Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Aprender Inglês sem estudar?

 

Hoje em dia, saber o mínimo de Inglês já é um dado adquirido, ou que o deveria ser, principalmente para a minha geração. Nascemos com todos os recursos à mão, estivemos em contacto com a língua desde muito cedo, tenha sido na escola, na televisão, nos filmes, em palavras emprestadas ao Português... Quando vamos a uma entrevista de trabalho, já nem é só Inglês que temos de falar. É-nos pedido cada vez mais. Bem nos podemos safar!

 

Enquanto professora, gosto de partilhar a minha opinião sobre como aprender Inglês facilmente (ou outra língua não nativa qualquer).

Por exemplo, os meus alunos ficam muito parvos quando lhes digo que nunca senti necessidade de aprender Inglês a estudar. Logo eles, que estão a tirar a licenciatura em Língua Inglesa, gostariam de saber os meus truques. 

 

A questão é: não há truques. Há apenas hábitos. São pequenos gestos diários que fazem a diferença na aprendizagem duma língua. É uma repetição de gestos e pensamentos que valem mais do que mil aulas. Afinal, vamos ser sinceros: muitas vezes aprendemos melhor uma língua estrangeira fora da escola. Perguntem aos vossos pais, aos vossos amigos, aos vossos professores. Muitas vezes, o ensino formal das línguas funciona mais como um complemento. Eu própria aprendi os básicos a ver o Harry Potter e o Cálice de Fogo e respectivos conteúdos bónus vezes sem conta, depois de ter poupado as minhas mesadas até poder comprar o DVD. Ou a ver Crepúsculo. Ou a ler, devagarinho, até perceber quase tudo o que os livros tinham escrito.


Eu percebo a luta que é para muitas pessoas aprenderem línguas e a relutância em investir em aulas (porque, se os professores não forem dinâmicos, as aulas são uma seca prometida). De jovem professora para potenciais poliglotas independentes, aqui vão alguns hábitos para aprender Inglês sem estudar:

 

1. Não substituir as letras originais das músicas pelo linguarejar aleatório

Ouvir música regularmente faz parte da rotina diária de quase toda a gente. Desta forma, a primeira dica que vos deixo é tentarem decorar nem que seja o refrão dos hits do momento que mais passam na rádio ou que vocês ouvem nos vossos telemóveis enquanto vão para a escola ou para o trabalho. Uma vez que o refrão é reproduzido umas três ou quatro vezes em cada música, acabamos por não só cantarolar palavras aleatórias, mas sim a decorar expressões inteiras em Inglês (evitar aprender palavras soltas é um dos princípios mais importantes ao aprender qualquer língua).

 

2. Alterar a língua predefinida nos telemóveis, computadores e outros dispositivos electrónicos

Lá está, aprender Inglês sem estudar pode ser uma consequência natural de hábitos tão simples quanto este. De tanto ler "Clock", de tanto ler "Would you like to reboot your phone?", de tanto ler "low battery", de tanto ler "Your computer is installing a new update", certos padrões de frases vão encaixando a pouco e pouco na nossa mioleira (que é rija, mas nós somos mais).

 

3. Instalar o Pinterest para frases inspiradoras

pinterest.png

 

Parece-vos foleiro? A sério? Eu solidifiquei os meus conhecimentos de Inglês a ver Hannah Montana e a série dos Jonas Brothers em Inglês, antes de saírem em Portugal. Aos 21, estava já a ensinar Inglès na universidade (self-praising time, cough cough). Por esta altura, já deviam saber que NADA é foleiro. Cada um safa-se como pode e provavelmente muitos de nós adoram frases inspiradoras (ou pseudo), que soem a Pedro Chagas Freitas, mas que servem muito bem para o efeito de nos porem a sorrir. Ainda por cima, o conteúdo gramatical e a estrutura desta frases costuma ser simples. Start your day with a smile. Então pronto, uma frase do Pinterest por dia, não sabe o bem que lhe fazia! Depois é só procurem o significado de novas palavras e voilà!

