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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Quando se é monitor, a opinião deles é que conta

 

 

 

 

 

 

Pronto, e a dos pais. E a do coordenador. E a dos colegas. Mas, para mim, é a dos "meus miúdos" que mais me deixa satisfeita ou com vontade de fazer melhor. Foram três semanas e meia em que tive de gastar todas as reservas de energia que tinha... e mais algumas que tive de encontrar pelo caminho. Acho que podia ter feito melhor, mas não sabia bem como seria capaz. Talvez para o ano (se houver "para o ano") me saia com mais jeito para a coisa. Acho que fiquei um bocado à sombra dos outros monitores, mais experientes. Raramente deixei de me sentir "a monitora nova". 

Espero realmente ter marcado a diferença no Verão das crianças com quem estive. Espero que relembrem o mês de Julho de 2014 como algo que valeu a pena, mesmo que tenhamos subido uma serra à beira-mar, com arribas escarpadas por todo o lado, com gravilha escorregadia e plantas que picam; mesmo que alguns miúdos mais irrequietos tenham tentado destabilizar os meus nervos e os outros tenham levado por tabela (seguindo-se um pedido de desculpas, sempre que me ocorria o quão injusta estava a ser); mesmo que nem sempre tenha acordado com a sensação de "que giro, vou trabalhar 10 horas seguidas", com mil olhos postos nos putos e três pares de orelhas para conseguir perceber as indicações que me eram sugeridas para lidar com Isto e Aquilo. 

 

E pronto, em 2015 poderá haver mais...!

Monitora X desorienta-se

Ok, a Monitora X é nova nestas andanças e tem muito que aprender. Péssimo hábito a largar: vício do telemóvel enquanto os miúdos estão a brincar "algures por aí". Parece que não há nada a fazer, mas há - supervisionar a toda a hora, sempre de olho aberto e atento! Ah e tal, a Monitora X achava que tinha sorte porque lhe tinham atribuído os meninos e meninas mais pacíficos? Tentem "demasiado pacíficos" ou "louca e permanentemente em guerra uns com os outros". Das duas uma: ou só querem é ficar na areia, a jogar ou a dormir debaixo do guarda-sol, em vez de aproveitarem a oportunidade de experimentar as actividades planeadas (surf, vela, canoagem, ir à água, entretenimentos vários) ou quase que se matam entre si, preferencialmente os colegas do sexo oposto (com alguns insultos pelo meio). Enfim, idades parvas. Só é uma pena que, deste modo, não haja lugar para a dinâmica de grupo, para uns minutos de paz e sossego, para um jogo em que torçam pela vitória comum, com trabalho de equipa, e que os façam destacar no meio da multidão de miúdos que, excepto todos os outros defeitos que possam ter, são uns queridos uns para os outros e entoam os cânticos que criaram em conjunto com orgulho e paixão! Ainda estou para descobrir se o problema é meu. Se calhar, a Monitora X precisa de uma nova abordagem.

 

Fora isso, adoro o que tenho andado a fazer.

Tumbas!

E, agora, só para quem ontem pensou que eu não fazia nada da vida, tenho uma notícia a dar-vos: HOJE contactaram-me para ir trabalhar AMANHÃ. Às 8h30. Como monitora de férias. Com criançada. Sem hora de saída. Estava como suplente e até fiz a formação. Parece que alguém desistiu e que me deixou o lugar livre (yupi!).

Pelo menos, vou ser paga.

Enquanto isso, continuo a trabalhar no copywriting, mesmo que a meio-gás.

 

Se sobreviver, aviso.

Cenas que têm acontecido

Fiz 19 anos. Sabe-me ao mesmo que os 18, mas não ao mesmo que os 17. Acho que 17 e 19 são idades diferentes, mas 18 e 19 condizem mais um com o outro: estou na faculdade, emocionalmente equilibrada, em harmonia com o universo, estudo e trabalho. O último ano tem sido assim, tão simples. Espero que este continue assim ou que fique ainda melhor - apesar de "melhor" ser quase impossível. Sempre posso ganhar a lotaria!

No meu dia de aniversário, Portugal jogou com a Alemanha. Portugal foi comprado pela tia Merkel, estou praticamente certa disso. Já não é novidade que o Cristianinho é sempre o mesmo sonso, que joga muito lá fora e para Portugal dá uns toques, mas o resto da selecção não é nada má. Juro que vi um jogador português a deixar entrar, muito pacificamente, o terceiro ou quarto golo da Alemanha, como quem vê aviões a passarem em cima da Cidade Universitária - estoicamente. E aquela cena do outro a querer malhar em cima do alemão foi cá um teatro! Toda a gente sabe que muitos dos jogadores portugueses são chungas, mas aquilo foi simplesmente... exagerado.

