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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

ode às dores de barriga

Oh, cintura que dói, cintura que maça,


Mais comprimidos? Ai, que desgraça!


Nem me deixas sentar correctamente... 


É-te indiferente estas guinadas que dás


Mais o desconforto que cada uma traz.


 


(as dores são demasiadas para continuar a escrever, afectando-me a parte do cérebro que tem a capacidade de inspiração para escrever coisas parvas)

eu quero, posso e mando

Eu sou fixe,


Eu sou baril!


Sou quem te lixa


E te põe a mil!


 


Sou inconstante,


Importante governante


Na minha land


Conhecida (e bem irritante!)


 


E bastante porcaria eu escrevo!


Por vezes, digo o que não devo...


Mas também sei controlar


Os instintos parvos e calar.


 


Meto as amizades em primeiro,


Sem delas me esquecer!


Quando, um dia morrer,


Até lhes deixo o meu dinheiro!


 


Porra!, mas eu sou pobre!


Falida, tesa; porém, tão nobre!


Até poderia ser generosa,


Caso fosse tipo... famosa.


 


Devia era ir dormir - 'tou que nem posso!


A esta hora, ainda publico coisas estranhas,


Bué overpowered, like a boss!


E este blogue continua às aranhas.


 



Beatriz Canas Mendes


 


(...to be continued...)

" saudade dada "

Em horas inda louras, lindas


Clorindas e Belindas, brandas,


Brincam no tempo das berlindas,


As vindas vendo das varandas.


De onde ouvem vir a rir as vindas


Fitam a fio as frias bandas.


 


Mas em torno à tarde se entorna


A atordoar o ar que arde


Que a eterna tarde já não torna!


E em tom de atoarda todo o alarde


Do adornado ardor transtorna


No ar de torpor da tarda tarde.


 


E há nevoentos desencantos


Dos encantos dos pensamentos


Nos santos lentos dos recantos


Dos bentos cantos dos conventos…


Prantos de intentos, lentos, tantos


Que encantam os atentos ventos.


[Fernando Pessoa, 1917]

o encontro

Olha para nós, tão perto e tão longe
a escassos passos de um aperto, um abraço,
mas cegos do que não vemos e não sentimos.

Dar-te-ia a mão, o pulso, até os medos,
fundindo os teus com os meus,
do jeito que a saudade criou.

Olha para nós, tão perto!
Como seria bom ouvir a tua voz mais alto que a do mundo,
enquanto o mundo de nós falaria!

Quase no pôr-do-sol, quem me dera não lhe ligar,
pois o meu horizonte em ti acabaria
e, o de amanhã, em nada seria igual.


 


Beatriz Canas Mendes

estou no e-talentos. i need help (:

  


Visitem ESTE LINK e votem no poema, caso gostem. Descrevo o significado dele na página em questão, para que não restem dúvidas sobre o seu conteúdo. Agradeço-vos do fundo do coração!


 


 



 


 


VIDA ENVERNIZADA (INTELECTUAL FUTILIDADE)


 


O verniz estala, 
o verniz cai,
mas, verniz, fica!

O verniz, outrora seco, 
agora, ressequido me parece
pois, no dia em que o espalhei,
a gente maravilhava,
o coração me aquecia.

- Não era fogo, era rosa!
Rosa suave e tão vivo…!
Mas, de flor, não tinha nada…
E caiu.

Caí eu em desgraça,
ardendo na chama do vazio
que, na ponta da unha, ainda mói.
Ainda maça.

É a marca da luta,
o virar de muita página,
a dor do papel que muito verniz comeu.

- Dá mais uma pincelada!

Não dou. Não dou.
É o verniz que sou o último a cair.


 


Beatriz Canas Mendes

a minha liberdade de expressão.

 


Calem essas bocas, almas maltrapilhas!


Falo eu, não me falhe a voz,


que vos silencia em audível escrita.


 


Deixem-me gritar, deixem-me exprimir!


Deixem-me vestir um "eu" que me assente,


deixem-me ser quem pressente


essas auras de cor cinza.


 


E não me digam o quão louca sou!


Quero ter loucura sem enlouquecer


para um dia a vir a perder.


 


Beatriz Canas Mendes


[16.09.2011]

libertando-me

 


Quem


Quem faz o que eu faço


Desfaz-se em lágrimas


Choros derramados


Olhos afogados


Sentimentos reprimidos


De momentos tão sentidos.


 


Vem oprimir-me, passado!


Passa-me por cima


Mas não magoes


Ou não seja a dor fria


Demasiado quente para mim.