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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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A favor dos quadros de honra

Descobri anteontem uma publicação do blogue da Rita Ferro Alvim que me intrigou bastante, a par dos comentários deixados pelos seus leitores. Já data de 2014, mas o assunto é transversal a qualquer ano e contexto.

Então: será melhor haver quadros de mérito e de honra nas escolas... ou não?


Sendo eu uma aluna que estudou nove anos no ensino básico privado e três no ensino secundário público, mais dois anos no ensino universitário público e desde há dois meses para cá no ensino universitário cooperativo (ensino público, com certas vantagens e estatuto de privado) tenho a confessar que já vi de tudo, em todos os níveis de ensino. Felizmente, tenho uma experiência variada para partilhar, o que provavelmente me dará muito jeito, se sempre prosseguir com o bicho de me tornar professora.

Depois de todas estas experiências ao longo da minha curta vida, e como aluna "de mérito" desde que me lembro, assim como provável-futura professora, confesso que sou a favor dos quadros de excelência, ou de honra ou de mérito, ou quaisquer outros que reconheçam as capacidades e o esforço dos alunos. E não, não só devem ser premiados os alunos com boas notas - os que revelam talento nas artes, os que são áses do desporto, os que se envolvem em actividades empreendedoras e os que se destacam pelas suas qualidades empáticas e solidárias devem-no ser de igual forma (método que vem a ser cada vez mais aplicado).

Não sou contra as listas que nomeiam os alunos que se destacam, porque eles merecem ser elogiados. Merecem um lugar de destaque. Compreendo o que a Rita Ferro Alvim quer dizer... de facto, os quadros de mérito podem ser utilizados de formas pouco eficientes, quando mal geridos. No entanto, podemos transformá-los em factores de motivação (tanto para quem trabalha e se esforça para os integrar, como para quem vê esses colegas serem "premiados" e encontra motivação em seguir o seu exemplo), sem os transformarmos simultaneamente numa feira de vaidades (que deve ser combatida, em primeiro lugar, dentro de casa, no contexto familiar).


Pessoalmente, vejo a condenação dos quadros de honra como uma amostra do que é Portugal, numa visão generalizada. Porque "coitadinhos dos que não chegam aos quadros de honra", que depois ficam a babar ao ver o nome dos outros em vez do seu na lista. E que depois se sentem mal. E que podem sentir que a competição não é saudável. E assim se cultiva a mediocridade, senhoras e senhores! Este é o início do elogio dos que são mais medianos e que não aguentam com o sucesso dos outros.

Só não é saudável aquilo que não nos prepara para a realidade futura! É verdade que as crianças devem brincar e deixar a competição de lado, mas muitas das vezes estamos a falar de quadros de honra no 3º ciclo e no ensino secundário (tal como no ensino superior). Será que adolescentes de 12 anos não conseguem lidar com a "pressão"? E de que raio de pressão falam as pessoas? A pressão de se trabalhar muito para alcançar os objectivos pretendidos, ao invés de se ser calão e preguiçoso, um "encosta" nos estudos e na vida? E de se ser recompensado pelas qualidades demonstradas? Depois, chegam aos 20 anos e queixam-se porque não conseguem os estágios e os empregos que desejam (como alguns colegas meus). E, na recta final de uma licenciatura, ainda se ressentem por causa da maldita "pressão" e "competição". Bem-vindos à vida real, meus caros! Quando a escola acaba, enfrentamos o mercado de trabalho, onde costumam vingar (em geral) aqueles que mais se destacam, seja pela nota final do seu curso, pela sua participação em acções de voluntariado, por terem pertencido a uma organização X, Y ou Z, por terem formação adicional, por terem sido recomendados pelo estágio na empresa Tal...
Parece-me que ninguém pretende um futuro de "crianças grandes" frustradas e insatisfeitas, mas pouco adaptáveis às circunstâncias a que são expostos.

Ah e tal - diriam os mais insistentes - mas há alunos que não se esforçam nada, que nem precisam de estudar ou de trabalhar para serem bons. Pelo que me toca, confirmo que é possível sermos "bons" sem investir muito trabalhinho. Sempre achei relativamente acessível ser-se um aluno para cima da positiva, bastando estar atento nas aulas, ser assíduo, pontual, correcto na postura e aplicado nos TPC, sem se ter de investir demasiado tempo a "marrar". Porém, ser-se um aluno mesmo, mesmo bom, do 4 ou do 14 para cima (em média), custa imenso. Porque o que custa mais é o aperfeiçoamento e os pormenores, não é aquilo que se aprende "grosso modo". [Enfim, ainda por cima já nos estamos a desviar da minha premissa original, que é "devemos ter quadros de honra para diversas actividades, qualidades e talentos, não só para quem regurgita conhecimento factual". É que, estão a ver, nós não podemos ser todos bons na mesma coisa, mas de certeza que somos melhores num qualquer domínio do conhecimento, das artes, das letras, dos talentos, do desporto, das relações interpessoais...]

Sem dúvida, o "dever" das crianças é estudar e desenvolver outras capacidades úteis, como o espírito crítico, a motricidade fina e grossa e a cooperação. Mas nem todas o fazem nem mostram a mínima vontade de o fazer. Por que não elogiar pública e explicitamente quem o faz?

E vocês? São contra ou a favor do "mérito"?

 

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