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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

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Como ler um livro - manual de utilizador

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É essencial fazer as perguntas certas, mesmo quando as achamos demasiado fáceis. Aliás, são essas as perguntas mais importantes, que frequentemente deixamos de fazer por comodismo, inércia ou habituação. Então, hoje abri um novo livro no qual quero mergulhar nos próximos dias e, pela primeira vez em muito tempo, questionei-me agitada: afinal, como é que se lê um livro?

 

Um livro parece ser um objecto com o qual todos lidamos de forma intuitiva. Pegamos-lhe, abrimos na primeira página, e começamos a ler. No entanto, há tantas questões a considerar. Por exemplo… Haverá alguma forma mais acertada de ler um livro? Ou algum passo que devamos seguir antes de qualquer outra acção? E se preferirmos começar pela última página? Neste sentido, quero partilhar algumas das minhas impressões sobre como ler um livro.

 

Pego num livro – e agora? Em primeiro lugar, no caso dos livros físicos, gosto de me sentar com eles, apreciá-los, pousá-los na estante, agarrá-los de novo, folheá-los, cheirá-los – habituar-me a eles e à forma como se adaptam à minha mão. Em segundo lugar, procuro índices, listas, epígrafes ou dedicatórias (além da sinopse e da biografia do autor), que são óptimas referências para entrar no espírito da obra, assim como fazer uma análise breve ao tipo de letra, capítulos ou outras particularidades gráficas.

 

O passo seguinte é ler a primeira frase com muita atenção. Seja ficção ou não-ficção, a forma como um autor escolhe apresentar o seu trabalho pode contribuir para uma primeira impressão mais completa, quiçá promissora, ou por outro lado desapontante. E também há quem escolha avaliar uma frase aleatória no meio do livro, que sirva de amostra do resto.

 

Após este ritual, ainda é comum ter alguma dificuldade em concentrar-me: a primeira página é o contacto inicial com uma nova realidade, uma nova narrativa, uma nova história, um novo tema. Por isso, normalmente levo algum tempo a situar-me e a encontrar um significado para a mancha de letras e palavras.

 

O trajecto vai-se tornando mais fácil de navegar a partir daí, mais suave. Nem sempre é intuitivo voltar a pegar no livro, de tantas distracções e interesses que existem fora das páginas. Talvez a primeira impressão não tenha sido óptima, por isso custa-nos retomar. Mas acredito que existe sempre um livro qualquer por perto que nos irá entusiasmar sem sequer nos apercebermos. Há sempre um livro capaz de nos levar por aí fora até à última página, de forma consistente e constante. Se forem como eu e gostarem de tirar notas, apreciarão a companhia dum lápis, dum marcador e de um caderno.

 

Ora, mas também não nos podemos esquecer da preparação: ainda antes de apreciar o livro, de o analisar, de prestar atenção à primeira frase ou de tirar notas, gosto de começar a leitura num sítio acolhedor, apesar de a continuação poder acontecer em quaisquer condições. Talvez comece num sofá confortável, talvez aconchegada debaixo de mantas, talvez esticada na cama a meia-luz, sempre em silêncio, ao som do meu gato a ressonar ou com uma música de fundo que inspire a concentração e a fruição da palavra escrita.

 

No fundo, o que interessa é sentirmo-nos à vontade. O que interessa é estarmos confortáveis perto de livros e deixá-los entrar nas nossas vidas, perceber como nos podem enriquecer ou pelo menos entreter. O que interessa é ler, e o “como” vai-se descobrindo. Portanto, agora é a tua vez de tentar.

 

Pegas num livro – e agora?

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