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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Universidade #6 - quem são os professores do ensino superior?

Decidi regressar ao tema "universidade", desta vez para vos falar acerca dos professores do ensino superior. Aliás, acho que, desta vez, até o faço mais num tom de desabafo pessoal do que num tom explicativo. Peço adiantadamente desculpa se vos parecer que estou a generalizar, mas, convenhamos, é a minha experiência que estou a relatar. Reforço novamente que não me comprometo com todo o universo vivo de professores.

 

Então, cá vai disto...

Encontro-me desiludida com os professores universitários. Dos professores do ensino politécnico já não poderei falar, pois trata-se de outro tipo de ensino e meio académico e de investigação, por isso apenas incluo neste grupo de professores aqueles que ensinam nas faculdades.

E por que é que estou desiludida com os professores (e professoras também) universitários?

Porque é isso que eles são: professores universitários.

Para quem ainda não está familiarizado com esta realidade, os docentes das universidades, com ênfase na faixa etária dos 40 para cima, raramente exerceram outra coisa na vida além do ensino. Alguns deles vêm até de meios sociais privilegiados, de boas famílias ou são até filhos e netos doutros professores universitários. Pelo menos os professores com quem tenho entrado em contacto correspondem a, no mínimo, uma destas características.

Sendo assim, muito poucos são aqueles que saíram da bolha da universidade durante toda a sua vida. Entraram na academia antes dos 20 e nunca mais saíram de lá. Primeiro, foram alunos. Depois, tornaram-se professores, tradutores ou investigadores dos centros de estudos. É essa a única realidade laboral e social que conhecem. 

Durante este último ano e meio, desde que comecei a minha licenciatura em Ciências da Cultura (na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), talvez tenha conhecido apenas dois ou três professores que já trabalharam fora da academia. Nota-se logo a diferença. Trazem ideias muito mais criativas para as aulas, a maneira de falarem e de relacionarem com os alunos é geralmente mais descontraída e acabam por utilizar métodos de ensino mais virados para uma vertente prática.

Quanto aos outros professores, os que nunca saíram da academia, estes começam a parecer-me todos iguais. Lêem quase todos os mesmos livros, as suas referências-chave bibliográficas e cinematógráficas (não só obras, mas também autores) são semelhantes. No entanto, ainda há outro aspecto que me incomoda nestes professores: não compreendem a vida fora da universidade. Não compreendem que nem toda a gente tem disponibilidade total para se dedicar ao estudo e à leitura. Que nem todos conhecem as "obras fundadoras da nossa cultura", seja porque nunca tiveram acesso a essas obras, seja porque simplesmente já têm uma lista infindável constituída pelas obras recomendadas por todos os professores dos semestres anteriores (o quê, nunca leu X ou viu Y??? que crime!!! - epá, pelo amor da santa, eu leio 50 livros por ano!). Que há alunos que trabalham, outros que têm de ajudar a família, outros cuja realidade é menos risonha e menos propícia a divagações "além do necessário" (apesar de o necessário ser relativo e de o conhecimento nunca ocupar lugar). Há até alunos que não vivem no centro de Lisboa (!!!!!!!!).

Contudo, há que sublinhar que, na maioria das vezes, os professores não agem arrogante ou pedantemente de propósito. Nem se apercebem de que é isso que pensamos acerca deles. Acho até que pretendem ajudar-nos de verdade, que querem ser simpáticos e prestáveis... à sua própria maneira. São incompreendidos, tal como nós. As suas intenções correm permanentemente o risco de serem mal interpretadas, mas é a vida. Alunos ou professores, acabamos todos assim.

O problema é esperarem demasiado dos alunos. Enquanto a maioria dos professores do ensino secundário queria era despejar a matéria do sumário e ir para casa o mais cedo possível, os professores do ensino superior conjugam três actividades diferentes, entre leccionar em duas faculdades, escrever e traduzir livros, escrever artigos científicos para revistas de renome, colaborar com centros de investigação, organizar e planear conferências até 2020, assistir a outras tantas e coordenar todo um departamento ou curso. Eles trabalham que nem loucos, dormem mais-ou-menos, não deixam de ler três livros por semana, de ir ao cinema ou de papar todas as suas séries favoritas, ainda têm tempo de se casar e de ter filhos e, por isso, esperam os melhores resultados académicos e todo o esforço desumanamente possível da parte dos seus outros colegas e dos alunos.