Os exames nacionais do ensino secundário começaram. É engraçado como algo que me aconteceu e que me disse respeito até há relativamente pouco tempo deixou de ter tanto significado para mim. Acho que, depois do primeiro ano de faculdade, toda a minha percepção do nível de dificuldade dos exames se alterou. Acho que, se fizesse agora os exames, teria muito melhores notas com menor esforço. Contudo, lá está: gosto muito mais do que estudo agora e estou muito mais motivada do que estava no 12º ano, o que influencia bastante os resultados.

Ter um trabalho como freelancer durante as férias, sem horários ou obrigações e, ainda por cima, com todo o tempo por minha conta, é mais complicado do que parece. Em tempo de aulas, tinha de o fazer no mínimo de tempo possível, nos pequenos furos entre aulas, horas de almoço, antes de ir para a faculdade... Agora, estou entregue a mim mesma. Tenho de aprender a distrair-me menos na Internet, a ser mais regrada, mais rígida e exigente com os horários, para que me sobre mais tempo livre para fazer outras coisas de que também gosto (como vir cá escrever mais frequentemente ou abater a pilha de livros que quero ler!).

Falta mais ou menos 1 mês e 19 dias até ir para Newcastle.

Deu-me um achaque

E pronto, assim se passou um Verão (ou assim está ele a acabar…). Não correu nada como eu esperava, não fiz nada do que e como esperava, não escrevi nada como esperava. Em suma, foi um Verão sem grandes acontecimentos, sem altos ou baixos, apenas com um objectivo em mente: conseguir amealhar dinheiro para a faculdade através de um emprego.

Ao contrário do que tem acontecido em todos os períodos de férias que já tive na minha vida, nunca tive a oportunidade de me sentir entediada nestas últimas semanas, ou não regresse eu mais do que “morta matada” a casa, ao fim de um dia de trabalho, depois de onze horas sem ver a minha rica caminha nem sentar o meu rabinho ossudo no sofá fofinho cheio de pelos dos cães.

O que, para mim, acaba por ser realmente um problema de enorme gravidade é não vir cansada fisicamente, mas sim psicologicamente. Deste modo, as horas que passam desde que trespasso o portão até me ir deitar são gastas a procrastinar. Sim, eu até voltei a procrastinar, e nem sequer foi de livre vontade! Afinal, não existem lá muitas actividades que me dêem verdadeiro gozo que se possam realizar sem o mínimo de esforço intelectual: ler, escrever, arrumar o quarto ou até jogar Angry Birds. Dou por mim, com alarmante frequência, a mirar o ecrã do computador ou da televisão com a mente totalmente em branco, feita parva. Quando calha ir jantar a casa do Ricardo, praticamente só tenho tempo para comer, antes de cair desfalecida, sem forças, em qualquer encosto ou braços de quem me apanhe em pleno processo de low battery.

Escrever, está quieto. Não consigo reservar impulsos nervosos suficientes durante o dia para conseguir formular mais do que um par de linhas de seguida durante a noite. Não existissem os fins-de-semana ou pequenos textos escritos, esporadicamente, enquanto trabalho, e eu já estaria a entrar em paranóia (mais do que estou, pelo menos).

Ah pois, e os fins-de-semana, que não chegam para nada?! Ora é a mândria, ora é o tempo que passo com a família, ora é o tempo reservado para namorar: parece-me que nem chego a aproveitar bem esses momentos, tal é o estado de retardamento cerebral e de ansiedade pré-segunda-feira em que me encontro.

Eu só quero recuperar a minha sanidade! Não quero continuar a acordar como quem vai ser imediatamente reencaminhada para a morgue; não quero continuar a responder de forma torta a toda a santa criatura que não pareça compreender que EU ESTOU EXAUSTA E SÓ QUERO QUE ME DEIXEM EM PAZ E SILÊNCIO, CARAMBA; não quero ter de continuar a adiar encontros com os meus amigos e de invejar a liberdade que eles têm para sair à noite sem se preocuparem a que horas têm de se deitar, a liberdade que têm para fazer planos inesperados, enfim, a liberdade que têm para não perderem a sua identidade.

