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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Como a perturbação do regresso, ou síndrome do retorno, tem afectado a minha vida

11.03.18 | BeatrizCM

O que será a perturbação do regresso - também conhecida por síndrome do retorno e outros nomes - e como afecta a vida de quem a sente? Nunca tinha ouvido tal coisa até uma prima, que também vive fora do país, ter partilhado um artigo sobre este assunto no Facebook. 

 

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 (A vista da janela do meu quarto, um cenário que, passem os anos que passem, e mesmo quando construíram as casas no horizonte, parece nunca mudar... Um cenário que me fascina e me faz sentir, realmente, em casa.)

 

No passado...

Sempre senti a perturbação do regresso depois de regressar das minhas viagens de curta duração (o máximo foi duas semanas há três anos e meio, quando fiz duas semanas de intercâmbio em Newcastle), mas nunca juntei todos os sintomas para chegar a um resultado conclusivo, sumário. Sentia-me mais do que cansada da viagem, sentia-me exausta, tinha alguma necessidade de estar sozinha enfiada na cama. No entanto, este estado letárgico durava apenas um ou dois dias e depois a vida retomava o seu ritmo.

Obviamente, não há comparação entre essas emoções e sensações depois de viagens tão curtas e a grande viagem que foi a minha vida em Banguecoque. Desta vez, penso que, seja lá o que isso for, a perturbação do regresso não só me tocou, como me deu um chapadão com mão rija. Mais dum mês depois, ainda não me sinto completamente refeita deste susto.

 

Mas a perturbação do regresso é uma coisa a sério?

Parece que esta perturbação do regresso pode não ser um fenómeno médico/mental/psicológico com muita literatura científica na qual nos possamos basear para afirmar tudo com muita certeza e clareza. No entanto, sinto que este conceito faz sentido e que até me ajuda a organizar o que sinto e penso. Talvez outros o percebam da mesma forma. 

 

O que sinto eu, realmente?

Que é reconfortante, consolador, perceber que este avalanche de sentimentos e pensamentos tem uma razão de ser, não sendo uma anormalidade no planeta. Que haverá por aí mais gente com o mesmo. Que esta desorientação tem uma origem... e, por consequência, um fim à vista. Depois de tantos estímulos ininterruptos por tanto tempo, depois de tanto desconforto e adaptação, desconforto e adaptação... Depois de tanto entusiasmo e grandes expectativas acerca do regresso... Depois de tantas experiências que não pude partilhar... Depois de tudo o que vivi... Depois de tanto tempo longe das pessoas mais próximas, mesmo que sempre em contacto à distância...

Depois de tudo isto, ficou-me a sensação de aborrecimento sem causa, de incompreensão, de desconforto até nos lugares que me deixariam mais à vontade em circunstâncias normais (em casa, por exemplo), de despertença, de desconhecimento até das pessoas que melhor conheço e até o contrário: as pessoas que me rodeiam sentem também este afastamento. E, ainda depois de tudo isto, fica o sentimento de culpa exactamente pelo que sinto, que é descabido! (Afinal, eu queria era voltar para casa! E agora, que voltei, qual é o meu problema???) 

 

Só quem volta o sente?

Pessoalmente, acho que todos os envolvidos no dia-a-dia de quem vai e regressa acabam por sentir um certo choque. Há alterações na interacção, nos encontros, por causa do que aconteceu dos dois lados entretanto. Nem que seja pelo hábito ou pela falta de hábito, todos sentimos surpresa, apreensão, incompreensão...

 

Essa perturbação é para sempre?

Claro que tudo isto é irracional. Aos poucos, a normalidade dos dias vai-se reconstituindo. Já comecei a estar com mais amigos. Mesmo tendo recomeçado a trabalhar uns dias depois de voltar, agora começo a fazê-lo aproveitando-o. A perturbação do regresso não existe para sempre. Qualquer coisa chamada síndrome do retorno só pode existir após... o retorno. Há que pensar que isto é o que chamamos simplesmente "o choque inicial".

 

O que fazer para ultrapassar a parte difícil do regresso?

Além disso, arranjei estratégias para combater emoções menos positivas relacionadas com esta síndrome do retorno. Tenho-me tentado desafiar, trabalhando com pessoas diferentes, tentando pensar em projectos pessoais, investindo em formação em áreas profissionais com as quais não lidei ultimamente, mas relacionadas com a minha formação anterior (como o jornalismo). Até me inscrevi numa pós-graduação, mas não abriu por falta de candidatos. Em Setembro, começo o meu mestrado, e até lá vou-me entretendo com trabalho e outros estudos paralelos. Quanto à parte humana do assunto... É tentar levar as reaproximações com calma. Tudo há-de voltar ao seu sítio de antes, ou, em alternativa, de encontrar novas posições e alinhamentos. 

 

Estou mesmo a tentar ver o copo meio cheio, pode ser que funcione!

 

E vocês, têm alguma experiência semelhante ao que se descreve sobre a perturbação do regresso? Já passaram pelo mesmo? Têm algumas dicas para quem está a levar com esta bomba no momento?

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