Então, a diferença entre os professores universitários e os alunos é que os primeiros têm um orçamento familiar que lhes permite delegar as tarefas "da vida real" noutras pessoas (empregadas domésticas, lavandarias, contabilistas, refeições fora de casa), enquanto os segundos têm de se desenrascar por conta e energia própria. O problema é que grande número dos professores universitários não preenche um formulário para o IRS nem vai a uma repartição das finanças há mais de 15 anos, não lava ou passa a sua roupa há 20 e não tem de contar os tostõezinhos do extracto bancário cada vez que vai ao supermercado (porque também não costuma lá pôr os pés) há 25. E são estas ninharias do quotidiano que fazem toda a diferença entre as realidades de uns e de outros!

 

Para concluir e desanuviar o ambiente, partilho convosco este meme. Os alunos da FLUL irão entender e fazer facepalm.

 

 

 

Nota: Futuros universitários, juro-vos que os professores não são bichos, só são workaholics. Não se assustem!

 

Nota 2: Caros professores que, eventualmente, dêem com esta publicação, seja agora ou daqui a três décadas, quando talvez eu mesma for uma professora universitária (e que bom que seria!)... desculpem-me. A sério, tenho tido professores excelentes, mentes brilhantes, génios subvalorizados neste país pequenino em que vivemos. Não me posso queixar, de todo. Tenho aprendido imenso. Só que, perdoem-me, sinto falta de professores que "vivam cá fora". Que se lembrem do que é estar deste lado. Que se lembrem do que é renovar um guarda-roupa nos saldos de Fevereiro com 25€. Que se lembrem do que é ir ao Lidl comprar barras de chocolate a 50 cêntimos, porque no Pingo Doce e no Continente são 60. Que se lembrem do que é ser mais humano e menos... bem, menos professor universitário. 

Professorar ou não professorar?

Sempre me disseram, a partir do momento em que escolhi Línguas e Humanidades no secundário, que se era essa a minha escolha, então "ia para quê, para professora"? No fim do nono ano, era esse cenário que quase me impunham, como se nas humanidades não houvesse espaço para mais nada senão o ensino e, pior ainda, como se houvesse algum mal em ser-se professor. Senti este criticismo da parte de, principalmente, colegas e, ah ah ah, professores (feliz e curiosamente, a minha família nunca se preocupou com as minhas opções escolares e académicas, sempre confiaram em mim), mas também nunca me deu para pensar em particular nessas atitudes acusatórias. E sim, eu cheguei a ouvir "que desperdício, uma aluna com tão boas notas a ir para Humanidades!". Oh, sim, tem sido terrível, já agora.

No entanto, só por volta do décimo primeiro ou do décimo segundo ano é que comecei a levar essa alternativa de me tornar professora a sério. Motivada em grande parte pela pressão normal para me candidatar a uma licenciatura que me fizesse sentir concretizada, submeti-me a montes de introspecção e avaliei todas as minhas opções: basicamente, todas aquelas que poderia imaginar no domínio das humanidades e até algumas mais viradas para as ciências (!!!- estou a brincar, pensei em Psicologia). Com uma média bastante satisfatória, pude dar-me ao luxo de pensar e repensar muito.

O ensino começou então a mexer comigo, devagar, devagarinho, quase parado. Na verdade, ainda me mói o juízo de vez em quando. No ano passado, o primeiro da licenciatura em Ciências da Cultura, comecei a dar explicações mais a sério (já gostava de as dar por gozo), neste caso a alunos do ensino básico e... gostei. Gosto, a melhor dizer. Adoro sentir que estou a marcar alguma diferença na maneira como os "meus miúdos" olham para o verbo estudar, adoro ver as caras deles quando descobrem que não é assim tão difícil, adoro saber que a minha missão foi cumprida ao assistir ao sucesso deles.

Atribuo grande parte da "culpa" desta minha queda aos óptimos professores que fui e que vou tendo ao longo do meu percurso. Também tive maus e mesmo péssimos professores, mas "desses não reza a História". Os bons continuam a exercer influência no modo como vejo o ensino e a própria actividade de ensinar, de dar a conhecer e de explicar.

