Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Experimentei ver "Voldemort: Origins of the Heir" e esta é a minha opinião

Quem já viu o filme "Voldemort: Origins of the Heir", a produção fan made mais famosa do momento? Eu já, e trago-vos a minha mais sincera opinião acerca do que poderia ter sido um produto modesto, mas melhorzinho do que foi - muito melhor!

 

Imagem relacionada 

Pessoalmente, acho que a saga Harry Potter anda a ser explorada em demasia. Parece que nada do que se faça de interessante (e, muitas das vezes, desinteressante) pode subsistir sem ser comercialmente explorado até à náusea. Sou a maior fã dos livros, talvez até dos filmes, mas começo a pressentir um esforço enorme para manter popular algo que já marcou várias gerações, não sendo necessária muito mais do que a sua própria existência.

Por isso, não deixo de pensar que "Voldemort: Origins of the Heir" pode ser visto como um esforço louvável de alguns fãs para demonstrarem a sua admiração e prestarem uma homenagem à saga, ou que pode ser visto como mais um esforço para comercializar e rentabilizar um sub-produto, amador, associado ao nome Harry Potter.

 

Se estão prontos para alguns spoilers, cliquem em "ver mais" (ou não façam mais scroll, caso tenham aberto o post directamente). Senão, vejam o filme (cerca de 52 minutos) primeiro, tal como foi publicado no YouTube! 

 

 

 

A STORYLINE

A tentativa de criar um enredo cativante e de forma a respeitar a história original (até palavra por palavra) foi bastante visível. No entanto, foi exactamente isso: com alguns floreados e três novas personagens, a história que já conhecemos dos livros acerca do passado de Tom Riddle, desde a sua saída de Hogwarts até à criação dos Horcruxes, foi recontada através de flashbacks constantes, misturando-se com memórias da suposta protagonista desta prequela, Grisha McLaggen. Também não se percebe qual é o papel dos soviéticos ao terem o diário, ou como é que se encaixam na narrativa de J. K. Rowling. 

Ah... e, se a Grisha McLaggen que fala e se submete aos soviéticos é, na verdade, Lord Voldemort, qual foi o gozo de não os matar de imediato a todos? Estar com falinhas mansas não me parece nada do que o Quem Nós Sabemos faria.

 

ELENCO ITALIANO... COM SOTAQUE?

"Voldemort: Origins of the Heir" é uma produção italiana. Com actores italianos. O que nos leva inicialmente a pensar que vamos ter de aguentar o sotaque italiano dos actores a falar inglês. Enganamo-nos: as vozes em inglês foram dobradas por cima da prestação dos actores ingleses, mas fracamente. Penso que as vozes pertençam a falantes nativos, mas não me consegui abstrair do aspecto primitivo de "cartoon" que as dobragens trazem a filmes não animados. 

Por outro lado, devo realçar que a prestação dos actores não foi assim tão má, mesmo prejudicados pelas dobragens.

 

ARGUMENTO 

Como já mencionei, muitos diálogos e informações foram integralmente reproduzidos tal e qual como escritos pela J. K. Rowling (por exemplo, a conversa entre Tom Riddle e Hepzibah Smith sobre as relíquias, que toma um papel central neste filme, e a definição de horcrux). No entanto, o que não foi retirado dos livros ou filmes originais soou-me sempre muito pouco criativo, sem grande conteúdo, vago, acessório ou "fora do tom". Nem vos sei explicar muito bem o que senti, tecnicamente, mas não fiquei convencida.

 

EFEITOS ESPECIAIS

Tendo em conta que este é um filme amador, os efeitos especiais não estavam nada mais. Pela negativa, destaca-se a lente de contacto branca demasiado visível do General Makarov; pela positiva, a aparição e desaparição da Grisha ao lutar contra os soldados soviéticos. 

 

AVALIAÇÃO FINAL

Eu sei que "Voldemort, Origins of the Heir" é um filme amador, produzido por fãs, sem nem uma migalha dos meios financeiros para subsidiar uma produção profissional, ou dos meios tecnológicos para fazer justiça aos efeitos especiais que o mundo fantástico de Harry Potter requer. No entanto, não terá sido por causa de dinheiro ou tecnologia disponíveis que eu acabei por não simpatizar com a saga.

Poucos aspectos do filme me fizeram sentir o que Tolkien apelidava de "suspension of disbelief" [suspensão da descrença]. Não me senti suficientemente interessada para deixar de fazer outras coisas enquanto via o filme, não me senti agarrada ao filme e, por vezes, até me senti desconfortável com a maneira como certas cenas foram concebidas.

Desta forma, aqui vai o veredicto depois de ver "Voldemort: Origins of the Heir" --- 4/10.

Excelente esforço amador - mas, como dizia uma professora de teatro que tive, ser-se amador não significa ser-se medíocre. A intenção foi louvável! Contudo, talvez as minhas expectativas tenham sido demasiado elevadas por influência do marketing em redor do filme, ou pelo interesse suscitado por inclinação pessoal. Ou talvez o argumento e a forma como o filme foi editado pudessem ter sido melhores.

 

Deixo agora ao vosso critério. O que acham do filme? Partilhem comigo as vossas opiniões se chegarem a ver "Voldemort: Origins of the Heir"!