem de defender os caloiros que não sabem dizer não quando existem abusos. Alguém tem de os fazer ver a luz, seja ela o que for, para que o ciclo não se perpetue e para que no ano que vem ou para o próximo eles não ajam da mesma maneira enquanto doutores, veteranos, duxes ou o que raio lhes chamarem, face às novas larvas, bichos, caloiros.

   E vejam mas é se começam a ajudar os caloiros não praxados a integrar-se, porque eles também são caloiros e também precisam de novos amigos! ‘Tá bem? Pode ser?