 

4. Ir ao supermercado e procurar o nome dos produtos em Inglês

Quase todos os produtos do supermercao têm rótulos bilingues ou trilingues, o que torna muito fácil identificar relações como "arroz-rice-riz". Não sabem como se diz molho em Inglês? Olhem lá para o rótulo. É "sauce". E os valores nutricionais? ProteinsCarbohydrates. Vitamins. Ainda por cima, estas palavras estão sempre envolvidas num contexto específico, o que mais uma vez facilita a memorização.

 

5. Rever os vossos filmes e séries favoritos (ou leiam os livros) em Inglês que mais vos marcaram...

... e troquem as legendas em Português para legendas em Inglês. Vocês já conhecem a história. Muitas vezes já sabem certas passagens de cor e salteado. Agora, resta ir mais além e ver e ouvir tudo na língua original. 

 

 

De resto, não se deixem abalar pelo início lento. Não sejam duros convosco, sejam duros com o Inglês, persistam, comparem a vossa evolução ao fim dum mês e não de dois dias. Não tentem descobrir logo a diferença entre o past simple continuous e o present perfect, não abram gramáticas e manuais antes de se sentirem preparados para complementar a aprendizagem natural com outros materiais. Apenas... aproveitem a língua. Não façam por odiar o Inglês, que vos pode trazer tantas alegrias a longo prazo. Aprendam Inglês sem estudar, sem pressa, sem pressão e sem expectativas.

 

Boa sorte!

O quanto eu odeio corrigir exames

Adoro o meu trabalho. Adoro assistir à evolução dos meus alunos, de caras de incompreensão à iluminação final, a diferença que posso fazer na cabeça, na vida deles, no mundo, as vidas que posso tocar, as conversas que posso gerar, pagarem-me para ter audiência (uma que seja obrigada a ouvir-me, pelo menos). 

Adoro sentir que estou a fazer a minha parte em prol das futuras gerações, a nível global. Sinto-me a maior sortuda por ter merecido este trabalho de sonho. 

 

O que eu dispensaria mesmo é aquela fase em que tenho que corrigir 180 exames e trabalhos e lançar as notas numa semana. Só de pensar, até fico enjoada, e tomara eu que esta fosse só "uma expressão ".

5 desafios de ensinar no estrangeiro

IMG_20170502_165904_373.jpg

Com os meus 117 alunos deste semestre, 1º e 2º ano da licenciatura em Artes Liberais, major em Inglês.

 

Viver fora de Portugal já é suficientemente difícil, mas ensinar no estrangeiro é ainda mais desafiante.

Em primeiro lugar, tenho de vos alertar desde já que adoro ensinar na Tailândia. Esta é uma experiência que está a mudar a minha vida a cada dia que passa.

Tirando as saudades que tenho de casa, da família, do namorado, dos amigos e de Portugal, sinto que só tenho retirado boas energias e um desenvolvimento pessoal e profissional bastante positivo.

No entanto, ensinar no estrangeiro tem também muitos desafios e é preciso ter-se um não sei quê de perseverança e coragem para os resolvermos.

 

1. O passado educativo dos alunos é, inicialmente, uma incógnita para nós

Por muitos livros que nos informem acerca dos sistemas de ensino do país onde vamos trabalhar, a forma como os alunos se comportam vai provavelmente revelar-se... apenas na sala de aula, no terreno. Por exemplo, eu já sabia que a educação na Tailândia não dá lugar ao pensamento criativo e à discussão livre entre professores e alunos, que is professores têm quase sempre a última palavra. Na verdade, todas as palavras. Os alunos são motivados em direcção à passividade. Mas sabia lá eu que eles iam detestar que lhes dessem a possibilidade oposta! (Entretanto, os meus já levaram um tratamento de choque e muitos já dizem que gostam das minhas infindáveis perguntas. Eu também levei uma chapada sem mão e deixei de stressar por não ter muitos potenciais participantes.)

 

2. Os alunos são diferentes, as burocracias idém

Outro desafio de ensinar no estrangeiro é lidar com os documentos de legalização e de ter de o fazer com o staff da escola/instituto/universidade. No meu caso, achei tudo muuuuuito lento, as pessoas complicadinhas até mais não e cheguei a chorar de desespero, já pensava em deportação, problemas com a lei, os oficiais da imigração virem à minha faculdade passar-me uma multa por ainda não ter o visto ou a licença de trabalho regularizados. A outra parte também foi levada às lágrimas, não fui só eu. Afinal, os desentendimentos são bilaterais e precisamos todos uns dos outros.