Dito isto, impõe-se uma pergunta: será que eu gostaria de ser professora a longo prazo? E outra: será que eu gostaria de ser professora em Portugal, no ensino público? A resposta à primeira ainda está por conhecer, mas a resposta à segunda é um assertivo NÃO. Pelo menos, enquanto as condições de trabalho do pessoal docente não levarem uma debandada de alterações que lhes restituam a dignidade a que todos os seres humanos têm direito.

É que, hoje em dia, os professores parecem não ter direito a nada. Assentar arraiais e constituir uma família é quase considerado um luxo. Começar a carreira é extremamente difícil, mas até que ponto os professores serão capazes de chegar vivos ou, no mínimo, com ânimo ao dia em que ela estabilizar, finalmente?

Eu quero ter liberdade para conciliar o meu projecto pessoal de vida com o meu projecto profissional, por isso será que devo esperar desenrascar-me no ensino, mesmo que tenha de fazer alguns sacrifícios? Será que vale a pena correr esse risco?

Dada a situação actual do país, em específico com as falhas frequentes e permanentes do Ministério da Educação (e respectivo ministro, é de sublinhar) perante os professores e, por consequência, perante os alunos, é difícil adivinhar um futuro fácil. Basta ligar o telejornal durante os últimos dias para perceber que a coisa não está nada bonita.

Ter passado de “condenada a ser professora” para “potencial professora em formação” não me facilitou a vida. Aliás, parece-me que ando sempre atrás dos caminhos mais difíceis, das escolhas mais manhosas.

Será que é melhor explorar outra qualquer vocação que me assista e esquecer esta história? Ná, provavelmente isso não vai acontecer, porque o que tem de ser tem muita força.

Estejam atentos aos próximos episódios.

 

(Outro texto recomendado: http://coconafralda.clix.pt/2014/10/professores.html)

Como é que os professores se querem, como é?

Finalmente, chegou a altura do Verão de que eu tanto gosto: aquela em que saem os horários da faculdade. Sim, é um alívio ter uma ideia do que me espera nos próximos nove meses. E, pela primeira vez, informei-me como deve ser acerca de que cadeiras devo escolher, quais os melhores horários, dependendo dos professores que as dão. Para isso, os grupos de alunos no Facebook são excelentes. Por outro lado, são terríveis. As opiniões acabam sempre por sê-lo, apenas opiniões. Um professor "fixe" para uns pode ser um professor a evitar para outros. No meu caso, adorei ser aluna de uma das professoras mais temidas do meu curso, logo no 1º semestre do 1º ano. Todos me garantiram que não ia sobreviver e, no entanto, acabei a cadeira com 16 valores, enquanto a taxa de chumbos não foi assim tãããão alta. Também há sempre mitos, é claro. Alunos cujas visões são diferentes do que um bom professor, uma boa aula e a facilidade a atingir boas notas podem induzir-se em erro uns aos outros.

No entanto, quando hoje pedi informações acerca de um professor em particular, de quem comecei a ler algumas opiniões negativas, quando perguntei se era assim tão mauzinho quanto o pintavam, a primeira resposta que obtive foi, passo a citar, "o XXXXXX é só o professor mais apanascado da faculdade inteira". Gente deste planeta, quero lá saber da vida pessoal e da tendência sexual dos meus professores. Aliás, é algo que prefiro evitar, porque se eles se metessem na minha eu também me importaria. E também me estou nas tintas se falam abichanado - extremamente feliz ficaria eu se o problema de muitos fosse só esse. Eu quero é saber se vale a pena apostar neles como profissionais, se me ensinarão qualquer coisa, se nem sequer têm personalidade como alguns que já me calharam na rifa e de que já ouvi falar, se têm a capacidade de olhar para os alunos sem os subestimar e se são justos no momento de atribuir notas. No final, acabei mesmo por apostar neste professor em causa, cujo currículo académico e bem impressionante e cuja cadeira me parece mais do que adequada aos meus objectivos escolares e profissionais. 

Após algumas horas e publicações nos grupos de Facebook também concluí que o indivíduo em questão (não o professor, o verdadeiro apanascado desta história que suponho ser meu colega) deve ser apenas demente, o estereótipo de tapadinho, vida loka, muito rebelde. À parte de não ter sido capaz de falar bem de UM SÓ professor a qualquer colega nosso que tivesse solicitado informações, ainda foi capaz de denegrir imensos professores com quem cheguei a ter aulas e que - surpresa! - até pertencem àquele grupo respeitado pelos alunos, pelo seu profissionalismo, disponibilidade, acessibilidade e tudo isso que se procura num professor (podia ser impressão minha, mas não, esses professores são mesmo uns bacanos).

