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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Blogger ausente, por muito que tente

Infelizmente, os meus piores pesdelos blogosféricos estão a tornar-se realidade: raramente tenho tempo (ou disponibilidade mental) para cá vir escrever. Nem para vir ao blogue, nem para muitas outras actividades desta minha vida humana... Mas o blogue? Nunca pensei. É que, sendo o meu trabalho REMUNERADO escrever, as palavras começam a faltar para o trabalho de lazer. Sei lá, fico assim meia perdida. Estou a tornar-me num daqueles autores de blogues que tanto repudiava quando não escreviam tão frequentemente quanto eu esperava deles. Deves ter uma vida muito ocupada, deves... Porque é que nunca mais escreves, caramba??? Deixa-te de coisas e começa a escrever mais, oh tu que tens um blogue não sei bem para quê!

Estão a entender o meu problema existencial?

 

Trabalhar muito e muito bulir, dá um sono que só apetece dormir!

Se há uma lição a retirar da experiência do nosso primeiro emprego remunerado, é a de que não há dinheiro mais valioso do que o nosso. Após anos e anos a depender totalmente da bolsa alheia, satisfazendo os nossos caprichos com dinheiro que não ganhámos, poder, finalmente, comprar o que quer que seja, mesmo uma tablete de chocolate de trinta cêntimos, é uma brisa de ar fresco no ego.

Pessoalmente, já há uns anos que ganho algum dinheiro com os prémios literários, mas isso sempre foi esporádico. Ora vinham uns 200€ daqui, mais uns 100€ dali, e 50€ de acolá, mas nada de certo ou concreto - além de que escrever, para mim, é uma espécie de brincadeira e, não me esforçando muito, o dinheiro ganho a fazê-lo não era o resultado de mais do que alguns minutos ou horas de satisfação. Ficava a ganhar duplamente.

Agora, obter dinheiro através de algo que não é lá muito lúdico nem agradável, é outra coisa totalmente diferente! Tem um valor absolutamente distinto!

Trabalhar em cal-center deve ser dos empregos mais miseráveis do século XXI, principalmente em campanhas como aquela em que me colocaram, em que passo oito horas por dia a repetir as mesmas frases e expressões, a fazer sempre o mesmo e a incomodar imensas pessoas que não pediram a ninguém que as incomodassem (já cheguei a acordar pessoas às 9h da manhã e a interromper um momento muito íntimo, se-é-que-me-entendem… nem vos sei explicar o quão mal me senti!). Podia ser pior, eu sei, que vender cartões de crédito e seguros disto e daquilo ainda é mais desagradável, enquanto eu só estou a “oferecer” consultas auditivas, mas não deixo de chegar ao final da tarde com o cérebro mais moído e mole do que papa Cerelac, como se perdesse 2 pontos de QI por dia.

Felizmente, também é ao final do dia que me sinto orgulhosa de mim mesma, por ter aguentado mais uma jornada, estando 34€ menos pobre e mais perto de conseguir pagar as propinas – e, particularmente, no final da semana ou do mês, como é óbvio.

Não estou autorizada a gastar o meu dinheiro em despesas supérfluas, mas também não me deixo de permitir alguns pequeníssimos luxos, nem que tenha de ir trabalhar ao fim-de-semana. Se sinto que mereço ser recompensada pelo meu esforço, tenho de o fazer, como uma obrigação de mim para mim. Por exemplo, no sábado passado fui trabalhar de manhã para ganhar a saída da tarde: para pagar os bilhetes de metro, o gelado da Santini, a entrada na Fundação Saramago e, eventualmente, um livro (à falta de um, comprei dois, edições de bolso, que me ficaram por pouco mais de dez euros, um dos quais em francês, a ver se estimulo o intelecto e compenso o embrutecimento de que ando deliberadamente a ser vítima).

Não sei por quanto mais tempo continuarei neste emprego. A minha ideia é continuar depois do início das aulas, apenas em regime de part-time, mas receio não ter estaleca suficiente para aguentar a exigência do estudo, equilibrando-a com o trabalho. Lá no fundo, eu tenho a plena consciência de que tenho de ter força e manter a compostura e a cabeça fria… Ainda assim, também sei que só na altura em que as circunstâncias se materializarem é que terei uma resposta às minhas dúvidas. Até lá, é bulir como se não houvesse amanhã e esperar pelo ordenado deste mês.