 

3. A barreira linguística. Perdão, não é barreira, é um muro. Com vidro partido em cima. E arame farpado.

Imagino que ensinar num país cuja língua materna seja parecida às que falamos ou que nós dominemos acabe por facilitar a nossa adaptação. No entanto, imaginem que não falam nenhuma língua próxima, quanto mais a língua local, o alfabeto é incompreensível, o staff administrativo fala um inglês macarrónico, ninguém se entende... Pois, é como voltar à Torre de Babel. Ainda bem que a maior parte dos meus alunos são "English Majors" e que os meus colegas também são professores de Inglês.

 

4. Os alunos cresceram num país diferente, logo pensam distintamente

Desde a questão da falta de pensamento crítico que já não me agradava "a conversa" (ou falta dela). Só quando começarem a conhecer os vossos alunos e a falar com eles diariamente é que os vão realmente entender, mas penso que haverá sempre alguns que simplesmente se fecham em copas e depois esperam que tenhamos poderes telepáticos para lhes ler as razões, os quês e os não sei quês. Estas diferenças poderão estar relacionadas com tabus culturais, estruturas familiares e organizacionais, expectativas a nível pessoal e profissional, linguagem corporal, expressões faciais, registo de língua... You name it!

 

5. A posição e reputação dos professores no país

No que toca à Tailândia, os professores não são os profissionais que são recompensados mais justamente, mas são provavelmente das classes mais respeitadas na sociedade. Um professor é um chefe, uma figura da autoridade e quase omnisciente. As vénias (ou wais) que recebia no início pareciam-me uma tolice desnecessária. Contudo, aprendi a apreciar este tratamento e a negociá-lo com os meus alunos. Tive de lhes ensinar que professores e alunos devem aprender mutuamente. Que temos de trabalhar juntos em direcção a um objectivo comum. E que o respeito deve ser merecido e que eu estou sempre a tentar merecê-lo. Também eu demonstro o respeito que tenho pelos meus alunos, com vénias (a saudação tradicional), palavras de encorajamento ou com simples conversas e confidências. Por outro lado, outros professores terão experiências opostas.

Preparem-se sempre para serem mais ou menos respeitados no vosso país de acolhimento e para as respectivas consequências. Preparem-se para serem tratados com mais ou menos deferência, de acordo com a perspectiva dos vossos alunos, superiores e colegas em relação aos estrangeiros.

 

E vocês, têm mais sugestões? Até agora, estes são os maiores desafios que encontro ao ensinar num país estrangeiro, mas certamente haverá mais listas por aí. Que tal as vossas ideias?

Último dia na FLUL

Acabei de assistir à última aula da minha licenciatura na FLUL. Resta-me apenas vir cá no dia 20 de Junho apresentar o meu relatório de estágio.

Acho que ainda não me tinha apercebido da importância deste acontecimento, dado que a tarde foi marcada pelas pressas em terminar o dito relatório de estágio, entre paralisias inesperadas do meu computador, detalhes que tinham sido esquecidos e ficaram para o atar das feridas*, e a grande excitação de saber que dentro de três semanas já estarei eu própria a dar aulas do outro lado do mundo.

 

Acabei de assistir à última aula da minha licenciatura na FLUL. Então, brindemos mentalmente a um possível regresso, dessa feita estando eu do outro lado da mesa!

 

*Mas olhem que ficou tudo bem bonito e organizadinho, estou uma babadona pelas minhas 111 páginas!!!

