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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Há um ano em Portugal

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Fez ontem um ano que estou em Portugal e muito do que eu esperava não se concretizou nestes primeiros doze meses a seguir ao regresso. Parte da rede de apoio desmoronou-se, o mestrado com o qual eu tinha andado a sonhar não me entusiasma tanto quanto eu previa, a alegria de voltar para o pé da família e dos amigos reveza-se com contas interiores por ajustar.


No entanto, fecham-se portas e abrem-se janelas. Já não dou aulas numa universidade, mas gosto bastante do que faço e vou gostando do que estudo. A viagem à Escócia, onde prometi voltar a cada novo dia no meio duma cidade de betão, realizou-se. Continuei a escrever, tive tempo e disposição para ler e para fazer planos que me entusiasmam. Conheci quem me inspire e faça bem, nunca me faltaram abraços.


O que eu quero dizer é que a vida aconteceria inevitavelmente lá ou cá, assim ou assado. Não é um sentimento de impotência, mas sim de controlo: a vida não parou, porque me tenho esforçado para que não pare e para que vá seguindo um rumo agradável à navegação. A iniciativa própria tem peso nos eventos; não controlamos tudo, mas aquele bocadinho que aterra nas nossas mãos é um óptimo começo.


Além disso, tem sido um ano de reaprendizagem. Reaprendi a depender um pouco dos outros, reaprendi a estar acompanhada, reaprendi a confiar nas minhas decisões e reaprendi a não me preocupar demasiado por antecipação, mas sim a esforçar-me apenas dando o meu melhor, de acordo com as circunstâncias, não almejando a feitos heróicos e, certamente, irreais. Neste caso, aprendi mesmo, pela primeira vez, que não sou de ferro. Foi um ligeiro passo atrás para poder continuar em frente.


Ao chegar ao aeroporto de Lisboa, após 30h de viagem, deparei-me com esta frase de José Luís Peixoto (que, por coincidência, eu conhecera algumas semanas antes em Banguecoque):

 

Quando chegares, não te esqueças de onde partiste.

 

(Frase esta que eu lera, também algumas semanas antes, no livro O Caminho Imperfeito, que JLP escreveu sobre algumas das suas experiências na Tailândia e sobre viagens.)

 

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De facto, não nos podemos esquecer de onde vamos partindo, seja territorial, mas também profissional ou emocionalmente. É difícil prever o próximo destino, mas costuma-se dizer que devemos, em vez disso, apreciar a viagem. Talvez os clichés tenham razão.

 

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