Vida pessoal? Isso é para fracos!

Tempo para fazer aquilo de que mais gosto? Isso é para nabos!

Tenho sono? Um dia, hei-de ter de me render ao café! 

 

MORAL DA HISTÓRIA Nº1: nunca mais me irão ouvir queixar de que "estudar é difícil".

MORAL DA HISTÓRIA Nº2: ai de mim, se não arranjar um trabalho de que goste e que me dê gozo, depois de terminar a faculdade!

Exames, provas de ingresso, emprego e coisas que tais

Esta manhã deixou-me de rastos. Na verdade, bastaram ínfimos minutos para eu começar a repensar na minha vidinha.

A princípio, a consulta das pautas deixou-me bastante feliz. 19 a Francês e 17,3 a Inglês (de exame de equivalência à frequência!) foram o suficiente para me fazer dar uns pulinhos em cima da cama. O pior veio com a pauta de História A. Eu já devia saber que, quando a coisa corre mal, o resultado é bom, e que, quando a coisa corre bem, devo desconfiar. E eu não desconfiei, foi esse o meu problema. Acreditei que o professor corrector seria um santo caído do céu, acreditei que teria uma nota para lá de satisfatória - não tive, estava-se mesmo a ver. Ainda assim, estou bem ciente do que fiz, verifiquei os critérios e não consigo imaginar no que me terá influenciado de tal maneira a nota para que ela tenha "baixado" desde a expectativa de um 17 para um 13,7 real. Ou seja, além de ser uma nota absolutamente inviável para me candidatar a Ciências da Comunicação, ainda diminuiu o meu 16 de nota pré-exame na disciplina para um 15. Fiquei mais do que fula, choraminguei até não aguentar e desatar num pranto, maldisse tudo o que é Ministério da Educação e respectivas exigências, fiz trinta por uma linha.

 

E, depois, recompus-me. Existe sempre, a seguir a estes momentos, um outro de auto-clarificação em que uma pessoa conclui que há quem esteja em pior posição do que a sua. Eu tive positiva. Eu tenho a possibilidade de pedir uma reapreciação. Eu já entrei na minha segunda opção da faculdade - Línguas, Literaturas e Culturas - que só não é a primeira devido à maior taxa de empregabilidade e estágios de CC. Não chumbei a nada, tenho uma média de secundário muito boa e, além disso, ainda nem sei o que tive no exame de Português! Sinceramente, dada a surpresa de História A, recuso-me a fazer previsões, mas tenho de me mentalizar que, seja qual for o resultado obtido, entrarei num curso do meu agrado. Se quiser realmente ser jornalista, devo é enfiar-me no CENJOR, independentemente do curso de ensino superior em que entrar. Há que ser optimista!

 

Contudo, visto que, a seguir à tempestade, vem a bonança, começo a trabalhar já no dia 17, em Lisboa! Serei paga a recibos verdes mas, pelo menos, já conseguirei amealhar mais qualquer coisinha para ajudar às despesas da faculdade. Apesar de perder quase metade do meu salário em impostos, terei uma segurança acrescida no que toca a manter as condições necessárias para pagar as propinas e o transporte. Não sei se, em tempo de aulas, me aguentarei com o part-time, mas decidi não pensar nisso por enquanto. A minha função será ouvir mensagens áudio e passá-las para texto, o que não deve ser difícil, apenas aborrecido ao fim de algum tempo.

 

Agora, devo somente concentrar-me em fazer a segunda fase de Português (mesmo que a primeira fase me tenha corrido de feição, gosto de ter um plano B), começar a trabalhar e encaixar na cabeça que não voltarei a ter férias nos próximos tempos (por acaso, só me apercebi deste facto ao escrevê-lo... ai, minha nossa!).

For what concerns you, este blogue há-de sofrer as devidas consequências e eu só espero poder atenuá-las com a hora diária que passarei em transportes públicos. Aposto que nem irão reparar (cof, cof).