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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Falar outra língua

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Em Banguecoque, comecei a dar aulas ocasionais de Português a estrangeiros, nomeadamente a quem era casado com portugueses, o que tenho feito desde então. Precisam de quem fale com eles, de quem lhes explique como funciona a nossa língua. E eu sempre muito intrigada por que raio não eram os respectivos que lha ensinavam, por que insistiam em fazer do inglês a única língua em comum, quando obviamente poderiam começar a introduzir outra na vida a dois, de forma tão natural!


Isto era o que eu pensava. Depois, conheci o Rui. O Rui é português, felizmente temos isso a nosso favor, mas gosta de futebol, que é um idioma que eu nunca dominei, nem para salvar a vida.


Os meus alunos costumam dizer que os namorados e maridos nunca arranjam tempo para lhes ensinar nada. Eu argumentava que, algures no futuro, eles haveriam de ter filhos e falariam uma língua que não iria ser compreendida por todos, deixando sempre alguém em desvantagem. Que é bom saber a língua materna do respectivo para conseguir falar também com a família dele. Que é todo um mundo de vantagens que já lhes poderia ter sido apresentado.


Agora sou eu quem está desse lado ingrato do processo de comunicação.


Já pedi ao Rui que me ensinasse o que se passa num jogo. Ele diz que eu podia estudar sozinha. Já pedi que me levasse a ver um jogo. Ele diz que sim, que me leva, mas que não vou perceber nada, porque não há comentário como na televisão.


Depois, também sinto esta incompreensão: como é que uma multidão se pode interessar tanto por uma bola, de forma tão apaixonada? Não domino essa cultura, que me trava de entender toda a abrangência da língua correspondente. Vejo os outros vibrarem com os jogos e sim, eu também consigo vibrar com algumas coisas, mas há muito que me passa ao lado num relvado. 


Agora, sei o que é não partilhar uma língua e a outra parte achar que é mais fácil falar uma língua comum do que introduzir uma nova (futebolês, portanto). É uma posição muito ingrata, já que nenhum dos meus amigos ou familiares me pode ajudar. Talvez tenha mesmo de me tornar uma autodidata nesta nova matéria.

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