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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Emprestar livros: uma reflexão simpática

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Nunca gostei de emprestar livros quando era pequena. Ao crescer, descobri que me sentia assim, porque o empréstimo era sempre pouco recíproco, emprestar sem o outro retirar prazer da leitura, emprestar só porque sim, para ser simpático. Mais tarde, percebi que emprestar pode ser uma experiência enriquecedora, pelo prazer partilhado, ao dar a ler e ao ler aqueles livros não só saboreando a mera descoberta do que alguém escreveu, mas também do que aquela pessoa que conhecemos leu - o que terá pensado?, o que terá sentido?, o que terá motivado a vontade de adquirir e ler as páginas por onde vamos igualmente passando?

 

Aprecio em particular o empréstimo que não pedimos, mas sim que é sugerido do outro lado. "Lê, acho que vais gostar. Eu, pelo menos, gostei muito." Ficamos a imaginar o que terá motivado aquela opinião, qual a parte favorita, ou o que terão pensado que poderíamos também vir a gostar.

 

Recentemente, olhei para a pilha de livros que me têm emprestado, isto é, que tenho por devolver. Parece que nunca mais acaba, mas lá chegaremos, um a um. Talvez eu nem acabe por ler todos, talvez alguns me aborreçam ou me desiludam. No entanto, senti-me bastante satisfeita, feliz, por relembrar que a dita pilha de livros é um sinal de confiança e da tal partilha. De forma semelhante, também eu empresto os meus. Emprestar livros entre amigos e entre quem conhecemos bem é o melhor, porque podemos aconselhar de acordo com o que achamos que eles precisam e preferem ler. Recentemente, emprestei um livro muito especial para mim a uma amiga que, mal lhe pousou nas mãos, encheu-o de rabiscos, dobras e sublinhados. De tanto a ter marcado, ainda foi re-emprestado a uma terceira pessoa.

 

Aquele livro nunca mais será meu outra vez, pelo menos aquele exemplar. Se o contexto fosse outro, teria ficado bastante arreliada por me vandalizarem um livro que me pertence - ainda por cima, sem licença! Mas a alegria da minha amiga ao lê-lo foi de tal forma significativa, que eu nem quis saber. Só me queixo por gozo, pela troça.

 

Viva os livros emprestados! E os emprestadados também!

Na foto estão oito, entretanto a pilha reduziu para sete. 

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