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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

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Escrever em tempos de isolamento

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Escrevo - não porque já não tenha nada para fazer, mas sim porque não há mais nada com que preferisse ocupar o meu tempo, este tempo, neste momento; este momento em que sufocamos, mas em que também aprendemos outras formas de respirar.


Escrevo por necessidade, por fôlego, como um peixe que precisa de nadar às profundezas para, aí sim, sobreviver. Preciso de escrever, preciso, mesmo quando não consigo. Deve ser muito triste a vida sem esta forma de expressão, para quem depende tanto de palavras. Preciso de escrever para me materializar, para me pensar, para me construir, para me concretizar inteira.


Escrevo para que o raciocínio tome consistência. Enquanto escrevo, organizo, arrumo, descubro novos espaços onde viver. Durante este isolamento, que as palavras que escrevemos sejam a janela ou a varanda com vista para o resto do mundo! Que sejam a rua que caminhamos sem restrições! E que, se assim o desejarmos, seja o encontro e reencontro com quem nos deseje ler!


Escrevo, e quem me dera que outros também possam escrever para se sentirem menos ansiosos, nervosos, inseguros. Eu escrevo, para fugir das conversas repetidas, do fluxo de informação insistente e da iminência duma vida ainda desconhecida. Eu escrevo, porque, ao fazê-lo, só interessa o presente; este momento em que já não sufoco. E, no meio da cacofonia, interessa a minha voz, a única que monta este texto, que o dita. Não é silêncio, mas é poder.


Por isso, escrevam:

Escrevam em papel, nos cadernos e diários, ou na página branca e regrada do computador. Escrevam rascunhos, adágios, canções, listas e listinhas, diálogos, descrições, ficção e não-ficção, a vossa história ou a história de outros; escrevam porque escolhem, porque escrever faz sentido.

 

Aproveitem o desafio do confinamento para quebrar paredes e barreiras. Escrevam para se conhecerem melhor, para conhecerem os outros melhor, para crescer.

 

Escrever acalma e ritma a inconstância dos pensamentos. Subjuga-os à nossa vontade, diminui o stress e a ansiedade, diminui a dor, reduz a insegurança, alarga as perspectivas.


Eu escrevo, porque confio: hei-de sair mais construída, e mais construtiva, deste tempo que se apresenta como um presente, não sabemos se doce ou envenenado. Eu escrevo, ora para mim, ora para os outros, nos meus blocos de notas, no blog, no telemóvel, textos que guardo ou que me fogem, que partilho ou que escondo.


Escrever é grátis. Pode ser feito em qualquer lado - em casa também. Escrever leva-nos onde quisermos, sempre na ponta dos dedos, como quem afaga um gato adormecido, ou como quem se prende fortemente ao desfiladeiro.

Vamos escrever?

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