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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Judite de Sousa no telejornal, ou não

Das memórias que tenho, não me lembro de alguma vez ter gostado particularmente da Judite de Sousa. Compreendo que chegou a uma posição profissional muito favorável na televisão portuguesa, mas não a considero uma jornalista. Considero-a uma apresentadora, e a um nível inferior ao da Júlia Pinheiro ou da Fátima Lopes nos últimos meses.
Desde que lhe faleceu o filho que o profissionalismo da Judite de Sousa tem caído desmesuradamente. De facto, admiro-lhe a força de vontade para se manter activa, apesar da tragédia que lhe aconteceu e que não se deseja a ninguém, mas muitas das suas qualidades profissionais encontram-se (especialmente) desaparecidas desde então, o que não me parece positivo nem para ela, nem para a TVI, nem para os telespectadores.
Depois da morte de um filho, ainda por cima único, é previsível que uma pessoa se sinta em baixo, baixo, baixo. Que a sua imagem se degrade e que a pessoa envelheça. Que perca muita da sua força.
E por isso é que não consigo encontrar nenhuma justificação para a insistência da TVI em manter a Judite de Sousa como pivot do telejornal da noite. Ainda há uns meses fez as capas de imensas revistas por ter sido "internada em estado grave". Em emissão, a voz quebra-se-lhe frequentemente, o seu aspecto físico mostra uma mulher debilitada, o discurso não é fluente. Inclusivamente, ontem, ficou emocionada durante a entrevista que fez a Simone de Oliveira. Aliás, a entrevista depressa se transformou numa sessão de aconselhamento, em que a entrevistadora Judite decidiu perguntar (de forma naaada explícita) à entrevistada Simone de que forma é que sobrevivera e conseguira arranjar motivação para superar os momentos mais duros da sua vida. E ainda colocavam em questão a credibilidade jornalística do telejornal da TVI por causa dos 20 minutos de Ricardo Araújo Pereira??? Pois agora é a minha vez de a desafiar com a hora e meia de Judite de Sousa. Ou será que aquela conversa fiada e mais infeliz não poderia ser guardada para os bastidores? Por que motivo é que os telespectadores são convidados a assistir ao drama alheio? Não chegam as telenovelas?
Por muito tristes que sejam os motivos desta ausência de profissionalismo, há que estabelecer limites. Precisar de trabalhar para superar uma perda de modo menos dramático não implica obrigatoriamente que a pessoa se vá mostrar em plena forma no desempenho das suas funções. Muito pelo contrário. Especialmente porque ocupa uma função que lhe garante muita visibilidade pública, para o bem e para o mal, Judite de Sousa devia ser afastada dos ecrãs durante mais algum tempo. Não digo que tenha de deixar de trabalhar, mas sim que poderia começar a fazê-lo mais atrás das câmaras do que à frente delas. Ah e tal, mas à frente é que ela se sente bem, a fazer aquilo em que é melhor profissional. Então, nesta altura do campeonato, imagine-se o que fará de pior.
Esqueçam os sentimentalismos de blogosfera. Nada de "coitada, morreu-lhe o filho, não lhe podemos tirar a última coisa positiva na sua vida". É do desempenho de uma profissão que estamos a falar.

 

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