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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Dar crédito

Já ando para vos contar o seguinte episódio desde que ele aconteceu, na terça-feira, dia 12. Agora, depois de ler este artigo acerca de "propostas" insistentes de crédito, o assunto vem mesmo a propósito!

 

Resumindo os últimos desenvolvimentos da minha vida no ginásio, notei alguns desequilíbrios no decorrer da prática de exercício físico e associei-os de imediato à minha escoliose. Por isso, tive uma consulta de fisiatria na semana passada e fui mandada para a fisioterapia, para começar uma série de 15 sessões.

Coincidentemente, esta semana eu também precisaria de pagar o meu aparelho de contenção do maxilar inferior, uma vez que fui retirar o aparelho ortodôntico na quinta-feira. Juntou-se a fome à vontade de comer: dava-me mais jeito pagar estas coisas todas noutra data e não de imediato (50€ da consulta de fisiatria já pagos + 120€ de fisioterapia + 125€ do aparelho = não é brincadeira).

 

Assim, decidi ir pedir dois cheques avulso no banco onde tenho conta, que já agora é o Montepio Geral - e é bom que o saibam para não se surpreenderem quando apanharem desilusões no futuro.

No balcão onde se encontra sediada a minha conta, trabalham talvez 5 pessoas ao balcão e à secretária, se tanto. A maioria é uma simpatia, conhecem-me desde sempre, até me falam no supermercado se nos cruzarmos! Só que, quando fui pedir os dois cheques na terça-feira, calhou-me ser atendida pelo empregado menos - digamos - sorridente (cujo cargo dentro do banco desconheço).

 

A conversa decorreu mais ou menos desta maneira, intercalada por expressões faciais a deitar condescendência a rodos da parte do meu interlocutor:

- Boa tarde. Venho pedir dois cheques. (Entrego o meu cartão MB)

- Boa tarde. (Insere demoradamente os dados no computador) Sabe quanto custa cada cheque?

- Sim, são cerca de 6€, não é verdade?

- Hum... Sim. (Ainda a inserir dados e mais dados, sempre a olhar para o computador) Mas fica mais barato se comprar um livro de dez cheques, não sabia?

- Sim, mas preciso dos cheques para hoje e o livro ainda demoraria três dias a chegar.

- Hum... (Vai buscar o bloco de cheques, insere mais dados) A que é que os cheques se destinam?

- A consultas clínicas.

- (Insere maaaaaaaais dados, tira fotocópias e sabe-se lá mais o quê) E qual será o valor atribuído a cada cheque?

- Um será de 120€ e outro de 125€. Fisioterapia e dentista.

- (Insere mais dados. Percebe-se que me anda a ver a conta) Mas 120€ mais 125€ são... O seu saldo não chega a esse valor.

- Pois não, por isso é que preciso dos cheques, para os datar para outra altura do mês.

- Mas sabe que, para isso, seria mais prático pedir uma cartão Visa. (Foi neste momento que qualquer coisa de muito profundo em mim se engasgou e morreu de asfixia)

- Sim, mas eu não preciso do Visa, só quero mesmo dois cheques.

- (Tom de ameaça) Mas olhe que nem sempre os pedidos de cheque são aceites...!

- Sim, mas isto é uma situação pontual, por isso não preciso de cartão de crédito nenhum.

- Pois, pois, pense nisso do Visa. (Expressão facial completamente neutra, sem emoção, talvez mesmo um pouco Cara de Quem Ainda Não Percebeu Que Eu Pareço Ter Quinze Anos, Mas Não, E Mesmo Que Tivesse Não Deixaria De Ser Uma Cliente Como Qualquer Outra Pessoa)

 

Em suma... Amigos, então eu ainda não tenho um salário fixo a cair todos os meses na minha conta, não posso pedir a porcaria de dois cheques para os pré-datar, mas já posso ter um cartão de crédito????????????????????????????????!!!!!!

AH AH AH AH AH!

E assim é que se engana o freguês. Ah e tal, coitadinha, tem ar de ainda estar fresquinha, vou ver se lhe consigo impingir um cartão de crédito. O quê, ela ainda não tem um salário fixo? Não faz mal, os pais servem para aparar os erros dos filhos! Ai os pais depois não podem? Mete-se os gajos em tribunal para lhes penhorarmos os salários deles. Ai não têm o suficiente para ser penhorado? Não faz mal, o que interessa é ter saúde!

 

Já agora, a quem se cruzar na rua comigo: embora eu tenha esta cara bolachuda de mosca que zumbe mas não morde, no que toca a burocracias, dinheiros e essas matérias todas, eu sou um espírito já envelhecido de certa forma, uma moça muito bem avisada. Não me tentem passar a perna, que eu sou a primeira a ir-vos às canelas! Fui criada por uma avó com dentes de Rottweiller, oh oh!

 

E no final o homem não teve alternativa senão vender-me os cheques.

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