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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Não consigo parar de ouvir a música "A Miúda Gosta" (Carolina Deslandes)

02.06.18 | BeatrizCM

Tenho um problema musical em mãos (neste caso, em ouvidos): não consigo deixar de ouvir a música "A Miúda Gosta".

 

 

Claro que, por essas blogosfera e redes sociais fora, o álbum Casa, da Carolina Deslandes, tem-se revelado uma espécie de livro de hinos ao que é lindo, maravilhoso, romântico, sentido, catártico, representativo do que é mais puro e inocente nos nossos corações empedernidos, que se vão tornando moles a cada nova música.

 

Quanto a mim, costumo dizer que embirro com modas, só consigo ver as séries e os filmes, ouvir os artistas, ler os livros quando eles deixam de ser o centro das atenções das massas, mas tive de abrir uma excepção para este álbum Casa, nem que seja porque fui uma das milhares de pessoas que se derreteu com A Vida Toda há mais dum ano e que ganhou uma curiosidade miudinha acerca do que sairia da mesma origem.

 

É neste contexto que, primeiro, me apaixonei pela música "Agora", a qual encaixou que nem uma luva em circunstâncias que já vão passando, e também por esta, "A Miúda Gosta". Digo que tenho um problema, porque passo a vida a ouvi-la, de vez em quando farto-me, mas horas depois já estou com saudades de voltar ao mesmo. Nem sequer penso que seja uma música a ser transformada em hit, passa despercebida. Então, porquê esta insistência em encher a cabeça sempre com a mesma toada?

 

Eu não percebo nada de música (ter tido uma banda por seis meses e ter feito covers ranhosos para o YouTube não conta, pois não?). Mas acho que percebo uma coisa ou outra de palavras. Ou simplesmente de intuição e lamechice. Assim sendo, decidi vir aqui partilhar convosco que a miúda gosta d' "A Miúda Gosta", e fica bem disposta...

 

Gosto que esta música trate o amor como uma coisinha tontinha, porque é, "pura insensatez". O pessoal fica mesmo apanhado, não fica? É mesmo uma droga, não é? Ficamos a flutuar, como inspira a batida da canção, a delicadeza dos instrumentos. Não é?

 

Além disso, acho que aquilo de que eu mais sou fã é que esta canção também venha relembrar-nos de que não é realmente verdade quando dizemos que não podemos mudar os outros. Parece-me que sim, não necessariamente a sua identidade ou os traços que mais os caracterizam, mas talvez os seus hábitos ou opiniões sobre alguns assuntos: "eu nem gosto de cartas nem postais, mas a miúda adora, diz que até cora"; "eu nem gosto de falar de sentimentos, mas a miúda pede, ri sozinha e pede, então lá vou eu"; "sabe que eu não danço, mas eu não descanso sem a ver feliz". Apanha-se um sentimentozinho e troca-se as voltas à malta. 

 

E, depois, toda esta "miudez" dos sentimentos, todo este aparvalhamento, tontice... Ela é a miúda, ela quer, e o adulto sério faz "o que ela quiser, pura insensatez", "e ela, sem medo, dá-[lhe] um abraço", uma parvoeira. Não faz sentido, mas é mesmo assim, pelo que me lembro. 

 

Não procedendo a grandes psicanálises, conclui-se, então, que esta miúda gosta e fica bem disposta ao lembrar-se de como esta tolice pegada é engraçada, bem foleira, mesmo que não lhe ande a tocar a ela. Já tocou, pelo menos, e já foi bem bom. Já não morro ignorante! 😂

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