Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Blogue, baú de memórias, caixinha de recordações

12.10.18 | BeatrizCM

Ter um blogue por muitos anos tem destas situações: partilham-se muitas histórias e estórias, passando várias pessoas pela vida de quem escreve, ainda por cima numa fase de transição e de formação pessoal, académica e profissional intensas.

 

Por isso, há uma pergunta que me tem ocupado algum tempo mental doutra forma vago. Será possível que já não faça sentido manter alguns conteúdos online, por terem deixado de pertencer à vida actual, às minhas crenças, sentimentos e forma de pensar?

 

Por um lado, um blogue não deixa de ser um baú de memórias. Não podemos apagar acontecimentos passados com um clique - a Internet vale o que vale. Eles continuam a fazer parte da nossa vida, principalmente se tiverem sido positivos no seu enquadramento temporal. Se formos uma trança, não devemos desfazer os nós - os tais episódios - que a começaram. Se formos uma casa em permanente construção, eles continuam a ser as paredes que nos completam. Se formos uma árvore, até as folhas antigas passam a fazer parte das raízes que nos sustentam.

 

Por outro lado, há a consciência de que o presente precisa de encontrar a sua individualidade e o seu protagonismo. Precisa dum pedaço de terra só seu para sobreviver. Precisa de germinar longe da sombra. Não precisa de tropeçar continuamente em portas para dimensões alheias.

 

Daí estas reflexões a que me dedico de vez em quando. Há um certo diálogo, quiçá confronto, entre o passado e o presente público. Metáforas à parte, nem sempre houve um cuidado especial em filtrar o que era escrito por aqui - porque o presente não costuma ter filtros, excepto quando colocado em cheque - e choque - por outros "presentes" (em toda a sua extensão semântica). Porque já não é minha aquela voz com a qual leio o que escrevi antes. Porque parecem indagações doutra vida. Porque não há espaço para todas as caixinhas de recordações algum dia empacotadas.

 

E assim se vão repensando os pretéritos já conjugados neste blogue.

2 comentários

Comentar post