Deste modo, caríssimos... Nunca confiem a 100% no que se diz acerca de seja quem for. Professores, amigos, amigos de amigos, colegas, vizinhos do lado, celebridades - há sempre outro lado da história. Em caso de dúvida, procurem segundas, terceiras e quartas opiniões! Lembrem-se sempre que opiniões são... Isso mesmo. Opiniões.

O meu professor de Espanhol

O meu professor de Espanhol tem 30 anos e nota-se que ainda está fresquinho que nem uma alface. Ainda não tem aquele ar traumatizado e cansado de quem se chega a arrepender de ser professor em determinados dias (se não todos), ainda não tem calo, ainda nos transmite muito boas energias mal chegamos à sala de aula. O meu professor de Espanhol é mesmo espanhol, mas fez a escola no Liceu Francês e também fala Inglês, com aquele sotaque que só nuestros hermanos têm. O meu professor de Espanhol é espanhol e, por conseguinte, fala extremamente depressa - este deve ser o maior desafio para todos os alunos que, tal como eu, ainda estão no segundo nível da língua. O meu professor de Espanhol é um pateta, em tudo o que de bom existe em tal qualidade. É desprendido, alegre, fala pelos cotovelos, está sempre a sorrir e a contar piadas. O meu professor de Espanhol tem um carisma contagiante e, mesmo sendo um magricelas de estatura média com ar de intelectual,  tem um je ne sais quoi de encanto infalível. E nem o digo estritamente a partir de uma perspectiva feminina, refiro-me mesmo ao que todos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, devem pensar acerca dele. Todos entram e saem bem-dispostos destas aulas! O meu professor de Espanhol ensina a matéria como se nos estivesse a mostrar a última língua do pacote de Babel, através de estratégias de aproximamento aos alunos, com uma relação tu-cá-tu-lá muito descontraída. O meu professor de Espanhol é um operador de milagres: no ano passado, com uma professora quarentona, muitos dos meus colegas nem conseguiam escrever uma redacção com dez linhas escritas à mão; ontem, metade da turma deve ter aparecido na aula dele com redacções de duas páginas escritas a computador (menos eu, ironicamente). O meu professor de Espanhol pode ser o maior bacano de lá da faculdade; porém, cheira-me que não brinca em serviço e nas avaliações é que vão ser elas, como acontece com todos os professores novos. ME-DO.

Professores para todos os gostos

O professor de Lógica do Ricardo adoptou como manual de estudo... o livro escrito pela sua pessoa! Vê-se logo que tem olho para o negócio, a tentar vender o seu próprio livro (é pena os alunos gostarem mais do sistema de fotocópias, pobrecito). Nas aulas, lê a matéria... através do seu próprio livro. Transcreve citações no quadro... retiradas do seu próprio livro. Recomenda como leitura... o seu próprio livro. Já disse que ele só se guia PELO SEU PRÓPRIO LIVRO?

 

Quanto é que apostam que o mantra do professor é "se eu não gostar de mim, quem gostará?"? Claramente, o homem ama-se!

Dispenso

Dispenso pessoas que (me) arregalam os olhos enquanto falam.

Dispenso pessoas que chamam as outras, subrepticiamente, de ignorantes.

Dispenso pessoas que acham que a sua área de estudos é a melhor, a mais bonita, a mais sublime, a mais interessante - enfim, o suprassumo.

Dispenso pessoas que, em vez de (me) explicarem do que raio é que estão a falar, fazem uma chuva-de-ideias com vários conceitos e, logo a seguir, sem nenhuma conclusão retirada, (me) devolvem a pergunta, qual batata quente.

Dispenso pessoas que, em vez de (me) explicarem do que raio é que estão a falar, me mandam ler o livro X do autor Y (como se eu já não tivesse leituras obrigatórias suficientes até ao fim do ano).