Universidade #9 - Pasta de finalista + bênção das fitas

Como em tudo no que toca às pseudo-tradições académicas, escolhi experimentar estas duas, com receio de me arrepender mais tarde caso não tivesse fazer parte delas. Tenho para mim que é sempre melhor "ver para crer", em vez de nos pormos com peneiras e falsos orgulhos, mesmo que, à partida, aquilo com que nos deparamos nos pareça uma mariquice.
Foi com isto em mente que comprei e mandei fazer a minha pasta de finalista, mais as fitas azuis timbradas da minha faculdade, e me inscrevi na benção das ditas cujas. Provavelmente, quem me conhece e me ouviu falar sobre estes assuntos desde o primeiro ano no ensino superior acabou por se surpreender. Ah e tal, que eu sou uma vendida, uma troca-tintas, uma Maria vai com as outras. Se calhar sou, porque a certa altura eu achei que isto dos finalistas era tudo uma gravíssima lamechice e que gastar um sábado inteiro ao sol numa cerimónia com milhares de pessoas, mais uma pequena fortuna na pasta, nas fitas e no bilhete era duma pessoa se atirar da ponte. Afinal, se tudo correr pelo melhor, ainda hei-de ser finalista mais duas vezes.
Só que, quando chegou o momento da verdade, aquele em que me defrontei com a possibilidade de fazer ou não fazer o que estou prestes a fazer... Aí é que foram elas! Deixar passar a oportunidade e ficar na ignorância é que não! Por isso, encomendei a pasta de finalista e cá tenho eu andado a distribuir as minhas fitinhas pelo pessoal, à espera que me escrevam, desenhem e desejem coisas bonitas, dignas de ser abençoadas pelo Cardeal Patriarca no dia 21.

Depois, conto-vos como foi.

 

 

 

A dita cuja! #ciênciasdacultura #flul #ulisboa #senioryear #bênçãodosfinalistas

Uma foto publicada por Beatriz Canas Mendes (@beatrizcanasmendes) a

Queridos professores,

Venho, por este meio, solicitar que deixem os alunos escolher o estilo de citação nos seus trabalhos (Chicago, APA, MLA, Harvard... who the hell cares???), porque eles existem em número superior à quantidade de neurónios na minha cabeça às nove da noite.

E, já que estamos por aqui, vamos falar a sério. Parem, de uma vez por todas, com isso do "20 é para Deus, 19 é para o professor e 18 é para o Stephen Hawking". Por causa dessa brincadeira forreta, despenteiam-me a média. Que eu saiba, a avaliação possível vai de 0 a 20, não de 10 a 17. E não, 18 não é uma "nota boa", é uma nota real e ponto final, tal como o 19 e o 20 - que, já agora, também constam da minha pauta, graças a professores menos bota de elástico. #ficaadica

 

Saudações esquentadamente cordiais,

Beatriz

Universidade #8 - Ciências da Cultura (diz que é uma espécie de review final do curso)

Foi-me pedido que escrevesse uma apreciação acerca da licenciatura em Ciências da Cultura (na FLUL), como trabalho de casa na cadeira de Seminário de Estágio. Já agora, publico-a aqui, caso haja alguém interessado em saber ainda mais sobre o meu curso. De qualquer forma, eu e os meus colegas da Comissão de Ciências da Cultura estaremos na Futurália, de 16 a 19 de Março, para promovermos a licenciatura e a faculdade, assim como para retirar todas as dúvidas aos futuros universitários e curiosos!

 

IMG_20160303_103110_558.JPG

 

***

 

