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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

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A felicidade da escrita

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Pega na caneta. Pega no caderno. Escreve. Talvez prefiras o computador ou o telemóvel. Talvez gostes de guardar o texto para ti ou de o partilhar com os teus amigos, talvez na Internet. O que interessa é que escrever te faz feliz, não é? Por que será? Que magia tem a palavra materializada no papel?

 

A verdade é que escrever não é coisa de adolescentes, nem de artistas, nem de gente sentimental. Escrever é das terapias mais baratas de sempre, é gratuita. Escrever faz realmente bem à saúde. Ainda por cima, podemos fazê-lo em qualquer lado, a qualquer hora, sozinhos ou acompanhados, na cama antes de dormir, à hora de almoço no meio da cantina, no nosso diário predilecto ou no verso duma folha de rascunho.

 

Tal como a confissão oral, pela conversa ou pelo desabafo, também a confissão escrita tem benefícios para o nosso bem-estar e, mais do que isso, efeitos surpreendentes na condição física humana. Somos mais saudáveis quando nos expressamos, mesmo se o fizermos exclusivamente na nossa própria companhia. Pode ficar tudo só para nós, e mesmo assim sentimos todos esses efeitos.

 

Há mais de 30 anos que se estuda a escrita expressiva: o acto de escrever sobre emoções, pensamentos, eventos, quiçá traumas, ajuda-nos a reorganizar a narrativa pessoal, diminui a sua intensidade emocional (aquele fulgor, aquela obsessão que nos assombra ou que tentamos reprimir) e permite-nos conhecer melhor a nós mesmos. Enquanto pensamos nas melhores palavras, racionalizamos, revisitamos e ordenamos ideias. Escrever é como uma conversa privada em que nos exploramos. Quem somos? O que sentimos? Como o sentimos?

 

James Pennebaker foi o primeiro a descobrir que estes exercícios de escrita diminuem o stress, aliviam a ansiedade, reforçam o sistema imunitário e, por isso, previnem o aparecimento, progressão ou reincidência de certas patologias - por exemplo, tensão alta, cancro, artrite ou ataques cardíacos. Outros investigadores seguiram as suas pisadas (como Laura King e Megan C. Hayes), e agora temos a certeza de que escrevermos sobre emoções, pensamentos e eventos - negativos e também positivos - nos traz um boost ao bem-estar, à semelhança dum bom sumo vitaminado ao pequeno-almoço.

 

Expressar e fazer sentido do que nos vai na mente é o melhor remédio para pararmos de ruminar, resolvermos problemas, dilemas ou simplesmente para apreciar e relembrar os melhores momentos da nossa vida. Afinal, as emoções positivas e a diminuição do stress potenciam a aprendizagem, a atenção, a criatividade e a resiliência.

 

Depois de lerem este texto, convido-vos ao seguinte: peguem na caneta, peguem no caderno, ou liguem o computador ou o telemóvel. Escolham uma (ou várias) propostas que vos deixo aqui: mas escrevam. Escrevam sobre a vossa recordação favorita ou sobre a maior lição de vida que já aprenderam. Escrevam sobre o amor que sentem por alguém. Escrevam sobre o que mais vos inspira. Escrevam sobre a serenidade, a esperança, o orgulho ou a gratidão. E, se não acreditarem que escrever tem este poder incrível, sempre podem pensar que "mal não faz". Vamos a isso?

 

***

 

Para o próximo dia 10 de Outubro (Sábado), eu e a Andreia Esteves estamos a preparar um workshop de Biblioterapia e Diário Positivo. Se estiverem interessados, encontrem toda a informação aqui e inscrevam-se aqui. Também temos um evento no Facebook e no Meetup.

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