Porque é exactamente isso que eu sinto que me está a acontecer! Neste Verão, paguei as propinas do primeiro ano da faculdade, mas não fiz nada que me satisfizesse o ego. Mal tive tempo para respirar, quanto mais…! Nem sei o que seria de mim se para a semana não começasse já a trabalhar em part-time, cruzes-credo!

A duas semanas de retomar o estudo, de iniciar uma nova etapa da minha vida pessoal e escolar, nem consegui ainda assimilar todas as novidades que vou enfrentar. Falta-me o descanso, os momentos a sós, a dois, a três, a quatro e ao monte, falta-me a preparação e a reflexão, falta-me ter aquela pausa em sintonia com o resto do mundo, sem palpitações várias ou dores de alma desnecessárias.

Mas, acima de tudo, faltam-me horas de sono. É imperativo tentar acabar com as insónias… A começar agora. Por isso é que vou mas é ganhar juízo e deixar o resto das lamechices pseudo-filosóficas e introspectivas para outro dia. Isto só pode ser do sono.

Trabalhar muito e muito bulir, dá um sono que só apetece dormir!

Se há uma lição a retirar da experiência do nosso primeiro emprego remunerado, é a de que não há dinheiro mais valioso do que o nosso. Após anos e anos a depender totalmente da bolsa alheia, satisfazendo os nossos caprichos com dinheiro que não ganhámos, poder, finalmente, comprar o que quer que seja, mesmo uma tablete de chocolate de trinta cêntimos, é uma brisa de ar fresco no ego.

Pessoalmente, já há uns anos que ganho algum dinheiro com os prémios literários, mas isso sempre foi esporádico. Ora vinham uns 200€ daqui, mais uns 100€ dali, e 50€ de acolá, mas nada de certo ou concreto - além de que escrever, para mim, é uma espécie de brincadeira e, não me esforçando muito, o dinheiro ganho a fazê-lo não era o resultado de mais do que alguns minutos ou horas de satisfação. Ficava a ganhar duplamente.

Agora, obter dinheiro através de algo que não é lá muito lúdico nem agradável, é outra coisa totalmente diferente! Tem um valor absolutamente distinto!

Trabalhar em cal-center deve ser dos empregos mais miseráveis do século XXI, principalmente em campanhas como aquela em que me colocaram, em que passo oito horas por dia a repetir as mesmas frases e expressões, a fazer sempre o mesmo e a incomodar imensas pessoas que não pediram a ninguém que as incomodassem (já cheguei a acordar pessoas às 9h da manhã e a interromper um momento muito íntimo, se-é-que-me-entendem… nem vos sei explicar o quão mal me senti!). Podia ser pior, eu sei, que vender cartões de crédito e seguros disto e daquilo ainda é mais desagradável, enquanto eu só estou a “oferecer” consultas auditivas, mas não deixo de chegar ao final da tarde com o cérebro mais moído e mole do que papa Cerelac, como se perdesse 2 pontos de QI por dia.

Felizmente, também é ao final do dia que me sinto orgulhosa de mim mesma, por ter aguentado mais uma jornada, estando 34€ menos pobre e mais perto de conseguir pagar as propinas – e, particularmente, no final da semana ou do mês, como é óbvio.

Não estou autorizada a gastar o meu dinheiro em despesas supérfluas, mas também não me deixo de permitir alguns pequeníssimos luxos, nem que tenha de ir trabalhar ao fim-de-semana. Se sinto que mereço ser recompensada pelo meu esforço, tenho de o fazer, como uma obrigação de mim para mim. Por exemplo, no sábado passado fui trabalhar de manhã para ganhar a saída da tarde: para pagar os bilhetes de metro, o gelado da Santini, a entrada na Fundação Saramago e, eventualmente, um livro (à falta de um, comprei dois, edições de bolso, que me ficaram por pouco mais de dez euros, um dos quais em francês, a ver se estimulo o intelecto e compenso o embrutecimento de que ando deliberadamente a ser vítima).

Não sei por quanto mais tempo continuarei neste emprego. A minha ideia é continuar depois do início das aulas, apenas em regime de part-time, mas receio não ter estaleca suficiente para aguentar a exigência do estudo, equilibrando-a com o trabalho. Lá no fundo, eu tenho a plena consciência de que tenho de ter força e manter a compostura e a cabeça fria… Ainda assim, também sei que só na altura em que as circunstâncias se materializarem é que terei uma resposta às minhas dúvidas. Até lá, é bulir como se não houvesse amanhã e esperar pelo ordenado deste mês.

