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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O meu Carnaval com Shakespeare e Martin Luther King Jr.

[Críticas à peça de teatro As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos e ao filme Selma.]

 

No final de 2014, tomei duas decisões: que havia de ir mais vezes ao teatro e que havia de ir mais vezes ao cinema. Ok, e que havia de ir mais vezes a exposições de arte, a museus e etc e tal, mas ainda não cheguei lá (por agora!).

Sendo assim, já comecei a investir nessas decisões durante este fim-de-semana prolongado de Carnaval.

 

 

No Domingo, fui ver a peça As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos, no Teatro Tivoli. Já esteve em cena no ano passado, depois esteve noutras zonas do país e há uns meses regressou à capital. Durante todo este tempo, nunca parei de pensar "vou ver no próximo fim-de-semana... e vou no outro... e talvez depois dos testes... e agora não tenho dinheiro" - até que recebi a derradeira ameaça. 15 de Fevereiro de 2015 seria o seu último dia em Lisboa, muito provavelmente pela última vez (uma terceira temporada de uma peça de teatro, em menos de dois anos, na mesma cidade, em Portugal, não seria pedir demasiado?). Claro que mandei o dinheiro às urtigas, deixei de ser forreta e lá fui eu, mais a minha avó e a minha tia.

Primeiro aspecto a frisar: a opinião pública acaba por viciar muito as nossas expectativas.

Pelo menos, viciou as minhas. Achei que ia ser assim qualquer coisa de outro mundo. Talvez tenha sido, mas acabei por ficar desapontada. Guardo a sensação de que o lugar onde fiquei não me deixou aproveitar todo o potencial acústico da sala (o que me impediu de ouvir perfeitamente os actores) e tenho igualmente a vaga ideia de que não contribuiu o facto de eu ter esperado assistir a todas as obras shakespearianas condensadas (o que foi, no mínimo, estúpido, dado serem tantas, entre drama, comédia e poesia), em vez de uma brincadeira quase a roçar o teatro tipicamente português de revista. Esperem momentos satíricos, momentos de rap, momentos "à toa". Momentos para rir e rir e rir... em geral.

Seja como for, adorei a peça As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos e não me importaria de pagar outros 11€ para ver uma peça de qualidade semelhante. No final, atribuo-lhe uns simpáticos 6,5 valores em 10.

 

 ***

 

IMG_20150217_155404.jpg

 

Já ontem, fui ao cinema com a Carolina ver o filme Selma. Há cerca de ano e meio li uma colectânea de textos escritos por Martin Luther King Jr. (Eu tenho um sonho: a autobiografia de Martin Luther King), que na altura me fizeram repensar toda a evolução da história dos EUA até hoje, que me fizeram repensar na própria política ocidental e nos nossos valores morais ditos mais elevados. Sendo assim, quando soube desta adaptação cinematográfica acerca de uma parte do seu trabalho activista de vida, não consegui tirar a ideia da cabeça. Selma, ainda por cima nomeado para o Óscar de Best Picture of the Year, merecia toda a minha atenção. E teve-a, e teve-a.

Para quem não se emociona só com cenas românticas e de fazer chorar as pedras da calçada, para quem acredita que o ser humano é o responsável pelo seu destino enquanto espécie [inteligente, supõe-se] e para quem se revolta com as injustiças sociais, este é o filme. Houve cenas que me tiraram o fôlego! De vez em quando, ouvia a Carolina a suster a respiração. Todo o filme está bem concebido, se procuram uma interpretação da História e da vida de Martin Luther King Jr. sem floreados, mas sem lhes ser retirada a sensibilidade que os espectadores esperam. Não é uma interpretação fria, mas muito menos nos ilude acerca do que realmente se passou. Os amantes das bandas sonoras, em que me incluo, também não ficarão desiludidos, pois não há um único instante em que a sacana não enriqueça o filme, em que não seja adequada, em que não nos provoque calafrios pela espinha acima naquelas cenas.

Quanto aos actores, gostei muito da selecção. A maioria nem é muito conhecida dos grandes ecrãs! Não achei David Oyelowo, o actor que interpretou M. L. King Jr., muito parecido a ele; no entanto, já fui ver fotografias suas e a imagem que lhe deram no filme denota um trabalho exemplar em caracterização. Além disso, percebo por que foi o escolhido para este papel e todos os que compararem as gravações originais dos discursos de Martin Luther King Jr. com os mesmos discursos proferidos por David Oyelowo hão-de perceber também. 

No que toca aos figurinos, melhor não se poderia arranjar. As actrizes estavam particularmente bem vestidas e as suas roupas dos anos 60 quase podiam virar moda neste ano de 2015, de tão bonitas que as achei!

Dito isto, 8 em 10 para o filme Selma!

 

Por último, deixo-vos com a música da banda sonora original de Selma que foi nomeada para o Óscar de Best Original Song. Chama-se Glory, foi escrita por John Stephens e Lonnie Lynn e é cantada pelo John Legend e pelo rapper Common - a quem foi igualmente atribuído no filme o papel de James Bevel, o líder do movimento Southern Christian Leadership Conference (SCLC), com que King colaborou.

 

 

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