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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O amor, os blogues e as fofocas

 

Na semana passada, nesse dia emblemático em que o Benfica, o Papa e o Salvador Sobral deram tantas alegrias a Portugal e aos portugueses, outra surpresa mexeu comigo: umas fotos muito curiosas de dois dos meus blogueiros de eleição, que alegadamente estariam separados/divorciados e em torno dos quais até se tinha gerado um zum zum de admiração, angústia, tristeza, de repente muitos seguidores a comentarem que, assim, até deixariam de acreditar no amor, que eles eram o par perfeito, levantaram-se mãos ao céu (ou emoticons tristes no Instagram)... Enfim, eu fui uma delas. 

A separação desse casal dos blogues teve um impacto bastante grande em mim. Eu serei sempre a primeira a dizer que as aparências iludem e que de amor ninguém percebe quase nada. Para mim, andamos todos ao mesmo: vai-se por tentativa e erro, a ver se os nossos métodos funcionam com os da outra pessoa. Para mim, casais felizes na Internet também podem ser uma farsa ou um retrato dum conto de fadas, porque só quem anda no convento sabe o que lá vai dentro. Raramente me deixo iludir ao ponto de acreditar que é tudo lindo e maravilhoso lá por casa, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, 7 dias por semana.

No entanto... olhem, qualquer coisa mexeu comigo quando soube desta separação. Talvez por eu costumar dizer que há uma tríade de Ricardos na blogosfera que garantem o sucesso de relações - o meu, o dessa blogger e o duma terceira. (Eu sei que é um bocado presunçoso e ligeeeeeiramente tendencioso pensar nestes termos, mas uma pessoa tem de acreditar nalguma coisa.) Talvez por eu passar demasiado tempo na Internet a pensar na vida dos outros (o que não deixa de ser uma possibilidade credível). Talvez eu até me tenha sentido chocada por ter crescido a ver essa relação a desenvolver-se e, sem me ter apercebido, essas pessoas fazerem um bocadinho parte do meu dia-a-dia e da minha concepção do que é o mundo em geral e o sucesso profissional.

Acho que todas estas são opções muito válidas! E sabem porquê? Porque a verdade incontornável é que a Internet permite-nos ter uma relação, maioritariamente unilateral e quiçá falaciosa, com os escritores, produtores de vídeo, jornalistas ou cronistas. É uma relação não correspondida, mas que nos acompanha por anos e anos. Chegamos da escola e lemos o texto mais recente ao lanche, saímos do trabalho e pelo caminho vemos o novo vídeo. Essas pessoas tocam nas nossas vidas de maneiras muito mais permanentes do que certas partes das nossas famílias.

Assim, foi uma enorme alegria ver que esse casal de que estou a falar desde o início passou tempo de qualidade um com o outro, a julgar pelas fotos que mostram no Instagram. Muitos especulam que será uma reconciliação, mas a mim nem é a possível reconciliação que mais me interessa - é o facto de parecerem felizes e em paz enquanto estão juntos. Não interessa se permaneceram amigos ou outra coisa qualquer. Interessa que, no final, há esperança. Pode ter sido um casal a divorciar-se, mas é uma ligação que não morre, mesmo alé dos filhos.

Às vezes, também me pergunto o que aconteceria se eu e o Ricardo nos separássemos (emocionalmente, porque fisicamente a coisa não pode ficar mais aguda). Número um, não me parece provável que aconteça nos próximos tempos. Número dois, nunca se sabe, por isso não custa puxar pela cabeça e colocar hipóteses na mesa. Acho que, no final, o que mais importaria seria declararmos a paz. Se essa paz viesse na forma duma amizade ou dum carinho especial que não se apaga, significatia que a última meia década não teria acontecido em vão.

Noutra nota... Obviamente que, se os sujeitos em questão publicaram as fotos, já estariam à espera do efeito. Muita gente iria comentar e largar a sua posta de pescada. Neste caso, as fofocas são inevitáveis e quem criticar seja quem for por comentar a situação (hummm, como por exemplo, eu) não tem grande estrutura argumentativa para defender a sua causa. Deste lado, ainda temos poder para escolher o que queremos partilhar e o que preferimos omitir da praça pública. Certamente, este casal/ex-casal não terá escolhido partilhar estes desenvolvimentos de forma inocente e desinformada. Assim, toma lá a minha posta, à qual tenho igual direito.

 

Viva a felicidade! Viva o amor! Viva os sururus que mantêm a blogosfera fofoqueira entretida! Viva a gente contente e satisfeita!

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