Vida pessoal? Isso é para fracos!

Tempo para fazer aquilo de que mais gosto? Isso é para nabos!

Tenho sono? Um dia, hei-de ter de me render ao café! 

 

MORAL DA HISTÓRIA Nº1: nunca mais me irão ouvir queixar de que "estudar é difícil".

MORAL DA HISTÓRIA Nº2: ai de mim, se não arranjar um trabalho de que goste e que me dê gozo, depois de terminar a faculdade!

Eu, tu e o Saramago

Ontem, a tarde foi assim...

 

Começámos com os deliciosos gelados da Satini do Chiado (laranja e cenoura para a Carolina, chocolate e brigadeiro para mim - porque apenas um tipo de chocolate é para fracos)...
... e depois fomos ver a Sé.
Entretanto, perdemo-nos e, ao fim de muitas voltas, um Google Maps do smartphone e uma paragem para perguntar o caminho, conseguimos dar com as traseiras da fundação (não antes de já lá termos estado, mas sem nos apercebermos do que se tratava)! *Atentem na minha cara de rainha de beleza.*
Afinal, a Casa dos Bicos fica a poucos metros da estação de metro do Terreiro do Paço, quase à beira-rio.
Esta era uma saída já prometida desde há umas semanas atrás. Tanto eu como a Carolina somos leitoras ávidas e sempre à procura de mais bagagem literária e cultural, pelo que não poderíamos descansar enquanto não visitássemos a Fundação José Saramago - eu, por gostar muito da obra do senhor e do que ela representa na literatura portuguesa (e, porque não?, mundial), e ela, pela curiosidade e por querer obter algum incentivo para se aventurar por páginas saramaguianas.
A exposição preenche apenas o primeiro andar, mas chega bem pelo conteúdo. Mal lá entrei, pensei de imediato "pronto, lá vou eu ter que voltar para ver tudo outra vez". E com todo o gosto! Há demasiado para ler, para prestar atenção, esmiuçalhazinhas que não o são, porque fazem parte do percurso pessoal e profissional do Saramago, e que a mim muito me agradam enquanto sua admiradora. Portanto, são imperdíveis. São as centenas de capas das várias edições, nacionais e esrangeiras, dos diversos livros, são os cadernos e caderninhos de apontamentos, as agendas, as distinções, as fotografias, os manuscritos ainda batidos à máquina ou já digitados a computador, todos eles com anotações feitas à mão, o material de investigação para cada história, a correspondência e os e-mails com amigos e colegas, a recriação do seu escritório - são as provas de que esta pessoa, José Saramago, viveu neste mundo, escreveu o que escreveu e merece ter alcançado a glória almejada por qualquer profissional ou artista; são pessoas como ele que inspiram outras e que são capazes de mover "vontades" alheias (sei lá, como a minha!). Apesar de a exposição estar orientada para quem conheça minimamente os seus livros, qualquer um com o mínimo de interesse acerca do assunto há-de conseguir disfrutar igualmente da visita.
Dito isto, tenho meeeeeeeeeesmo que lá voltar sozinha para me poder perder sem arrastar ninguém na onda, digamos assim. No final, só fiquei um bocado revoltada por as edições estrangeiras dos livros do Saramago serem vendidas a um preço bem mais acessível (chegava a ser apenas metade!) do que as edições portuguesas. Compreendo que, tratando-se de maiores tiragens, essa edições ficam mais rentáveis, mas... até na própria Fundação Saramago, no centro de Lisboa???! Porquê? Os portugueses são assim tão ricos que possam gastar vinte e tal euros de uma assentada para poderem ter acesso à sua cultura?
Mas não nos alarguemos mais em devaneios reservados para outras ocasiões.
O que interessa é que os 2€ do bilhete de estudante valem totalmente a pena, ainda se dá um passeio engraçado antes e/ou depois da visita e assim se passa uma tarde engraçada e cheia de sol, em boa companhia (falo por mim, escolham bem a vossa!). Recomendável para quem não quer gastar muito dinheiro sem deixar de se divertir e de (re)conhecer Lisboa. Não se esqueçam de levar uma garrafa de água o mais fresca possível e um lanche leve mas nutritivo (preferencialmente, numa mochila) e pronto, ei-vos preparados!