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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Porque é que subir o Arthur's Seat em Edimburgo é uma experiência de superação

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Vista panorâmica no cume do Arthur's Seat.

 

Embora esta seja uma actividade a que imensos turistas e locais se entregam às centenas por dia, subir o Arthur's Seat foi, para mim, uma experiência especial de superação. O facto de o ter feito sozinha, e tendo em conta a minha fraca adoração por alturas, só torna o meu dia de ontem ainda mais inesquecível. Sinto-me bastante orgulhosa por ter subido o Arthur's Seat, um dos três pontos mais altos da cidade de Edimburgo, na Escócia. Como o nome indica, também está ligado ao mito do rei Artur, por ser apontado como a localização provável do Castelo de Camelot. Assim mais a nível pessoal, é ainda um dos locais simbólicos para os protagonistas do meu romance favorito, One Day (escrito por David Nicholls), o ponto de encontro dos amantes, a celebração do início dum grande amor e amizade (alerta foleirada, não me julguem).

 

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Como podem confirmar pela minha expressão de felicidade ao chegar ao cume do Arthur's Seat, este foi um dos feitos do meu ano, até agora. Desde o primeiro dia na Escócia que andava a ganhar coragem para me pôr a andar lá para cima. Ontem, finalmente esgotei as desculpas e a pressão de o tempo da viagem se estar a esgotar ainda contribuiu mais um extra para investir nesta empreitada.

Antes de me ter decidido a subir o Arthur's Seat, ainda subi ao Calton Hill, outro dos três pontos mais altos de Edimburgo (o terceiro é Castle Hill, onde fica o castelo), e avaliei, a partir de lá, todo o percurso íngreme, irregular e pedregoso a que me iria comprometer.

 

Esta era a vista do Calton Hill para o Arthur's Seat, ali ao fundo:

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A acrescentar a todos os motivos já enumerados que me faziam hesitar, tenho contado com uma aparente tendinite no pé direito, que me tem infernizado a viagem com uma dor que, não sendo lancinante, é incómoda q.b.. Por isso, ao olhar para o horizonte, em direcção aos rochedos que me aprontava para subir, só pensava que completar esta aventura só me traria mais confiança ou, em última análise, ficaria presa nos penhascos e teriam de me ir buscar de helicóptero, o que é sempre um pensamento muito engraçado que se tornaria uma história para a vida.

 

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Enquanto subia o Arthur's Seat, como factor de motivação a adicionar, fui relatando a experiência nas stories do Instagram. Entretanto, pu-las em destaque, para ficarem como recordação, por isso podem lá ir vê-las. O tempo também ajudou: a subida começou com um céu escuro e terminou com sol (se bem que o vento se manteve do início até ao fim do dia). É poético, não é?

 

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O que acabou por me aterrorizar mais foi a descida. Enquanto subimos, raramente temos de olhar para trás. Ao descermos, somos obrigados a controlar o que nos aparece por baixo dos pés. Confesso que sou grande fã da técnica refinada de sku, sem a qual dificilmente teria sobrevivido ao Arthur's Seat. Crianças de dois e três anos corriam pelos pedregulhos abaixo... eu arrastava-me. 

 

Dito isto, subir o Arthur's Seat foi uma experiência de superação. Sinceramente, não estava sequer à espera de conseguir subi-lo até ao cume. Pensava que era quase certo eu ficar-me pelo caminho, dada a tendinite, as vertigens, o vento e temperatura agreste no início da caminhada, o cansaço do dia anterior e uma noite de sono interrompida por trabalho (sim, aqui a workaholic não conseguiu livrar-se do trabalho por mais de cinco dias), estar sozinha por minha conta. Mas consegui. Consegui não só subir tudo até ao fim, quanto também consegui descer - sem um arranhão, apenas com as calças ligeiramente sujas. Todas as dificuldades que se apresentavam inicialmente só me deixam ainda mais satisfeita com o que fiz. Não caibo em mim de orgulho. A sério. Tenho a auto-confiança em níveis máximos, pelo menos no que toca à superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.

 

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Se eu consegui isto, consigo mais. Se os outros conseguem, eu também consigo. Se eu consegui, todos conseguem. Porque não? Porque não tentar? E, no final da descida, pode ser que haja um oásis como o que encontrei ontem, ou um paraíso com lagos, flores, relva e cisnes.

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