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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Alguns motivos pessoais e profissionais para tirar um mestrado em Portugal

28.09.18 | BeatrizCM

O mercado de trabalho tem-se tornado cada vez mais competitivo. Já o tenho referido por aqui: uma licenciatura já não é suficiente em 2018, muito menos uma licenciatura pós-Bolonha, sem experiência ou formação adicional, o que é normal para um recém-licenciado.

 

Por isso, talvez tirar um mestrado possa ser uma boa ideia, pelo menos em Portugal. Há ainda outras opções, como investir em cursos profissionais ou de extensão cultural e académica, adquirir competências que complementem o que estudámos ou que nos facilitem a entrada numa área profissional que nos agrade (mesmo sem certificado, de forma autónoma e autodidata) e - não menos importante - apostar em projectos pessoais, incluindo aqueles que nem apresentam benefícios óbvios à partida. Escrever um livro, aderir a um desafio semanal ou mensal, aprender algo totalmente novo, criar um blogue, ir viajar sozinho, trocar ideias com desconhecidos no LinkedIn - o mundo é a nossa ostra!

 

No entanto, deixo-vos um par de impressões sobre o que me leva a continuar os meus estudos, motivos pelos quais é importante investir num mestrado para mim, em Portugal, neste contexto pessoal, social, económico, académico, profissional... Esta é apenas a minha experiência, mas talvez mais alguém se reveja nestas necessidades e objectivos que são os meus.

 

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 Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa, onde já comecei o mestrado em Estudos de Cultura - Gestão das Artes e da Cultura (fotografia tirada por mim após a entrevista de admissão, há uns meses)

 

Em primeiro lugar, eu nunca tive dúvidas de que tirar um mestrado depois da licenciatura seria não um objectivo, mas uma simples realidade inegociável. Diz a sociologia que isto se pode dever ao facto de já não ser a primeira na minha família a frequentar o ensino superior, pelo que uma licenciatura e estudos pós-graduados sempre foram um dado adquirido desde que me lembro, nem que tivesse de me esfolar a trabalhar para pagar as propinas.

 

Mas foram "um dado adquirido" por óptimos motivos: acreditamos que a procura pelo conhecimento deve ser parte da nossa vida e que estudar durante vários anos é um privilégio do qual não devemos abdicar, nem que seja porque o conhecimento e a experiência são fontes de felicidade. Portanto, é nisto que eu acredito. Enquanto a minha vida familiar e profissional o permitir, tentarei chegar a tantos cursos, mestrados, doutoramentos ou qualquer outro tipo de formação contínua quanto humanamente possível.

 

Além disso, tirar um mestrado permite-me sair da minha zona de conforto, continuar a desafiar-me, não só pelo conhecimento proporcionado, mas também pelas experiências (como a Summer School, intercâmbios e todos os seminários, visitas e convidados, pelos colegas que ganhei, pelos professores e pela troca de ideias. Durante pelo menos dois anos, todos os dias terei algo para fazer e no qual me devo concentrar. Terei algo que exigirá motivação e trabalho.

 

Finalmente, sem a desvalorizar, vem a tal lista de vantagens profissionais para o desenvolvimento duma potencial carreira. Eu quero voltar a ensinar numa universidade, tal como fiz em Banguecoque, seja em Portugal ou onde quer que a vida me leve, por isso é óbvio que preciso de, nomeadamente, acumular graus académicos, publicações e... contactos. No entanto, seja como for, tirar um mestrado em Portugal é um percurso comum para quem pretende especializar-se nalguma área ou expandir os seus conhecimentos num domínio diferente. Um mestrado ou uma pós-graduação constituem complementos à nossa formação de base e, enquanto complementos, não são absolutamente indispensáveis, mas poderão abrir-nos algumas portas adicionais.

 

Para mim, tirar este mestrado ou o que ficou a meio depois de ter regressado a Portugal (e que conto terminar algures no futuro a médio prazo) representam uma certa expansão dos meus horizontes a vários níveis. Em geral, é isso que quero partilhar convosco.

 

Sim, um mestrado pode ser um fardo nas finanças pessoais e na vida social. É um compromisso. É mais uma responsabilidade mais ou menos acessória, principalmente quando acumulada com outras já existentes. Ainda assim, é uma aventura. Num par de anos, aquelas três novas linhas no currículo não serão só essas linhas, serão mais um conjunto de histórias, memórias e conhecimentos ganhos a muito custo, mas que, digo eu, nos saberão a mel. 

 

O que acham? Por agora, estou bastante confiante. Sei que vai ser difícil, que vou perder muitas horas de lazer, estudar e trabalhar ao mesmo tempo, ter muitos dias de cão, longos e esgotantes, mas sei que não os trocarei por nada daqui a um tempo.

 

O denominador comum para todos deveria ser a seguinte premissa: façam-no com gozo, se estiverem suficientemente convictos dos benefícios que um projecto desta envergadura traz, e se conseguirem reconhecer tanto aquilo de que vão abdicar quanto lucrar. Em caso de dúvida, o melhor é sempre tentar,  não é? E o conhecimento não ocupa lugar.

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