 

Sumariamente, dispenso a minha professora de C&S. Obrigada, podem ficar com ela (e com as suas famosas lições de etimologia e mitologia grega e latina). Talvez eu deva realmente seguir o seu sapientíssimo conselho e ler os livros que se farta de recomendar... durante as quatro horas semanais supostamente destinadas às aulas! Porque, lá no fundo, até sou capaz de aprender mais qualquer coisita que não seja as minhas respostas (e as de todos os meus colegas) serem demasiado abstractas e gerais e imperceptíveis e tal e cenas.

 

 

Ah, e também dispenso esta chuvinha molha-parvos-e-destrói-colunas-vertebrais.

E gente trajada.

O que é demais enjoa.

Ainda (mais) acerca da greve dos professores

Ontem, o ministro da Educação, Nuno Crato, foi entrevistado na TVI24. As conclusões a retirar sobre o que o senhor disse e como se comportou são mais do mesmo: culpou os professores até ao tutano por todo o "mal" a ocorrer nas escolas, tentou manipular, subtilmente, a opinião pública contra eles, admite não saber se vai haver despedimentos ou horários zero no próximo ano lectivo (chegando até a negar a necessidade de os concretizar!), agiu como se não houvesse nada com que a classe docente se deva preocupar, foi mal-educado para com o jornalista e desviou muitos temas de conversa e perguntas que lhe foram colocados.

Quem sou eu para julgar o que foi dito, uma estudante do ensino secundário?, mas não me venham com tretas. Consoante afirmei no outro dia, concordando com toda esta acção de protesto, os professores têm mais do que direito a fazer greve, seja quando for - num dia de exames ou num dia de reuniões de avaliação (a última novidade, que poderá atrasar o processo de inscrição nos exames nacionais e a sua realização) - e nem o ministro da Educação detém autoridade, ou credibilidade, para os incriminar de estarem a cometer algo impensável e que trará problemas aos alunos. Os alunos só têm é de se consciencializar de que não há-de ficar ninguém sem ir a exame e que têm de ter um pouco de paciência até os professores atingirem o objectivos deste manifesto de descontentamento.

Greve dos professores a 17 de Junho - eu apoio!

Ora então, os professores estão a planear uma greve geral para o dia 17 de Junho de 2013, mais conhecido por estas bandas como o Segundo Dia de Maioridade da Beatriz e Dia de Exame Nacional de Português. E sabem o que eu digo?

Apoiado, apoiado!

Não, eu não apoio esta ideia porque, assim, me livro do exame nacional. Não, senhora. Isso seria parvo visto que, mais cedo ou mais tarde, terei de o fazer, tal como toda a gente que deseje minimamente acabar o ensino secundário regular. Também não a apoio porque, caso ela chegue realmente a acontecer, não terei de estudar no dia anterior, ou seja, no meu dia de aniversário – há uma coisa que se chama organização e eu não arrastaria o estudo até à última da hora, mesmo que a data não significasse nada para mim.
Eu apoio esta ideia porque, finalmente, os professores (classe profissional que eu muito admiro) ganharam juízo e aprenderam a fazer chantagem com quem está no poder e lhes f*de - desculpem lá a “intensidade” do meu discurso – o emprego, os salários, os horários e outros aspectos vários, como se a sociedade (em particular, a portuguesa) não precisasse de professores, que isto é um povo de autodidactas e gente super interessada em obter conhecimento, não se ‘tá mesmo a ver?

Portanto, não se alarmem, caros leitores e colegas. Estejam descansados, pois ninguém há-de ficar sem o exame feito, haja ou não greve de professores a 17 de Junho. Deixem-nos apenas expressar a sua indignação, tal como a Constituição (ainda) lhes permite.

HOJE foi o dia

Frequentei o Colégio Atlântico durante nove anos - desde a pré-primária até ao final do 3º ciclo. Quando, por fim, entrei para a escola pública, pensei que nunca mais me apanhavam por lá, pelo menos durante algum tempo. Na altura, estava como que saturada do ambiente de "clausura", de protecção e de controlo a todo o santo instante (ou, pelo menos, era assim que eu via a situação), e a recém-adquirida-pseudo-liberdade trouxe-me, talvez, uma quanta arrogância (que depressa me passou, haja juízo!). Poucos meses depois, voltei para uma curta visita e, contra todas as expectativas, fiquei tão triste por já lá não andar que reafirmei, desta vez pela razão contrária, a minha pouquíssima vontade de regresso. Mas, eventualmente, continuei a visitar os meus professores, a falar com alguns no Facebook e a enviar e-mails à minha antiga directora de turma, a professora Antónia, que, no ano passado, me convidou (com a aprovação da direcção do colégio e dos outros professores, obrigada, obrigada!) para ir falar a uma turma de sexto ano sobre o meu percurso escolar, porventura pessoal, e dar-lhes alguma motivação. Aliás, até cheguei a escrever sobre isso! Fiquei especialmente sensibilizada por me colocarem nessa posição, pois demonstrava que me encontravam competências e experiência suficientes para conseguir gerir esse encontro. E, afinal, saí-me bem!

