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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Estar, apenas

Noto um certo desconforto, quase tabu, quanto ao facto de se fazer coisas sozinho, sem outras pessoas. É a ditadura da companhia. Vejo que muitas pessoas ainda não dominam a arte de se estar com os seus próprios pensamentos, a sua própria presença, de apenas se estar.

 

Atenção, que eu sou a primeira a reconhecer que não consigo meditar. Há sempre algum raciocínio a interromper o vazio, por muito que eu tente. Tenho uma mente hiperactiva. Digo que estou cansada, que tenho a cabeça em papa, mas continuo a magicar seja o que for.

 

Mas consigo fazê-lo sozinha. Aliás, talvez seja por isso que me sabe tão bem estar sozinha e fazer mil e uma actividades sozinha. Gosto de viajar sozinha, gosto de ir a museus, à praia, a cafés, andar a vaguear em ruas... sozinha (frequentemente com um livro, mas divago).

 

No Domingo, fui à praia depois dalgumas horas de trabalho. Levei dois livros (lá está, elementos omnipresentes) para terminar, um chapéu de sol, uma toalha, o telemóvel e uma coluna. Em primeiro lugar, adoro conduzir. Não sou de ir a grandes velocidades, mas, se houver alguma forma de meditação para mim, é pegar no carro e ir não sei onde, só estou concentrada em não meter o carro nalgum buraco ou espetar-me contra alguma árvore ou poste, e isso obriga-me a parar a hiperactividade cerebral. Segundo, ir à praia ou para uma esplanada, principalmente se estiver sol, seja Inverno ou Verão, deve estar no meu top 3 de actividades favoritas de todo o sempre (não há nada que me deixe com melhor humor).

 

E assim me fazem feliz, com uma tarde de silêncio e sol.

 

Aposto que ser filha, neta e sobrinha única, e a mais velha numa década de todos os primos em terceiro grau, tenha influência no assunto. E só ter ido para a escola aos cinco anos, #superantisocial. Sempre estive por minha conta. Por outro lado, passo o dia a dar aulas, a falar constantemente, em duas línguas, cinco a sete dias por semana, e de vez em quando só me apetece desligar da ficha e parar de me ouvir a mim mesma, nem é necessariamente aos outros.

 

Por exemplo, neste exacto momento estou sentada numa esplanada do Cais do Sodré, a ouvir a música do café e a olhar para o Tejo, enquanto acabo de escrever este texto (curiosamente, continuo a tentar comunicar com o resto do mundo, até quando estou sozinha, mas isso é porque sou tagarela, mesmo calada). É a minha hora de almoço, mas podia acontecer a qualquer altura. Para mim, acaba por ser tão bom estar sozinha quanto se estivesse com outra pessoa, mas ambas as opções são positivas, não vejo nenhuma como melhor ou pior, mais ou menos aceitável. Não vejo estar sozinha como significado de estar só.

 

IMG_25610619_125214.jpg

 

Não é óptimo estarmos como queremos, onde queremos, tão agradável quanto estar com outras pessoas? Na minha opinião, há momentos e tempo para tudo. Há dias em que só nos apetece estar na companhia doutras pessoas, e há dias em que nada é melhor do que estar individualmente, apenas. Estar.

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