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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Hubert Zafke

Hubert Zafke, um antigo SS do regime de Hitler, começará a ser julgado no fim de Fevereiro. Todos nós, enquanto cidadãos europeus minimamente informados sobre a História contemporânea, conseguimos perceber a gravidade dos campos de extermínio, do que por lá se praticava e das ideias que Hitler plantou na Alemanha no seu tempo, pelo que este julgamento de um antigo simpatizante do regime não teria nada de surpreendente - não fosse o senhor Zafke ter 95 anos e os prisioneiros dos campos de concentração já terem sido libertados há 70.


Enquanto cidadã, estudante de cultura e, em geral, enquanto curiosa, pergunto-me quais os limites da memória. Até que ponto a punição por um crime - digamos - perpetrado à escala civilizacional e já discutido e repensado por décadas e gerações a fio não deveria ser esquecida, deixada cair (como diriam os franceses)? O tempo não apaga a História. Mas será que em 2016 retiraremos algum proveito, alguma satisfação ou consolo por um homem de 95 anos ser finalmente julgado por crimes que cometeu há sete décadas? Será que punir esse homem ao fim do período de uma vida ajudará a sarar as feridas e a encerrar as inquietações das vítimas do Holocausto?


Ou será este julgamento uma farsa? Será uma forma de reavivar a História para as gerações mais novas? Isto aconteceu. Não se esqueçam. Não se podem esquecer.
E, por fim, uma última questão: se fazem tanta questão de punir Hubert Zafke, por que razão não o fizeram mais cedo? Por que não o encontraram mais cedo e por que é que não se fez justiça de imediato?

 

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Recorte da E, revista do Expresso, 13 de Fevereiro de 2016 (hoje)

 

De que se alimenta a memória e a dor da lembrança? Qual é o prazo de um crime contra a humanidade aos olhos da lei e do bom senso?

 

Desculpem tantas perguntas.