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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Os fraldários

Provavelmente, este tema já há-de ter sido discutido na blogosfera ou, seja como for, somewhere. Ou não. Mas quero acreditar que sim.

Quero falar de fraldários. Quero escrever sobre os fraldários, quero fazer incidir um bocadinho de atenção sobre esses equipamentos que assomam o nosso caminho logo à porta das casas-de-banho públicas, daquelas que se podem encontrar nas estações de comboios, nos centros comerciais, nas bombas de gasolina, nos parques e jardins... Por aí. Não é que pretenda tornar o tópico numa larga discussão, mas os fraldários andam aqui a dar-me uma comichãozinha.

 

 

Lanço a ideia com uma simples questão: onde costumam estar os fraldários? Nas casas-de-banho das mulheres, é onde eles costumam estar, os ditos cujos! Já me tinha apercebido disso antes, mas hoje tive uma espécie de epifania ao cruzar-me com um.

 

Caramba, mas por que é que não há fraldários nas casas-de-banho dos homens? Se eu tiver filhos daqui a uns anos, por que raio haveria de ter de ser eu a mudar-lhes as fraldas, e não o pai? Não estamos agora já bem entradinhos no século XXI, essa era pós-moderna toda para a frentex, toda rejuvenescida e enriquecida com os ideais que tiveram origem no século anterior? Não ocupam já os homens um papel importante na educação e no desenrascanço no que toca aos seus rebentos, não são eles que já são retratados a lavar loiça nos filmes de Hollywood, não são eles todos melhores que os próprios pais, não pertencem eles a uma geração que já partilha tarefas domésticas com as mulheres (consequência da entrada das últimas no mercado de trabalho AKA 'bora lá não ser um tretas qu'a fofinha também veste calças)????

Então, expliquem-me: como é que ainda não pus a vista em cima de fraldários nas casas-de-banho dos homens? Na melhor das hipóteses, já vi fraldários em casas-de-banho reservadas a crianças, but that's it. Onde está a declaração pública de que, UAU, MARAVILHOSO, os homens estão tão aptos a trocar fraldas e a limpar rabos quanto as mulheres? Não vejo que se justifique ainda perpetuar esse modelo familiar e social, no qual as mulheres é que se encarregam dos filhos. É um padrão, é um ciclo. Vê e repete. Vê e eterniza e congela o cenário social.

Mas isso sou eu, que fui criada por uma avó que se separou do marido nos anos 60, criou dois filhos desde os seus 5 e 3 anos como mãe solteira e anda ainda a criar uma neta desde os seus 4 anos como avó solteiríssima. Fiquei um bocadito estouvada por causa destas energias femininas que me incitam a tomá-las como minhas e por causa destes papéis sociais desafiados constantemente.

Perdoem-me a honestidade, mas, se os fraldários continuarem a ser uma peça de mobiliário estritamente para casas-de-banho de mulheres por volta da altura em que eu for mãe, hei-de lá mandar na mesma o pai dos meus filhos, por muito que pelo meio ele tenha de se sujeitar ao cheiro de rabos-fêmea mal lavados, chichis espalhados avulso e a pensos higiénicos espalhados pelo chão como minas de guerra. Olhares de incredulidade da parte das femmes? De pessoas incrédulas se constrói o caminho para a imposição de fraldários em locais de comum acesso ou em ambas as tipologias de casa-de-banho (hein, digam lá que não estou inspirada!).

Na mesma onda, proponho a leitura desta notícia.

Ando muito reaccionária, pois ando.

 

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