Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Dos pedidos de casamento

08.05.16 | BeatrizCM

Quando era mais nova, sempre sonhei em viver momentos de filme, cheios de lamechice, obviamente fruto dos filmes de Hollywood e da Disney: rapaz conhece rapariga, apaixonam-se, ele pede-a em casamento assim de surpresa num local mega especial (ou numa ocasião engraçada), casam-se, têm filhos e vivem felizes para sempre (ou até se divorciarem ou se fartarem um do outro, uma alternativa que sempre tive no meu imaginário, infelizmente).


Pois bem, intrigava-me principalmente a parte do pedido de casamento e a sua simbologia. O homem é que pede: check. Anel de diamantes: check. Mulher admiradíssima aceita: check. Salva de palmas de quem ouve o pedido e respectiva resposta: check. Sinceramente, nunca sequer questionei o facto de ser o homem a pedir a mulher em casamento. Parece que eu vivia num conto de fadas, onde as mulheres trabalham, sim senhor, onde estudam e ganham o seu salário, mas onde esperam que o seu príncipe encantado lhes venha perguntar se lhes dão a sua mãozinha e o pezinho (Cinderela style) em matrimónio.

 

E depois descobri que, na vida real, nem sempre esses pedidos fazem sentido, a menos que estejamos num reality show ou nos EUA. Porque, na vida real, perguntei logo ao meu primeiro arranjinho, nas primeiras semanas, se aquilo era para casar ou não (missão suicida, portanto), o moço disse um sim muito vago e eu, apesar de ligeiramente fascinada por obter feedback, por muito a despachar que fosse, também senti que aquilo não devia dar o pano para mangas como eu queria.

Assim foi. Um par de anos depois, comecei a namorar com o Ricardo, nem sequer me pus com pressas dessa vez e, um belo dia, estávamos nós a fazer compras no Continente, veio o assunto à baila e pimbas, foi mesmo no meio do corredor dos cereais, quando tínhamos ido buscar Nestum, que concordámos que haveríamos de casar algures no futuro.

Além disso, quando olho para os meus amigos comprometidos, também nenhum deles passou ou tem vontade de passar por um pedido oficial. Depreende-se automaticamente que, se estão juntos, é para durar e casar ou, no mínimo, viver em união de facto.
Mas eis que cheguei a uma grande conclusão: claro que não passa pela cabeça dos seus amigos, nem pela minha, que um pedido oficial tenha de acontecer. É que começámos todos a namorar super cedo. Pela altura em que chegarmos aos 25, já teremos pelo menos cinco anos de namoro. Ora, uma pessoa não anda a brincar cinco anos com a outra, pois não?
No mundo dos sub-20 e sub-25, acabamos por ter taaaaanto tempo para pensar e repensar nas nossas relações enquanto ainda não somos indivíduos financeiramente independentes, que é inevitável comentar "olha, já agora, isto é para casar, não é?" ou mesmo a longo prazo "ainda é para casar, não é?". Por outro lado, imagino que quem comece a namorar lá mais para os 25-30 já sinta alguma pressão para tornar o assunto oficial, dado que deixa de ter razões para não o fazer (e o relógio social e biológico aperta), a menos que não esteja mesmo interessado ou seja cedo demais. Consequentemente, a possível forma de mostrarem que não andam só a dar voltinhas deve ser tomarem medidas visíveis, materiais.

 

Tcharaaaan!

 

Pronto, eu sei que estes textos são uma seca e que eu não sou o Pitágoras da psicologia relacional, mas juro que na altura em que imaginei a revelação aqui presente ela parecia-me muito mais bombástica.
As minhas sinceras desculpas por terem perdido o vosso tempo precioso com mais uma teoria da batata. Pensem assim: pior do que o BuzzFeed não pode ser, não é verdade?

 

Para compensar esta dose de realidade, deixo-vos com uma fofice que me deixou em versão madalena. Quem não deitar uma lágrima de crocodilo com isto só pode ser um bicho da seda.

 

 

 

1 comentário

Comentar post