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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

de quatro em quatro anos

De quatro em quatro anos, o mundo pára de falar de futebol. De quatro em quatro anos, celebra-se a unidade mundial e, subitamente, as guerras deixam de ser noticiadas. De quatro em quatro anos, apercebemo-nos do tamanho do planeta e, de quatro em quatro anos, perguntamo-nos se não estarão a germinar países como germinam cogumelos no quintal, pois nunca ouvimos falar de tais nações. De quatro em quatro anos, o Cristiano Ronaldo deixa de ser vedeta e é trocado pela Telma Monteiro (é muito boa a nível mundial, quando concorre pelo seu próprio nome, mas, desta vez, não fez coisa nenhuma de nada pela glória do país, tendo ainda o especial "cuidado" de nos presentear com esfarrapadas e inúteis desculpas). De quatro em quatro anos, passamos a gostar dos canais públicos de televisão. De quatro em quatro anos, (re)aprendemos a dar valor ao que é português e chegamos à conclusão de que desporto é mais do que pontapé na bola, golos e penálties e que, muitas das vezes, nos esquecemos que os "verdadeiros" atletas, aqueles que se entregam de corpo e alma ao que fazem não pelo dinheiro, pelos carros ou pela fama, mas sim pela simples paixão que nutrem pelo que fazem, recebem apenas 1400€ por mês (o que até está dentro dos conformes, em relação à média salarial dos funcionários públicos portugueses). De quatro em quatro anos, os Jogos Olímpicos vêm salvar-nos da monotonia de sermos meros portugas, relembrando-nos de que, afinal, também nós somos cidadãos do mundo.



EMANUEL SILVA E FERNANDO PIMENTA CONQUISTARAM, ONTEM, A MEDALHA DE PRATA, EM K2 1000

ganhámos e tal

Foi com o golo do Ronaldo. Mas, sabem, este foi um jogo múltiplo. É que, para quem não assistiu à partida, a equipa portuguesa decidiu que a rabia seria uma brincadeira essencial para matar o tempo. Portanto, até enfiarem a bola na baliza, aos setenta e tal minutos, andaram a passá-la de pé em pé e "ai, desculpa, atirei-a para fora do campo". Mas deixem lá, que pode ter sido impressão minha. Afinal, não percebo patavina de futebol e quem sou eu para questionar os profissionais da ceninha....? Ninguém, pois claro.


 


Já agora... OH, MINHA NOSSA, O MEU PAI GOSTA DE FUTEBOL! ESTOU HORRORIZADA! Durante dezassete anos, pensei que estava a crescer numa família completamente anti-pontapé-na-bola e, agora, chego a casa e vejo a figura masculina da minha infância a menos de um metro do plasma de não sei quantas polegadas, como se os óculos fundo de garrafa não lhe chegassem para ver tudo razoavelmente bem, a berrar com os jogadores que estão do outro lado do continente! Neste momento, pergunto-me: QUEM SOU EU?! Sinto que, após o ver levantar-se da mesa, a meio do jantar, de prato na mão para assistir a algo que eu julgava que ele abominava, uma parte da minha identidade se perdeu, ai, ai, ai, ai! O meu paizinho nem imagina a quantidade de dúvidas existenciais que me está a criar!

olhem lá

Parem de se queixar da pressão que pessoas como eu, desagradadas com a prestação do CR7 na Selecção, colocamos sobre os ombros do menininho de ouro. É que, se repararem, a culpa não é bem da nossa pressão, mas sim da do dinheiro dele. Já viram o que é gerir 22,5 milhões por ano? Nem sequer devem existir contas bancárias com capacidade para tanto tostão! E... coitado do moço... Nem sequer deve ter um contabilista de jeito nem nada. É que ser-se rico é uma dor de cabeça, como sabem. Não falo por mim, obviamente, mas calculo que seja. Ainda tenho esperança de, um dia, vir a ter semelhantes enxaquecas (e que sejam fortes e feias). Nessa altura, logo vos contarei o meu testemunho.

da Quadrada