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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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A minha vida: uma espécie de HIMYM meets This is Us meets Sex and the City meets Gossip Girl meets Modern Family, mas numa produção tuga de baixo custo

01.07.18 | BeatrizCM

Alguma vez pararam para pensar nas vossas vidas e chegaram à conclusão de que, sim senhora, arranjaram grandes argumentistas para as escrever? 

 

 

Os meus são do melhor que há. Bestiais. Do catano. Brilhantes. Magníficos. Especialistas em novelas brasileiras da Globo e dramalhões da TVI, sem deixarem de ter um toque NBC ou Fox. Não são Eças nem Saramagos, não há incesto nem cegueiras colectivas pelo meio, mas criam muito plot twist e variedade de personagens - para que toda a população esteja bem representada.

 

Começa com um bebé multiracial  (não se nota, mas é sempre engraçado referir) numa família monoparental. Desde o início, há drama e suspense, sempre ali à beirinha do corriqueiro, novela barata por encomenda. Há pais que abandonam os filhos, pouca sorte no amor que se herda pelo sangue e se contagia pelo ar que respiramos. Há sempre pelo menos uma personagem que dá uma facadinha pelas costas. Há várias caras-metade que mudam de ideias a cada episódio. Tratam-se temas relevantes do panorama actual, como a homossexualidade, saúde mental e depressões, a intolerância à lactose, a inflação no mercado imobiliário em Lisboa, avós que criam os netos, o emprego e desemprego de jovens hiper-qualificados, a emigração e os encontros proporcionados pelas redes sociais. Há gravidezes e bebés, há casamentos finos, há quem não consiga sair de casa dos pais e quem viva em caves. Há sempre alguma personagem que, de repente, se muda para o outro lado do mundo. Ou do país. Há coscuvilheiras de serviço. Há personagens que surgem do nada e que deixam o espectador abismado e desconfiado, há personagens secundárias que são repescadas de temporadas anteriores e se tornam principais, há personagens que já lá estão há tanto tempo que já fazem parte da família e outras que desaparecem sem aviso (diz que é dos cortes no orçamento).

 

Obviamente, este texto seria ainda mais engraçado e explícito se eu usasse o meu blogue para lavar roupa suja, deixando-me de rodeios, ao melhor estilo de Taylor Swift/meter a boca no trombone, por isso partilho apenas o comentário vago "e vocês nem sabem da missa a metade!".

 

De qualquer forma, os grandes críticos (que, simultaneamente, são personagens recorrentes no enredo) estão fartos de aclamar esta produção. Dizem eles, por exemplo:
- Não consigo acompanhar a tua vida, há alterações a cada meia hora.
- Espera que vou buscar pipocas.
- Perdi-me na história, podes voltar atrás?

 

Adoro esta novela. Talvez investisse numas duas ou três temporadas mais secazinha, calminhas, mas não a trocaria por nenhuma outra. Mal posso esperar pelos próximos desenvolvimentos!

 

Contem-me as vossas, vamos lá trocar cromos.