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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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EU FUI... ao Rock in Rio pela primeira vez

Finalmente, tive outra experiência que me faltava na lista "coisas que eu não fiz quando era adolescente e que me vejo obrigada a fazer, antes que a idade adulta me engula, vingando o meu 'eu' de 15 anos": fui ao primeiro dia do Rock in Rio 2018 (momento de histerismo!!!!!!!!!!!!!!!!!!).

 

Há quatro anos, participei num passatempo dos Blogs do Sapo e ganhei dois bilhetes para o Rock in Rio 2014. No entanto, na altura houve um problema e, em vez de receber os bilhetes, recebi uma recompensa diferente. Ora, até há bem pouco tempo as prioridades não eram gastar dinheiro em festivais (pagar propinas, talvez), depois a vida pôs-se à frente e ultimamente ando a concretizar imensos planos, ideias e futilidades que não tive a oportunidade de viver antes, seja por motivos logísticos ou financeiros. Um deles tinha de ser ir ao Rock in Rio.

 

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Estava eu a dizer que fui ao Rock in Rio no dia 23 de Junho, este último sábado. Partiu tudo duma ideia peregrina que me ocorreu menos duma semana antes, do género "vamos lá cometer uma pequena loucura inesperada na conta bancária", e depois arrastei uma amiga que também andava a precisar de espairecer e sair de casa. 

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Então, no dia, chegámos às 18h, ainda ouvimos um pouco do Diogo Piçarra à distância, sentadas na relva, apreciámos os arredores, arranjámos uma bebida e umas batatas fritas, e fomos ver, em primeiro lugar... a Carolina Deslandes. Não, não tem muito de rock, mas ficámos na fila da frente, onde também encontrámos fãs pré-adolescentes, os respectivos pais e até os namorados das mais crescidas (que aparentavam não saber muito bem como lá tinham ido parar). Foi um máximo, cheio de glamour... ou não! Claro que foi um concerto fofinho, familiar, a acompanhar um final de tarde bastante agradável. Só fiquei ligeiramente desgostosa quando "A Miúda Gosta" (apenas uma das minhas músicas favoritas de sempre) foi cantado em dueto com a Maro, cuja voz acho que não se enquadra na música, mas de resto o concerto foi irrepreensível.

 

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O problema foi a hora de jantar. Por acaso, já tínhamos comido qualquer coisa, mas não conseguimos encontrar mais nenhum sítio onde voltar a comer sem ter de esperar em filas por menos de meia hora. Só alguns stands é que tinham snacks e pouca gente, então jantámos pipocas. Na minha mais humilde opinião, de quem não é letrada nestas lides, o catering ficou muito aquém das expectativas. Havia imensas barraquinhas e construções abismais dos parceiros, para distribuir brindes inúteis e fazer publicidade, mas alimento para o estômago nem por isso. Centenas de milhares de pessoas no recinto, e ficou apenas a lição aprendida de levar farnel numa próxima vez.

 

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Além disso, acredito que ainda haja margem para melhorar o acesso às atracções. Por exemplo, ainda pensámos em ir à roda gigante, mas, mais uma vez, encontrámos uma fila que demoraria três horas a escoar. Outros espaços nem se percebia o que eram, porque nem lá conseguíamos chegar perto. Ficou a impressão de que andam a vender mais bilhetes do que a quantidade de pessoas que têm condições para receber e entreter devidamente. Tendo em conta o preço que pagamos pelos bilhetes...

 

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Outro reparo é a falta de "qualidades verdes" que o RiR se orgulha tanto de ter. Excepto o copo de plástico que podemos voltar a encher e que serve de souvenir, todo o festival deve ter produzido imenso lixo desnecessário em brindes, caixas e caixinhas de comida e até em embalagens dos bilhetes vendidos pela Fnac - separador de cartão, dentro de caixa de cartão, envolvido numa película de plástico - um desperdício.

Por outro lado, os meus mais sinceros parabéns pelas instalações sanitárias, que, mesmo nojentas, existiam em número suficiente para uma pessoa não ficar com as cuecas na mão pelo caminho. 

 

Quanto ao resto dos concertos, ainda ouvimos os Bastille à noite (que foram fraquinhos, e o vocalista passou o concerto a dizer "Obrigada!", só me apetecia romper pela multidão e ir lá dar-lhe uma aula de Português até ele deixar de repetir a mesma coisa - e mal, "é OBRIGADO, que você é um homem!" - para fazer aquilo que lhe competia, cantar) e vimos o fogo-de-artifício antes dos Muse. Foi bonito, sim senhor. Não ficámos para os Muse, mas deve ter sido um concerto excelente, para variar, tirando o facto de que estava lá meio mundo e não se iria avistar grande coisa para o palco, mesmo em cima da colina. Nem quero imaginar como terá sido a noite passada, com lotação esgotada! A manter estas características, não aconselho o RiR a quem tenha dificuldades na mobilidade ou leve a família atrás. 

 

Finalmente, deixo uma dica infalível para quem não dispensa a sua garrafa de água e ainda vai ao Rock in Rio no próximo fim-de-semana. Já que as equipas de segurança nos tiram as tampas da garrafas que levarmos, vocês levem uma tampa suplente escondida algures (super rebeldes). E não se esqueçam da marmita! De nada.

 

Veredicto: ir ao primeiro dia do Rock in Rio 2018 foi uma experiência positiva. Deu para entender a relevância que lhe atribuem, aquilo de que me andaram a falar estes anos todos. Há todo um ambiente a explorar. Vale pelo matar da curiosidade e, quando se vai com amigos, tudo corre bem ou ainda melhor. É um evento descontraído, mesmo não sendo o melhor. Caso haja disponibilidade no orçamento, ir é a melhor solução para tirar as teimas, como eu fiz. Para ver os grandes artistas... é que recomendo que fiquem em casa, porque, na melhor das hipóteses, se não forem de acampar à frente do Palco Mundo às 13h... dificilmente terão boas condições de visibilidade.