Ciências da Cultura foi a licenciatura que mais me despertou a atenção desde o 8º ano, quando comecei a pensar no que gostaria de estudar no ensino secundário e, consequentemente, no ensino superior.
Apesar de, entretanto, a minha atenção ter deambulado por outras alternativas, fico feliz por ter seguido em frente com a minha primeira ideia e até de não ter tido uma nota suficiente no exame de Português, o que me daria a hipótese de seguir Ciências da Comunicação na FCSH.
Em geral, as razões pelas quais me sinto mais satisfeita com a licenciatura que escolhi estão particularmente relacionadas com o prestígio da FLUL em certas áreas disciplinares. Sinto que, para mim, o ensino da Literatura e da História são os "pontos fortes" do curso, pois todas as cadeiras de cultura que tive focaram-se bastante nelas na sua abordagem (por exemplo, lendo as epopeias e tragédias gregas e romanas em Cultura Clássica, Beowulf em Cultura Medieval e O Elogio da Loucura em Cultura Renascentista). Já tendo em conta estes "pontos fortes" da FLUL, escolhi como cadeiras opcionais no 2º ano Ficção Científica e Fantasia de Expressão Inglesa e História, Memória e Literatura. De facto, além das cadeiras de Cultura, estas foram as minhas favoritas na FLUL.
Por outro lado, as cadeiras que menos me despertaram o interesse ou cujos professores não corresponderam às minhas expectativas pertencem área de Linguística. Por ter sido a primeira cadeira do género e por a professora me ter cativado, gostei muito de Linguagem e Comunicação, mas sinto que o plano curricular de Produção do Português Escrito foi redundante e que não aprendi muito, apesar de a ter terminado com uma boa nota. Apesar de ter gostado de ambas, Teoria da Comunicação, Sociologia da Comunicação e Análise do Discurso também foram semelhantes em vários pontos do programa.
No que toca às cadeiras de Inglês, desde o início do curso que me parece desnecessário empregar 36 créditos na aprendizagem de uma língua com que os alunos já terão - pelo menos - entrado em contacto no ensino básico e secundário. No meu caso, concluir três níveis de C2 não me irá beneficiar tanto quanto possa parecer.
No 1º semestre do 3º ano, tive a oportunidade de frequentar a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, através do Programa Almeida Garrett, uma vez que me foi impossível fazer Erasmus noutro país, por razões económicas e de trabalho. Felizmente, esta experiência não poderia ter sido melhor. Além de ter entrado em contacto com outros docentes (muitos deles, antigos alunos e professores da FLUL) e métodos de trabalho, também achei que as matérias leccionadas vieram complementar perfeitamente o que já tinha estudado na FLUL. Na FCH, escolhi como opcionais a cadeira de Escrita Criativa, por curiosidade e gosto pessoal, e Estudos de Cinema, por conveniência de horário. No final, o balanço das duas foi muito positivo, mesmo em Estudos de Cinema, pois permitiram-me estudar novas matérias e autores, muitos deles de forma inesperada.
Penso que a maior desvantagem de Ciências da Cultura enquanto curso de Letras é não estar organizado de maneira a permitir a candidatura à maior parte dos Mestrados em Ensino.
Contudo, uma das maiores vantagens de Ciências da Cultura na FLUL é preparar os seus alunos com conhecimentos diversos, que poderão ser aplicados em muitos contextos de trabalho (o que se confirma, dada a lista de entidades de acolhimento para os estágios curriculares), assim como nos prepara para a frequência de mestrados em áreas distintas, não só na área de Letras ou Ciências Sociais e Humanas.

FLUL vs. Faculdade de Ciências Humanas da UCP

Collage 2016-02-27 20_31_20.jpg

 

Regressei há duas semanas à Faculdade de Letras e já sinto falta das casas-de-banho asseadas e da eficiência dos serviços académicos da Faculdade de Ciências Humanas.
Também me apercebi que deixei de ser imune a professores efusivos e com características muito... características (para o bem e, infelizmente, para o mal). Lembro-me de até gostar de certos casos, mas acho que fiquei mal habituada aos acessos de loucura docente que, no 2º ano, ainda me fascinavam.
De certa forma, os colegas são um factor indiferente na equação. Conheci pessoas extremamente interessantes nos dois sítios e, no final de contas, acho que todos os encontros dependem de muitos acasos. A contabilização deficiente de faltas na FLUL e as aulas mais curtas e intervaladas da FCH+direito privilegiado a hora de almoço que o digam.
No que toca às condições dos edifícios, continuo a preferir os da FLUL, até as caves e o Pavilhão Novo (recentemente restabelecido, décadas depois, tendo voltado a fazer um bocadinho mais de justiça ao nome que carrega), mesmo quando chove lá dentro, por isso ainda não sei como irei viver sem eles diariamente a partir de Junho, se o semestre na FCH já me deixou tão saudosa. Quero lá saber das variações ridículas de temperatura de sala para sala ou das salas para o corredor. Eu gosto é do ar que se respira na FLUL, daquele ar húmido que emana as gerações de estudantes e professores que já a habitaram. Não há limpeza na FCH que me dissuada deste amor que eu nutro pelas instalações da FLUL. E aquela biblioteca... Oh, querida biblioteca sem pó, albergue duma variedade invencível de livros! A quantidade de escadarias na FCH também não abona a favor da mesma no presente confronto de titãs e muito menos a carência de locais calmos para pôr o estudo em dia.
Porém, uma coisa é certa: há professores queridos e competentes nas duas faculdades, que adoram os alunos e vivem apaixonadamente o espírito de entreajuda e de transmissão do conhecimento. No final, esta é a conclusão mais relevante a sublinhar e que certifica tanto a FLUL quanto a FCH enquanto instituições de ensino onde dá gosto e prestígio estudar. Qualquer que seja a escolha de futuros alunos do ensino superior, ficarão bem servidos.

