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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

A minha vida: uma espécie de HIMYM meets This is Us meets Sex and the City meets Gossip Girl meets Modern Family, mas numa produção tuga de baixo custo

Alguma vez pararam para pensar nas vossas vidas e chegaram à conclusão de que, sim senhora, arranjaram grandes argumentistas para as escrever? 

 

 

Os meus são do melhor que há. Bestiais. Do catano. Brilhantes. Magníficos. Especialistas em novelas brasileiras da Globo e dramalhões da TVI, sem deixarem de ter um toque NBC ou Fox. Não são Eças nem Saramagos, não há incesto nem cegueiras colectivas pelo meio, mas criam muito plot twist e variedade de personagens - para que toda a população esteja bem representada.

 

Começa com um bebé multiracial  (não se nota, mas é sempre engraçado referir) numa família monoparental. Desde o início, há drama e suspense, sempre ali à beirinha do corriqueiro, novela barata por encomenda. Há pais que abandonam os filhos, pouca sorte no amor que se herda pelo sangue e se contagia pelo ar que respiramos. Há sempre pelo menos uma personagem que dá uma facadinha pelas costas. Há várias caras-metade que mudam de ideias a cada episódio. Tratam-se temas relevantes do panorama actual, como a homossexualidade, saúde mental e depressões, a intolerância à lactose, a inflação no mercado imobiliário em Lisboa, avós que criam os netos, o emprego e desemprego de jovens hiper-qualificados, a emigração e os encontros proporcionados pelas redes sociais. Há gravidezes e bebés, há casamentos finos, há quem não consiga sair de casa dos pais e quem viva em caves. Há sempre alguma personagem que, de repente, se muda para o outro lado do mundo. Ou do país. Há coscuvilheiras de serviço. Há personagens que surgem do nada e que deixam o espectador abismado e desconfiado, há personagens secundárias que são repescadas de temporadas anteriores e se tornam principais, há personagens que já lá estão há tanto tempo que já fazem parte da família e outras que desaparecem sem aviso (diz que é dos cortes no orçamento).

 

Obviamente, este texto seria ainda mais engraçado e explícito se eu usasse o meu blogue para lavar roupa suja, deixando-me de rodeios, ao melhor estilo de Taylor Swift/meter a boca no trombone, por isso partilho apenas o comentário vago "e vocês nem sabem da missa a metade!".

 

De qualquer forma, os grandes críticos (que, simultaneamente, são personagens recorrentes no enredo) estão fartos de aclamar esta produção. Dizem eles, por exemplo:
- Não consigo acompanhar a tua vida, há alterações a cada meia hora.
- Espera que vou buscar pipocas.
- Perdi-me na história, podes voltar atrás?

 

Adoro esta novela. Talvez investisse numas duas ou três temporadas mais secazinha, calminhas, mas não a trocaria por nenhuma outra. Mal posso esperar pelos próximos desenvolvimentos!

 

Contem-me as vossas, vamos lá trocar cromos.