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Procrastinar Também é Viver

Blog sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Como falhar

09.05.22 | BeatrizCM

Estudei Humanidades e depois Letras. Colecciono pós-graduações não relacionadas. Abandonei o trabalho dos meus sonhos. Deixei a meio dois mestrados em universidades de excelência. Nunca consegui poupar (excepto para estudar e comprar um carro). Passo mais de quatro horas diárias com a cara no telemóvel. De vez em quando, caio no buraco negro do LinkedIn. De vez em quando, espreito o que andam a fazer os colegas da escola secundária. Tenho preguiça de fazer exercício físico. Como lacticínios em quase todas as refeições. Esqueço-me com frequência de pôr protector solar. Ouço as mesmas músicas e artistas que ouvia há dez ou quinze anos, ou sigo cegamente as recomendações do Spotify.

Tenho falado muito com amigos sobre a impressão de que estamos constantemente a falhar. E, no final, parecemos todos partilhá-la. Olhamos para o lado, para os nossos pares, e achamos que os outros sim - os outros é que sabem tudo o que devem fazer, como o fazer. Mas, quando discutimos isto entre nós, concluímos que estamos todos no mesmo caminho de questionamento e experiência.

Na maior parte do tempo, sinto-me muito orgulhosa do que faço e de quem sou. As falhas são falhas e as vitórias são vitórias de acordo com a forma como as narramos. Ainda assim, tendo a pensar que os meus amigos estão a ter mais sucesso, porque são tão inteligentes, são tão divertidos, são tão bonitos e charmosos, ganham mais do que eu, tiraram formações mais rentáveis para o mercado de trabalho, conhecem mais pessoas, têm filhos maravilhosos, organizam melhor o tempo, lêem melhores livros, vêem melhores filmes e ouvem melhor música, viajam mais.

No entanto, no final de contas, o que concluo é que podemos admirar outras pessoas sem as pôr num pedestal nem, por outro lado, diabolizar o nosso percurso.

Dito isto, os podcasts voltam a salvar a sanidade de uma pessoa em momentos de dúvida. Um dos que mais recomendo chama-se, precisamente, How to Fail. Comecei a ouvi-lo por causa do episódio com Alain de Botton, um dos meus autores preferidos e um excelente orador. Não ouço todos os episódios, mas vou ouvindo uns aqui e outros ali, nos últimos três anos. Ajuda muito saber que toda a gente falha, alguma vez na vida, até quem nós mais admiramos e que tem, objectivamente muito sucesso (escritores, actores, activistas, artistas e outras figuras mais públicas).

 

 

Há tantas formas de falhar quanto de ser bem-sucedido. Eu até diria que, se achamos que estamos a falhar e temos consciência das nossas falhas, já temos metade do caminho percorrido para as contrariar e arranjar soluções, escolhendo caminhos e narrativas alternativos. Há sempre tantas versões da mesma história.

 

Aproveito para recomendar outro episódio que ouvi recentemente e de que também gostei:

 

 

E mais um:

 

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