Era uma vez, no Facebook

Ainda está para ser descoberta a razão por trás de os meus colegas da faculdade (principal e ultimamente os da Universidade Católica) me estarem todos a adicionar no Facebook. Pelo menos todos aqueles a quem falei uma vez na vida o têm feito.
Mas porquê? E para quê?
Porque, de repente, se lembraram de que eu sou a pessoa mais interessante à face da terra? Ou para me poderem conhecer melhor, isto é, para me fuçarem no perfil e confirmarem as suas expectativas em relação a mim? E, seja como for, embora eu tenha passado quatro meses a vê-los quase todos os dias, no final, da quantidade de colegas com quem tive aulas, só fiquei amiga de uma.
Até à época de exames, ainda foi naquela: queriam pedir-me apontamentos, perceber melhor a matéria. Já nessa altura se deram mal comigo, que eu deixo esse tipo de mensagem por ler ou desvio o assunto. Agora... Bem, agora que eu não voltarei a ser colega deles, que qualquer oportunidade de contacto pessoal comigo já se esgotou, qual a utilidade de me coleccionarem na lista de amigos das redes sociais? Só se for para eu me tornar mais uma a distribuir-lhes likes. Enfim, sem comentários [originais].
Além do mais, o que se aplica aos meus colegas da faculdade aplica-se de igual forma a qualquer pessoa com quem me cruze.
Não, eu não aceito desconhecidos "em amizade". Tenho o meu perfil em modo privadíssimo por algum motivo. Dizerem-me bom dia de vez em quando e saberem o meu primeiro nome não é o suficiente para lhes conceder acesso a informações privilegiadas, como quem são a minha família, os meus amigos de carne e osso, onde vivo, qual é o meu meme favorito ou que jornais online é que eu leio. De qualquer maneira, sempre podem ler o meu blogue e pôr um like na respectiva página de Facebook. Aqui, já podem ser meu fãs à vontade, se é isso que o querem ser! Porque a amizade constrói-se frente a frente.

Adeus, 5º semestre!

E pronto, já só me falta um semestre de licenciatura. Algumas pessoas que conheço ficam muito admiradas. "O quê, já está a acabar?" Pois estou! "Mas que idade é que a Beatriz tem??!"
Ontem, contei a um dos meus explicandos que vou começar a "dar aulas" (estágio) daqui a menos de um mês a turmas de sétimo ano (alunos da idade dele!). O rapaz abriu muito os olhos, disse que não acreditava. "Não vai nada!" Pois vou! E esta é a incredulidade de quem só levantou a negativa a Inglês porque eu estudo com ele, lhe ensino quase tudo como se nem sequer passasse pelas aulas.
A minha avó já brinca: "Senhora doutora, como está a Senhora doutora?". É só para me picar.
Alguns dos meus professores da faculdade começam a interessar-se e a perguntar-me o que é que pretendo fazer depois da licenciatura. Alguns sugerem mestrados e percursos académicos futuros.
E daqui a seis meses serei uma miúda de 21 anos licenciada em Ciências da Cultura! Vejam só! Eu, que ainda passo por quinze e dezasseis e a quem os meus explicandos de doze, treze e catorze têm dificuldade em não tratar por "tu" (alguns tratam-me mesmo) - eu terei já estudado durante esses ditos quinze anos! E, mesmo assim, ainda me faltarão, no mínimo, 5 para estudar até onde quero!
Com 21 anos, como se já não bastasse namorar há uma eternidade com a mesma pessoa, também terei um canudo! E já terei dado explicações a pelo menos 6 alunos do ensino básico e secundário!!!! E dinamizado aulas com 4 turmas! E trabalhado em para aí 5 empresas e entidades diferentes! E viajado para pelo menos 4 países estrangeiros no espaço de 36 meses!
Acho que os números são extremamente curiosos. Eles falam por si, enquanto eu mal acredito que falam igualmente por mim. Aliás, eu é que falo por eles, não é? Eu é que os faço...
Nem dá para crer na quantidade de acontecimentos que couberam nos últimos dois anos e meio.