Então, este ano, o convite repetiu-se... para conversar, não com uma, mas com várias turmas, do 2º ao 3º ciclo, no pavilhão multiusos do colégio! Tanta gente!!! A minha primeira reacção foi pensar que não conseguiria cativá-los, que seria horrível e que nem me levariam a sério. Mas - ei! - não estou aqui para as curvas? Não é o meu lema explorar todas as situações que me sejam colocadas, aproveitando-as como se fossem a minha última oportunidade?
Claro que aceitei, ora essa - ou houvesse outra resposta beatrizmente possível!

Portanto, hoje, lá estive...


Colocaram-me no palco em cima do qual actuei em dezenas de festas escolares (dança, teatro, música, ...), completamente sozinha, com um foco de luz a destacar-me, um sofá para me sentar e água para ir bebendo. Não estava naaaaada à espera! Nada mesmo! Tanto cuidado e tanta atenção sobre mim fizeram-me sentir pequena, pequenina, minúscula. À minha frente, apesar de não conseguir vê-los nitidamente devido ao brilho do holofote que me encadeava (e aos óculos que não tinha na cara, ah ah ah), estavam imensos alunos e professores que esperavam que eu fosse capaz de mostrar fluência, à vontade e carisma. Desiludi-los não era, de todo, uma opção!
Abordei diversos temas: a experiência da escola privada em comparação à da escola pública, as notas, as minhas actividades extra-curriculares, o que me motiva, os meus hobbies, esta procrastinação em forma de blogue, as expectativas que tenho para o futuro... Sei que me esqueci de referir imensas coisas que planeara referir, sei que não fui a melhor oradora e que, quando entrei naquele palco "enorme", caiu sobre mim uma grande ansiedade que me impediu de me expressar como desejava. No entanto, também me contaram que quase nenhum aluno (estavam presentes o 7º, o 8º e o 9º ano) se atreveu a falar, algo raríssimo; que consegui, felizmente!, cativá-los; que me colocaram questões no final e que mostraram interesse pelo que partilhei com eles. No final, senti que tinha cumprido a minha parte e que demonstrara ser um bom exemplo, embora, ainda há pouco tempo, tenha estado na pele deles e tenha tido a idade que têm. Em suma, acho que consegui chegar aos meus espectadores e nada me poderia deixar mais satisfeita!

Também matei saudades de todos os professores e funcionários do colégio que me viram crescer e que, agora, se admiram por já ter passado tanto tempo desde que eu fazia intermináveis e dolorosas birras (porque a minha avó me mandava demasiada comida para o almoço), por eu já ter "este tamanho, parece que me metem adubo" e por até já aparecer com um "apêndice/borracho" (segundo apelidaram o Ricardo, que me acompanhou nesta visita); desenterrei recordações que pensei nunca mais recordar; passei em corredores que me fartei de percorrer "para trás e para a frente, para a frente e para trás" durante quase uma década... Enfim, foi uma manhã e tanto!

A minha avó sempre me disse que, um dia, me lembraria do colégio e teria vontade de lá voltar. Por muitos momentos desagradáveis que tenha vivido dentro dos seus portões, os melhores superam-nos! Dito isto: hoje foi o dia.

***

MIL OBRIGADAS a todos os que me concederam esta visita especial e que conseguiram torná-la num dos acontecimentos mais marcantes do meu 12º ano!!!
MIL DESCULPAS a um certo professor que, num certo seu aniversário, foi presenteado pela minha antiga turma com um Big Mac e uma festa surpresa cheia de doces que não pôde comer, por estar em regime de dieta, e que teve de explicar aos seus actuais alunos em que consistiu esse episódio, uma vez que me ocorreu a brilhante ideia de o trazer à memória. (Faça o obséquio de se rir, stôr Nuno! :D )